Após a prova e a divulgação dos resultados, caso este não seja de acordo com o esperado, isto é, caso o candidato não figure na lista de aprovados ou figure fora da posição esperada, um tema importante para reflexão e merecedor de atenção consiste na gestão das frustrações. Naturalmente que a importância deste tema se estabelece na perspectiva de superação das frustrações.
O objetivo do presente texto é trabalhar alguns conceitos e informações que colaborem com a reflexão e ajude na mencionada superação.
Para tanto, primeiramente, é preciso partir da compreensão dos fatores de frustração. Concretamente, podemos considerar os seguintes estímulos ou fatores que determinam frustrações, sem prejuízo de outros: (1) reprovações ou aprovação em posição sem condições de nomeação; (2) percepções comparativas, considerando candidatos próximos (amigos, colegas ou familiares) que são aprovados; (3) cobranças de terceiros; (4) cansaço das privações inerentes ao processo de preparação, como diversão e descanso adequado; (4) cansaço intelectual.
Portanto, há um conjunto de fatores que podem atuar, de forma concomitante ou não, para gerar estados emocionais negativos, desagradáveis e desconfortáveis, os quais traduzimos na palavra frustração.
Outro aspecto relevante é que o referido estado emocional pode contar com variações.
Ou seja, existem momentos em que a intensidade se torna bem maior e alcançando um nível máximo de radicalismo. Situações típicas consistem no momento do contato com o resultado da reprovação. E detalhe importante é que tal intensidade aumenta conforme as expectativas que foram criadas, a partir da compreensão de que havia condições de passar, principalmente pelo esforço empreendido nos estudos, ou de que se fez uma boa prova.
Por outro lado, também é possível que o candidato vá tendo alimentada uma frustração em intensidade menor, porém de forma contínua e permanente, a cada dia cirando consciência de que algo incomoda, no âmbito da sua rotina de preparação para o concurso público, bem como, sem perceber, valorizando estes incômodos. No caso, a frustração ganha o status de crônica.
Muito bem, tratamos das causas que levam ao fenômeno da frustração. E a conseqüência? Qual é?
Além das reações no plano das emoções, em termos de comportamentos e atitudes, a conseqüência natural, se não gerenciada a frustração, é a desistência.
Mas antes de avançar neste raciocínio, tenho duas observações importantes. Em primeiro lugar, registro que vivi empiricamente e intensamente o processo de construção das frustrações ao longo da preparação para concursos. É bem verdade que a frustração intensa e temporária, decorrente dos resultados negativos nas provas, me atingia mais do que a crônica.
Em segundo lugar, vi e vejo muita gente desistir da busca da aprovação, por uma ou por outra modalidade de frustração. Acredito que se as frustrações destes candidatos tivessem sido gerenciadas, talvez o resultado seria outro.
Faço tais afirmações não apenas a partir da compreensão empírica, olhando para trás o processo vivenciado, mas a partir da mobilização de vários conceitos relacionados às emoções e ao comportamento humano, apropriados no estudo das ciências voltadas à presente finalidade.
Portanto, até aqui temos claro o fenômeno, as causas que podem o determinar e as conseqüências que podem ocorrer. Mas a questão que se coloca é: como gerenciar as frustrações, para evitar tais conseqüências?
Bem, o primeiro passo, como em relação a vários outros temas, consiste na tomada de consciência. Acredito, sem a pretensão do monopólio da verdade absoluta, que a tomada de consciência é mais importante do que buscar messias e mantras motivacionais, construídos na base do achismo-autoajuda, pelos especialistas sem especialização.
Naturalmente que um recurso não exclui o outro. Mas o primeiro passo consiste na tomada de consciência. Ou seja, responder para si mesmo as seguintes perguntas: (1) o que estou sentindo e vivenciando em termos emocionais? (2) como se manifesta em mim isto que classifico e identifico como desconfortável e desagradável, ao que atribuo o nome de frustração? (3) quais fatores estão determinando isto?
No fundo, com estas perguntas, estamos usando alguns conceitos da psicologia do comportamento, no sentido de identificar o estímulo negativo e a reação negativa correspondente.
Compreendido o fenômeno, um primeiro caminho seria, a partir da tomada de consciência, trabalhar os estímulos e reações, no sentido da neutralização. Ou seja, se perguntar: o que estou sentindo e por que estou sentindo? Preciso sentir isto? Este é um primeiro passou para neutralização da emoção negativa causada pela frustração.
Além disto, avançando na tomada de consciência, há outras iniciativas. Por um lado, é importante compreender o processo da preparação à aprovação no concurso público. Trata-se de um processo de longo prazo e que se sujeita a uma série de etapas. Neste sentido, sugiro a leitura do texto sobre o fenômeno que chamo de Maturação Cognitiva. (clique aqui para ler Preparação para Concursos e Maturação Cognitiva)
Mas o fato é que o concurso consiste num mecanismo totalmente democrático, acessível a todo ser humano dotado de um cérebro com estruturas neurocognitvas capazes de se apropriar e mobilizar informações e conhecimentos. Isto é o que você precisa compreender, para se convencer de que, racionalmente, não há nada que impeça de passar no concurso.
Outra atitude importante, conforme venho sustentando reiteradamente, consiste em procurar trabalhar com a lógica do Foco no Processo, evitando angustiante lógica do foco no resultado. Isto pressupõe um planejamento de estudos, com metas de curto prazo, para que se empenhe na execução do plano estabelecido e destas metas de curto prazo. (clique aqui para ler o texto Preparação para Concursos e Foco no Processo)
Ainda que se possa construir e buscar outras estratégias, o fundamental consiste, por um lado, no cuidado com a gestão das frustrações e, por outro, na tomada de consciência e compreensão do presente fenômeno. Com isto, podem ser viabilizadas as condições para que não se ingresse na lista dos desistentes e entre na lista dos aprovados.










4 comentários até agora. Deixe o seu.
Olá professor Rogério, descobri seu blog por acaso, acabou que todo dia tenho que vir aqui para dar uma espiada… um espaço extremamente desbravado por experiências valiosas e motivadoras! Parabéns por todo esse empenho!
Esse blog é referência em preparação pra concursos!
Parabéns, prof. Tomara que um dia eu chegue lá!
Prezado Prof. Rogério Neiva,
O seu texto condiz com a nossa realidade de concursandos.
Concordo com sua posição, se o candidato não fizer uma auto-avaliação emocional do seu estado após uma derrota, há a possibilidade de sua condição psicológica se agravar ao ponto da desistência.
Eu, pessoalmente, avalio o processo de preparação por meio de terapia cognitiva comportamental com psicóloga. É fundamental esse suporte para nós concursandos nesta etapa.
Acredito que nossa preparação para concurso é semelhante (ou igual) a um atleta para olimpíadas. Veja a nossa atleta brasileira Maureen Maghi, levou 5 anos de preparo para conseguir sua primeira medalha de ouro.
Hoje precisamos tomar consciência de que nosso preparo não está condicionado apenas à apreensão de conteúdo de conhecimentos, há todo um processo envolvido (apreensão cognitiva, maturação, revisão, equilíbrio emocional etc).
Portanto, é um caminho de altos e baixos sim. Cabe a cada um fazer sua avaliação pessoal de forma honesta, sem auto-engano, sem sabotagem, enfim, de forma verdadeira. Por isso que a preparação para concursos não é para todos, mas para aqueles que compreendem e sabem lidar com os “espinhos” desse desafio. Também estou enfrentando essas dificuldades.
Professor Rogério Neiva,
parabéns pelo artigo. É a mais pura realidade.
Abcs