A ideia das horas líquidas de estudo tem se disseminado cada vez mais e ganho credibilidade entre os candidatos a concursos públicos. E não há como negar a importância deste conceito, o qual envolve aspectos no plano da gestão e execução dos estudos, também exigindo a compreensão de aspectos relacionados aos processos cognitivos da preparação para o concurso público.
Dentre as pessoas que tem se dedicado à elaboração de construções voltadas à preparação para concursos e que valorizam e atribuem importância às horas líquidas, destacam-se Alexandre Meireles, autor do livro “Como estudar para concursos” (Ed. Método) e Charles Dias, autor do livro “Guia da preparação do concurseiro solitário” (Ed. Campus) e editor do Blog do Concurseiro Solitário, o qual tem como um de seus editores Fontenele Leal, também dedicado ao tema.
Conceitualmente, as horas líquidas correspondem ao tempo, contabilizado em horas, efetivamente dedicado aos estudos. Assim, teria como contraponto as horas brutas, as quais também contariam com a contabilização do tempo não efetivamente utilizado com o estudo.
É bem verdade que caberia uma profunda reflexão e discussão, principalmente a partir de construções e conceitos das ciências cognitivas, sobre o que seria tempo efetivamente dedicado aos estudos, para efeito de horas líquidas. Se refletíssemos sobre isto a partir das neurociências, e realizássemos exames de imagens das áreas do cérebro ativadas durante os estudos, aí sim teríamos uma precisão científica sobre as horas líquidas. Obviamente que nos dias atuais é impossível o candidato estudar fazendo exames de imagem como o pet-scam (tomografia por emissão de pósitrons ).
Existem situações em que não há dúvida de que não poderíamos contabilizar como horas líquidas, como o tempo que levamos para nos acomodar no local de estudo, o tempo que levamos com interrupções para descanso ou mesmo para nos alimentar, ir ao banheiro ou atender uma ligação telefônica urgente. Por outro lado, também há situações em que temos a certeza de poder contabilizar como horas líquidas, tais como aquelas em que estamos efetivamente mobilizando nossas funções cognitivas primárias e secundárias, estando concentrados e construindo memórias, seja de longo ou de curto prazo, e efetivamente nos apropriando intelectualmente do conhecimento com o qual estamos tendo contato (sobre a memória e concentração, sugiro a leitura do livro Como se Preparar para Concurso Público com Alto Rendimento).
Portanto, teoricamente, entendo que as horas líquidas são aquelas nas quais estamos realizando efetivamente atividades cognitivas relacionadas aos estudos. Porém, considero que é possível contar com alguma flexibilidade neste sentido, pois ao longo dos estudos podemos ter pequenos momentos de dispersão, os quais não precisam ser necessariamente excluídos da contabilização.
Superados os referidos esclarecimentos, e partindo para o plano gerencial, as horas líquidas contam com um papel de grande importância, o qual também repercutirá no campo da aprendizagem.
Com a contabilização das horas líquidas ganhamos em precisão no gerenciamento do nosso plano de estudos. Assim, passamos a ter a clareza de forma geral sobre a evolução do nosso planejamento, bem como de forma específica, por meio da comparação quanto ao tempo demandado por cada matéria.
Ou seja, não ficamos perdidos!
Para quem adota um modelo de planejamento mais consistente como a metodologia do Sistema Tuctor, pautado na lógica da fragmentação a partir das Unidades de Estudo, esta precisão gerencial será ainda maior. No caso, o candidato terá a clareza até mesmo da diferença precisa do tempo que demanda, por exemplo, para uma página de um livro de uma matéria comparado com o de outra.
Ainda neste caso, com as horas líquidas, o candidato passa a ter uma estimativa quase que com natureza de certeza sobre quando terminará o seu plano de estudos. E para planejar revisões ou estabelecer metas de conclusão dos estudos até a data da prova isto é fundamental.
A grande verdade é que o conceito de horas líquidas reflete o fato de que, cada vez mais, a aprovação no concurso público não é para aventureiros ou para quem não esteja disposto a pagar o preço da preparação séria, comprometida e consistente. Aprovação no concurso público exige planejamento, monitoramento e controle da sua execução.
Não por acaso existe a ideia da preparação de alto rendimento, inspirada no esporte de alto rendimento, o qual tem por base a centralidade do planejamento, bem como monitoramento e controle da sua execução.
Portanto, se você quer ter precisão gerencial da execução do seu planejamento de estudos, é importante que reflita sobre a adoção do conceito de horas líquidas. E para isto, também é importante pensar em meios que viabilizem a contabilização destas horas.
Bom estudo e que os seus dias, horas, minutos e segundos líquidos sejam proveitosos!











6 comentários até agora. Deixe o seu.
Estou voltando aos estudos…depois de mais de 4 anos parada…
e seus textos, dicas e conselhos são realmente de uma qualidade absurda.
Muito obrigada!
Professor, faço esse controle líquido por um sistema que desenvolvi baseado em Visual Basic (semelhante ao tuctometro).
Minha pergunta é a seguinte: sei que cada um possui um tempo próprio de estudo, mas há alguma quantidade de horas ideias? Minhas horas variam de 5 a 8 horas reais? Isso estaria certo?
Professor,
Parabéns pelo texto! Eu já vinha adotando essa técnica de horas líquidas, muito embora tenha ouvido de muitos colegas que eu estava exagerando, “surtando”, pq estava obcessivo. No entanto, não vejo como passar em concurso sem ser assim. Não sou gênio e tenho um aprendizado normal. As horas líquidas tem me ajudado a monitorar o meu estudo, de forma a identificar quando estou “me enganando” ou não.
De toda forma, com as horas líquidas (e o sistema tuctor) consigo prever de forma quase precisa o tempo que levarei para ler determinado material.
Uma pergunta: Quando vai sair o aplicativo para iphone (tuctometro)?
Excelente artigo e dicas!
Obrigado e parabéns pelo espaço!!!
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