Como Lembrar Conceitos e Informações: A Liga Cognitiva

Por  •  21 ago 2012  •  Aprendizagem, Como se Preparar  •  26 Comentários
concursos públicos aprendizagem memória como lembrar como se preparar passar em concurso técnicas mnemônicas

Por que lembramos de algumas informações e conceitos e quanto a outros não nos lembramos, e nem mesmo de que houve algum contato em termos intelectuais? O que está por trás disto e como a sua compreensão pode nos ajudar nos estudos para concursos?

A busca de respostas a estas perguntas daria algumas teses de mestrado e dissertações de doutorado em neurocieências, psicopedagogia, psicologia cognitiva e outros campos do saber aplicados à aprendizagem. Obviamente que não é esta a pretensão do presente texto, mas apenas dar algumas dicas que possam ser úteis, com o uso de possíveis hipóteses e formulações.

Neste sentido, a dica é trabalhar com a ideia do que chamo de Liga Cognitiva. Mas o que é isto e como aplicar?

Primeiro vamos trabalhar com a aplicação, para depois desenvolver a lógica e a explicação.

Tente se lembrar agora de um conceito ou informação qualquer, seja de que matéria for. Por exemplo, os prazos prescricionais para as sanções previstas na Lei 8.112/1990, as competências legislativas privativas da União, previstas no art. 22 da Constituição Federal, a diferença entre taxa e preço público do Direito Tributário, ou algum outro conceito que lhe venha à mente.

Em seguida, pense na situação na qual você teve o primeiro contato com esta informação. Foi durante o estudo por meio de algum livro? Se foi, quando ocorreu e qual era o autor? Onde você estava? Em qual parte do livro este conceito foi trabalhado? Ou foi em alguma aula? Tendo sido na aula, de qual professor e em qual curso?

Quando você faz este exercício intelectual, está tentando mobilizar os mecanismos cognitivos relacionados às associações.

Assim, ao recordar o conceito, tente fazer este mesmo exercício de recordação do contexto no qual a informação foi originalmente apropriada. Ou mesmo de uma situação não original na qual você teve contato com o conceito.

Portanto, uma maneira de trabalhar esta liga associativa é utilizar a situação na qual se teve o contato intelectual com a informação.

Você também pode fazer isto com outras estratégias. Por exemplo, imaginando uma situação hipotética, ou associando uma situação real que possa ser relacionada ao conceito. Imagine que o candidato a Prefeito do seu município afirme na campanha eleitoral que, se eleito, irá propor um projeto de lei para proibir a revista de bolsas de mulheres. Daí você associa com a restrição do art. 22 da Constituição Federal, segundo a qual esta matéria faz parte da competência legislativa privativa da União, não cabendo aos municípios legislarem sobre o tema.

E o que está por trás disto? Existem vários fundamentos que podem ser invocados. Mas vou me limitar à explicação piagetiana sobre o processo de aprendizagem. Para Piaget, aprendemos por meio de um processo que se chamou de assimilação e acomodação. Na primeira etapa checamos o novo conhecimento com o que já temos. Na segunda etapa passamos a nos apropriar do novo, a partir da compreensão com base no conhecimento anterior (ver Como se Preparar para Concursos com Alto Rendimento. Método, pg. 62).

Isto significa que não aprendemos nada do nada, e sim sempre a partir de algo. Esta noção nos leva à lógica associativa da memória e da aprendizagem. Ou seja, para aprendermos, vinculamos uma informação a outra.

Dessa maneira, também podemos trabalhar a liga cognitiva e associativa a partir da situação na qual estudamos e tivemos contato com a informação.

Portanto, procure fazer o exercício e a reflexão proposta e avalie como pode lhe ajudar.

E então, o que você acha de trabalhar a ideia da liga associativa?tem alguma estratégia semelhante? Já havia pensado nisto? Tem alguma sugestão? Deixe suas considerações em forma de comentário!

26 comentários até agora. Deixe o seu.

  1. Felipe disse:21 ago 2012 às 1:36 pm · Responder

    Sem duvidas, a referida tecnica ajuda na evocacao das informacoes necessarias no momento da prova. Impressionante como funciona, uma vez que estimulamos o circuito cerebral que contem aquele dado!
    Estou ficando escolado nas teorias do Professor Rogerio, que por sua modestia nao admite que sejam a verdade absoluta, mas na minha humilde opiniao, e pelo menos no momento, sao insuperaveis!
    Como disse Michael Jordan sobre fundamentos na preparacao em qualquer area: “Tudo se resume a um lema muito simples: existe um jeito certo e um jeito errado de fazer as coisas. ”
    A cada dia nos sao dadas novas tecnicas de estudo. E nitido o aprimoramento da sua Teoria Geral! Parabens, Professor, voce e realmente um fora de serie!

    • Rogerio Neiva disse:21 ago 2012 às 6:54 pm · Responder

      Caro Felipe, muito obrigado pelo incentivador feedback! São manifestações como a sua, poucas, mas sinceras e oriunda de quem não faz da preparação para o concurso uma aventura ou circo, que me dão forças para manter o trabalho de pesquisa, estudo, reflexão e produção intelectual, voltado a colaborar com os candidatos que se empenham em busca da aprovação.
      Abcs!

      • Antonio Carlos disse:21 ago 2012 às 7:03 pm · Responder

        Prof Neiva, me desculpe, mas vou torcer para que o Sr tenha pouco seguidores e adeptos e a turma da autoajuda-engana-otário tenha muitos seguidores. É que se o Sr tiver muitos adeptos, vai ficar mais difícil passar no concurso.
        Torço muito pelo reconhecimento do seu trabalho, que admiro incondicionalmente.
        Mas espero que entenda a minha preocupação com a concorrência.
        Portanto, viva os autores e “professores” da auto ajuda que o Sr tanto critica, chamando de “especialistas sem especiliazação”! Que eles tenham muitos trouxas como seguidores (hehehehe)!!!
        AC

  2. Paula Lima disse:21 ago 2012 às 6:56 pm · Responder

    Feliz de quem conhece o trabalho do Prof Neiva!
    Eu antes de conhecer acho que vivia na Cavrena do Platão. E depois conheci a luz, o verdadeiro caminho para se preparar para concurso de verdade.
    Trite da turminha que adora um destes caras da auto ajuda, que fica de conversinha motivacional e não ajuda ninguém a chegar a lugar nenhum.
    Valeu por mais este texto Prof!
    Bjs!
    Paula

  3. Ricardo Pereira disse:21 ago 2012 às 6:59 pm · Responder

    Quando leio os textos aqui neste blog do Prof Rogerio Neiva, não tenho qualquer receio de seguir o que é dito, pois sei que o trabalho dele tem base científica. Ele estuda o que diz e tem titulação acadêmica sobre o tema.
    Estou fora dos achistas que acham que sabe como se preparar para concursos, que ou nunca passaram em concurso ou nunca estudaram o tema com a propriedade científica que o Neiva estuda.
    Quanto a esta proposta da liga cognitiva, concordo plenamente e já estou usando. Já havia usado uma outra vez sem ter consciência e ignorava o potencial que pode nos ajudar.
    Por isto, agradeço por mais esta.
    Abraços a todos!

  4. Ana Emília disse:22 ago 2012 às 9:41 am · Responder

    Professor Rogerio, hoje não mais estudo para concursos, mas conheci seu blog a pouco e estou encantada com as suas lições e o quanto elas são verdadeiras!
    Leio os posts e lembro com saudosismo dos meus estudos. Boa parte dos seus ensinamentos refletem muitas atitudes que os candidatos tomaram, intuitivamente, para alcançar a aprovação. Falo por mim, claro. Mas, nada mais engrandecedor do que conhecer a teoria! Obrigada.

  5. Thiago Costa Lima disse:24 ago 2012 às 12:28 pm · Responder

    Dr. Rogério Neiva achei a sua conceituação de uma importância fundamental para a nossa preparação. Pois, ao verificar que associando o novo àquilo que já sabia isso ira me trazer um ganho considerável de conhecimento.

    Eu já tive idéias semelhantes, por exemplo tinha muita dificuldade para decorar o art. 3º do CC então o que fiz! Eu tenho um primo que é menor de 16 anos, que foi visitar meu avò no hospital, pois estava enfermo e com deficiência mental. Logo, estava transitoriamente sem poder exprimir sua vontade. Essa história é quase veridica o que teve um adicional emocional, visto que meu avó estava realmente doente. Pra mim agora esse artigo está decorado.

    Ah! Como sempre falo é sempre bom contar com gente que prefere o ardor do saber que trás resultado sem aquele pragmatismo dos especialista sem especialidade. Valeu Dr. sou seu fã. Quando passar no concurso que almejo faço questão de te convidar pra um churrasco e é claro dar aquele abraço de gratidão.

    • Elf098 disse:17 set 2012 às 10:54 am · Responder

      Professor Rogério parabéns pelo texto e pelo exemplo dado. Adorei, também, os comentários da Thiago que trouxe outro exemplo para fortalecei a ideia da professor Rogério. Obrigado pelas explicações e forte abraço.

  6. Scadufax disse:30 ago 2012 às 10:03 am · Responder

    Bom texto. Apenas para complementar, revisito alguns excertos das célebre lições de Paulo Freire:

    “A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre texto e contexto.” (A importância do Ato de Ler. 1999. pág. 11)

    “O processo de aprendizagem na alfabetização de adultos está envolvido na prática de ler, de interpretar o que lêem, de escrever, de contar, de aumentar os conhecimentos que já têm e de conhecer o que ainda não conhecem, para melhor interpretar o que acontece na nossa realidade.” (FREIRE, 2005, pág. 48)

    “Estudar exige disciplina. Estudar não é fácil porque estudar é criar e recriar é não repetir o que os outros dizem. Estudar é um dever revolucionário!” (FREIRE, 1999, pág. 59)

  7. Leandro Oliveira disse:7 set 2012 às 7:21 am · Responder

    Rogério,
    sobre seu artigo e pensando sobre a aplicação nos meus estudos, conclui que a ligação cognitiva que costumo fazer é pensar em um exemplo ou aplicação na vida cotidiana. Infelizmente, nem sempre consigo visualizar dessa forma e isso me atrapalha. Percebi que é fácil quando a matéria se relaciona a experiências vividas ou com atividades do meu trabalho e difícil quando é uma matéria que não tive qualquer experiência prática. Será o que posso fazer para sanar esta deficiência? Você tem alguma dica para essas situações mais abstratas?
    Obrigado e parabéns pelo seu trabalho.

  8. Jose disse:7 set 2012 às 8:51 am · Responder

    O comentario do Antonio Carlos foi 10.

    Agora eu entendi porque todas as vezes que nós estamos explicando algo para alguem e o tal não entende e então nós dizemos as palavrinhas . Por exemplo…. ai ela entende.

  9. Jose disse:7 set 2012 às 9:02 am · Responder

    Nao devemos desprezar os livros de autoajuda pois servem para aquelas pessoas que como eu não tinha motivaçao, não acreditava, me achava incapaz, pensava que só os outros consequiam menos eu então ai entra os livros de autoajuda. So´que quando nos deparamos com os estudos nos da a sensação de que o autoajuda não serviram para nada. É nessa hora e que entra os conceitos do prof, Rogerio. Temos motivaçao para aprender (Livro de autoajuda ) como aprender (Prof. Rogerio Neiva. Esse foi o melhor post que eu ja li.

  10. Livia disse:16 set 2012 às 5:24 pm · Responder

    Querido Professor Rogério,
    sou grande admiradora do trabalho do senhor, por isso estou sempre por aqui, ou no twitter acompanhando o senhor.
    Fato é que, às vezes me sinto um pouco exceção, ainda que eu pratique a liga cognitiva, na hora da prova me vem a cor da informação colocada no caderno, o dia em que o professor fez a explanação sobre o tema, e inclusive exercícios que resolvi sobre o assunto, porém, ambos com um ponto em comum, a resposta é um ponto opaco, neblinoso, me lembro de todos os fatores externos do momento da assimilação do conteúdo, menos do conteúdo, e o senhor faz ideia do desespero que isso gera na hora da prova.
    Se o sr. puder ajudar, um abraço carinhoso,

    • Rogerio Neiva disse:17 set 2012 às 1:16 pm · Responder

      Cara Livia,
      Vou lhe responder como ex-candidato a concursos/eterno estudante, bem como psicopedagogo e estudioso das ciências que se debruçam sobre a aprendizagem humana.
      Como ex-candidato, posso lhe assegurar que este fenômeno se trata de algo natural. E acontece conosco nas provas.
      Exatamente por isto escrevi o texto.
      Do ponto de vista do processo cognitivo, a minha hipótese e idéia seria de que falta refazer a conexão completa. Isto partindo da premissa de que memória sao padrões de interações entre neuronios. Por isto, o ideal seria você tentar nao apenas pensar nas informações relacionadas ao contexto de apropriação da informação, como também em informações correlatas e semelhantes. Inclusive isto, que se relaciona ao processo de evocação, foi objeto de outro texto aqui no Blog.
      E detalhe: tente nao se estressar e se cobrar no momento!
      Espero ter ajudado…

  11. Norranna Alves disse:1 out 2012 às 9:32 pm · Responder

    Meu caso é o mesmo da Lívia, por diversas vezes eu me lembro com detalhes de cores de marca-texto que utilizei e até mesmo do local da página onde eu li ou escrevi a informação de que preciso no momento, mas ela simplesmente não vem completa. Isso me dá uma angústia!

  12. Thiago disse:1 nov 2012 às 10:26 am · Responder

    Tese de doutorado e dissertação de mestrado…

    • Rogerio Neiva disse:1 nov 2012 às 12:13 pm · Responder

      Caro Thiago, o assunto é tão abrangente e complexo, que falar em mestrado e doutorado é pouco.
      Lendo o livro do neurocientista e neurologista Eric Kandel (“Em busca da Memória”, Ed Companhia das Letras), ganhador de Prêmio Nobel de Medicina, exatamente em função de suas pesquisas e descobertas sobre o que determina a formação de memórias, vi o relato de toda uma vida acadêmica e pessoal dedicada a este tema.
      E infelizmente temos no universo do concurso inúmeros “especialistas” tratando do tema, como se fossem mestres e doutores no assunto…

  13. gabrielle disse:1 nov 2012 às 11:20 am · Responder

    prof. sempre venho aqui mas nunca comentei, continue suas pesquisas tenho certeza que elas fazem a diferenca para muitos candidatos. obrigado!

    • Rogerio Neiva disse:1 nov 2012 às 12:07 pm · Responder

      Obrigado Gabrielle pelo incentivo! Abcs!

  14. Jamara disse:1 nov 2012 às 11:34 am · Responder

    Prof. Neiva,
    obrigada pelas dicas de memória associativa dos conteúdos, eu tenho boa memória, mas não associo essas informações ainda para concurso, como o senhor sugeriu, vou passar a utilizar dessa informação.beijos Jamara

    • Rogerio Neiva disse:1 nov 2012 às 12:07 pm · Responder

      Boa Jamara!
      Depois me passe seu feedback.
      Abcs!

  15. Tudo sobre concursos e vestibulares disse:9 nov 2012 às 1:59 pm · Responder

    Parabéns Professor Rogério Neiva pelo artigo e pelo blog gostaria de colocar um link no meu site para que outras pessoas possam acessá-lo.

Menções deste artigo em outros sites:

  1. De Onde Vem a Capacidade de Lembrar na Prova do Concurso Público?
  2. Blog Exame de Ordem » De onde vem a capacidade de lembrar na prova?
  3. De onde vem a capacidade de lembrar na prova? « GEN Jurídico
  4. Como Estudar Memorizar e Aprendizagem para Concursos Públicos

Deixe um Cometário