Você aproveita e utiliza com eficiência o seu tempo de estudo? Será que os horários disponibilizados aos estudos, inclusive considerando as matérias e suas características, são aproveitados de forma otimizada? A reflexão sobre o adequado aproveitamento do tempo de estudo exige a consideração de alguns conceitos e construções de um campo do conhecimento denominado cronobiologia.
O objetivo do presente texto é tecer algumas ponderações sobre o tema, bem como sustentar a tese de que é fundamental entender os nossos ciclos biológicos diários, de modo a otimizar o aproveitamento do tempo destinado aos estudos.
Uma primeira questão relevante a ser considerada, em termos de estudos, principalmente sendo voltados à preparação para concursos públicos, é que o mais adequado não é fazer com que as nossas condições biológicas sejam adaptadas à realidade, mas tentar fazer com que a realidade se adapte às nossas condições biológicas. Por exemplo, se em determinado horário sempre estamos com sono, o ideal seria forçar o estudo no referido horário, ou tentar mudar a rotina para evitar estudar neste horário? A tese ora sustentada é de que a segunda opção trata-se da mais adequada.
A preocupação com os ciclos de funcionamento do corpo e ritmos biológicos não é novidade. Há registros de que existem estudos e reflexões sobre o tema desde a antiguidade. Um dos fatores da natureza determinantes para a conformação dos ciclos biodiários do corpo humano consiste na luz solar, ou seja, a alternância entre a luminosidade do dia e a escuridão da noite. Nos dias atuais, a cronobiologia sistematiza, reúne e pesquisa o presente tema, de forma científica e organizada.
A dinâmica dos batimentos cardíacos e os fluxos hormonais são determinantes para a conformação da nossa cronobiologia e do funcionamento do nosso famigerado “relógio biológico”.
Pensando na atividade de estudo, principalmente em função do sono, existem dois hormônios que contam com papel fundamental, os quais correspondem à melatonina e o cortisol. Enquanto a melatonina desacelera o funcionamento do corpo, sendo importante para o sono, o cortisol acelera.
Atualmente, tenho muito claro os momentos do dia em que conto com picos de melatonina e cortisol. Inclusive, chego a evitar estar dirigindo veículo no momento do meu pico de melatonina. Por outro lado, nos momentos em que acredito que conto com meu pico de cortisol, procuro alocar atividades de natureza intelectual.
Existem vários fatores que determinam a nossa cronobiologia, desde os genotípicos até os fenotípicos. Ou seja, tanto a nossa estrutura genética, quanto as rotinas que construímos ao longo da vida, condicionamentos, educação e mesmo fatores culturais podem ter determinado a construção do nosso relógio biológico.
Portanto, ainda que o corpo humano seja dinâmico e passível de adaptação, as mudanças das rotinas biológicas no mínimo geram um custo, que pode ser bem elevado. Daí porque a tese do texto é de que o mais correto seria adaptarmos a realidade ao nosso funcionamento biológico, e não o contrário.
Isto significa eficiência, em termos de otimização dos nossos esforços cognitivos e do recurso mais importante que temos no processo de preparação para o concurso, ou seja, o tempo.
Não por acaso, no Sistema Tuctor o usuário, ao montar a sua grade de horário (Grade de Tempo), deve informar, em relação a cada turno de estudos, o potencial de disposição intelectual, o qual pode ser classificado em três níveis, como baixo, médio e elevado. Este potencial pode decorrer de aspectos objetivos, como o fato de estar com a disposição limitada em função de ter acabado de sair do trabalho, ou subjetivos. E neste segundo caso, o potencial de disposição intelectual é determinado por fatores cronobiológicos.
Por outro lado, o Tuctor também exige que o usuário informe a importância e a percepção de dificuldade de cada matéria que compõe o seu plano de estudos. A partir daí, para montar a grade do candidato, o Sistema roda um algorítimo que procura otimizar o aproveitamento do tempo de estudo.
No fundo, trata-se da adoção de uma proposta metodológica que venho sustentado há anos e, ainda que atualmente existam cópias sem citação de fonte, está registrada desde o primeiro livro que lancei sobre o tema da metapreparação para concursos (como se preparar).
Portanto, é importante que você faça uma reflexão séria e responsável, de modo a avaliar, considerando os fatores cronobiológicos, se está aproveitando adequadamente o seu tempo de estudos. Minha sugestão, bem como a minha atitude, é no sentido de não brigar contra a nossa natureza, mesmo reconhecendo que existem situações que fogem ao nosso alcance.
Com isto, tente otimizar o seu tempo e seus esforços cognitivos, o que contribuirá bastante com a busca da aprovação.
Bom estudo e bons ciclos cronobiológicos!










10 comentários até agora. Deixe o seu.
Ufa! Fiquei mais aliviada. Pois, carregava um peso na consciência de não conseguir estudar depois que chego do trabalho às 14h!!!!
Professor, obrigada pelas dicas de OURO!!!!!!!!!!!!!
Tenho certeza que meu cérebro “turbina” após as 18h. Se pudesse varava a madrugada estudando e dormia durante o dia. Como não posso, estudo até as 23 e fico sonolenta durante o dia… fazer o que se não sou mais estudante profissional??? São os limões da minha limonada.
Obrigada professor Rogério por pensar em tantas minúncias que fazem a diferença nos meus estudos.
Adelante!!!!
Professor, vi essa função no Tuctor, mas a única coisa que me intrigou, depois de iniciar o cronograma, é que o peso que eu dava a cada matéria era muito subjetivo.
Explicando melhor. No momento de colocar a importância (peso) da matéria, eu pensava como tinha ido na prova anterior e oque supostamente sabia mais.
Depois se seguir o cronograma, por exemplo de processo civil achei que estava bem, a prova cobrou muito além disso e fui muito mal.
Qual o critério que devo usar? Há como eu fazer um pré-levantamento para saber como estou de forma mais objetiva na matéria a fim de dar o peso correto (similar a um teste inicial de um maratonista)? O Sistema Tuctor possui esse recurso?
Boa tarde,
Concordo absolutamente com o Prof. Rogério Neiva, já tinha percebido com clareza que entre as 14:00/15:00 hs meu rendimento diminuia muito e que depois das 16:00 hs até a noite tinha o meu melhor desempenho.
Também tenho bom redimento pela manhã, mas não a noite, pois tenho miopia alta e minha visão é limitada.
Assim, a análise é oportuna, pois as vezes o candidato fica se lastimando por não conseguir estudar muito em determinado horário e a questão é biológica, não sendo apenas falta de esforço ou disposição.
Parabéns,
Samuel Martins.
Recomendo a leitura
Também concordo com isso! Mas tem uma coisa que sempre me intriga quanto ao melhor período para estudar.
Se meu organismo funciona muito melhor à noite, por exemplo, devo focar meus estudos nesse período. Mas como fazer no dia da prova, sendo ela de manhã ou à tarde? Se não me forço a funcionar a mente nesses horários, no dia da prova provavelmente não vou conseguir concentrar, raciocinar o suficiente como o faria à noite, pois não estou acostumada. Não procede isso?
Como Cibelly, tb fiquei aliviada!
A partir de agora, vou parar de relutar com a sonolência e falta de concentração q sinto durante o dia e aproveitar mais meus picos de energia das 18h em diante.
Ter consciência de quais são as nossas limitações, nessa árdua jornada de estudos para concurso, é de prata. Saber contorná-las é de ouro!
Esse texto, de certa forma, me mostrou o caminho das pedras.
Obrigada, professor!
Eu trabalho numa mesa de canto, dentro de uma oficina de chaves (Chaveiro). Sou interrompido a todo instante por telefonemas, estalos de marteladas, assovios inoportunos, o burburinho da rua e clientes. Mesmo nessas condições eu fiz meu trabalho monográfico sobre controle de constitucionalidade ali naquele canto sujo, bem como estudei para a OAB (cuja segunda fase também foi Constitucional) com êxito. Essa é a minha realidade. Não posso me dar ao luxo de estudar conforme minhas disposições biológicas. A realidade jurídica, seja atuando como advogado (em que, muitas vezes, o “lobby” ou o seu sobrenome conta mais do que o conhecimento), seja na vida concursal, são desiguais. É como uma corrida de cavalos: quem tem mais dinheiro compra o animal melhor; paga o melhor veterinário; oferece o melhor e mais balaceado alimento, enquanto os “pangarés” têm de se contentar (e agradecer) com um capim ralo num espaço de pouca água. Apesar do brilhantismo do texto, ele não me é de grande serventia. Eu simplesmente prefiro negar minha condição biológica. A não ser que o Estado sustente as minhas compras de livros cujo material é efêmero, ofereça meu alimento e pague o horror mensal cobrado por cursinhos jurídicos de qualidade.
Salutos!
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