Como Vencer o Medo ou Desconforto com as Provas?

Por  •  28 ago 2012  •  Como se Preparar, Gestão Emocional  •  16 Comentários
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Você tem sentimentos como medo e desconforto ao fazer provas? E antes das provas, estes sentimentos também existem? Se a resposta for sim, saiba que se trata de algo absolutamente natural. Mas é preciso construir estratégias para mudar esta percepção e forma de encarar as provas de concursos públicos.

Muitas pessoas nutrem vários tipos de sentimentos pouco agradáveis em relação à realização de provas, ou mesmo à possibilidade de realização. E isto não existe apenas no universo da preparação para concursos públicos. Nos vários níveis do ensino, do fundamental à graduação, e mesmo na pós graduação, a realização de provas é algo que causa desconforto ou sentimentos congêneres. Até mesmo em cursos rápidos ou de extensão, a exigência de submissão a testes, provas e exames não é algo bem vindo.

Imagine se tivéssemos diante da convocação para uma prova a mesma reação que temos ao receber um convite para ir a uma festa. Ou existe alguém que reage da mesma forma? Duvido e se houver gostaria muito de conhecer!

Mas a grande questão é: por que diante da possibilidade ou convocação para submissão a uma prova, não reagimos com os mesmos sentimentos positivos e agradáveis que reagimos ao convite para uma festa? Ou, observando por outro ângulo, por que reagimos de forma tão negativa à possibilidade ou à realização da prova?

Primeiramente, não podemos negar que fazer prova significa, por um lado, submeter-se a um processo de realização de intenso esforço intelectual. A exigência da mobilização de conceitos intectualmente apropriados e solução de problemas, em quantidade significativa e por tempo expressivo, implica em fazer esforço. E, por uma série e motivos, tendemos a evitar o esforço.

Além disto, fazer prova significa ser testado e ter validada ou não nossa capacidade, sendo que há a possibilidade de um resultado frustrante. E ser humano nenhum gosta de frustração.

Porém, há dois aspectos que precisam ser considerados.

O primeiro é que nem todo processo de mobilização de esforços significa algo ruim. Pensando nos atletas que são convocados para competições, ou, de forma mais concreta e atual, pensando num lutador de MMA que tem sua luta agendada e divulgada, aposto que a reação desencadeada é de satisfação. Ainda que com ansiedade e uma dose de preocupação. E detalhe que no caso dos lutadores de MMA não apenas terão que empreender esforços, como também serão agredidos e sentirão dor física. Mas provavelmente sofrem antes das lutas muito menos do que inúmeros candidatos a concursos públicos antes das provas.

O segundo aspecto relevante é que, ainda que não seja viável reagirmos diante da possibilidade de fazer uma prova ou convocação à realização da mesma forma que reagimos diante de um convite para uma festa, é possível minimizar a percepção e sentimentos negativos que temos. Pode ser que tal reação seja desproporcional ao quão desagradável é empreender o esforço a ser empreendido.

Ou seja, pode ser que, em termos psicológicos, a reação negativa seja maior do que deveria ser, envolvendo um superdimensionamento.

Portanto, precisamos e podemos trabalhar a nossa percepção diante da realização de provas.

E como fazer isto?

Primeiro, como sempre tenho sustentado, é preciso tomar consciência do fenômeno. Ou seja, perceba e assuma a sua resistência e sentimentos negativos que nutre com a realização de provas. Não jogue a poeira para embaixo do tapete. Não vá na conversa dos especialistas sem especialização que ficam vendendo a ideia de mentalizações e construções de imagem, ignorando ou fazendo de conta que o problema não existe.

Reconheça o fenômeno e o enfrente! Não o ignore ou faça de conta que ele não existe.

Além disto, é preciso entender o que significa fazer uma prova. Ou seja, da mesma forma que você vai se esforçar fisicamente quando participa de uma corrida ou de uma partida num torneio de futebol ou outra modalidade esportiva, na prova também irá se submeter a um processo de realização de esforços. Porém, de natureza intelectual.

Por outro lado, diante do receio ou do risco quanto ao resultado, o qual pode ser frustrante, tenha a compreensão de que não há apenas um concurso na sua vida. Existem vários concursos, de várias carreiras, cargos e segmentos estatais, nas várias unidades da federação.

E daí vem a ideia que também sustento reiteradamente: Foco no Processo!

Portanto, vamos mudar a forma de perceber e encarar as provas! Tome consciência do fenômeno e o reverta.

Você tem estratégias para reverter as percepções negativas sobre as provas? Dê sua dica em forma de comentário.

16 comentários até agora. Deixe o seu.

  1. Renata disse:28 ago 2012 às 9:03 am · Responder

    Prof. devo confessar: sou altamente dependente dos seus artigos!
    Mais uma vez, meu muito obrigada!

    • Rogerio Neiva disse:28 ago 2012 às 7:25 pm · Responder

      Olá Renata! Muito bom saber da sua percepção. Este seu feedback é um grande incetivo para que eu continue nesta empreitada de pesquisa, estudo, reflexão e produção intelectual sobre o tema, o que não é nada fácil.
      E parabéns por investir no fomento das suas condições para conquistar a almejada aprovação.
      Abcs!

  2. Júnior disse:28 ago 2012 às 8:29 pm · Responder

    Grande Rogério, o seu conhecimento sobre preparação para concursos públicos é muito valioso, sempre acompanho as publicações no site, parabéns e muito obrigado!

  3. Lorena disse:28 ago 2012 às 8:34 pm · Responder

    Rogério, adoro os seus artigos. Sei que você não é um “especialista sem especialização”, ao contrário. Muito obrigada pelas dicas preciosas que você disponibiliza. Nos momentos de desânimo, procuro pensar que, em um país de educação tão precária, sou privilegiada por ter a oportunidade de utilizar todo o meu tempo estudando. E, sem dúvida, outro privilégio é ser concurseira em uma época em que temos acesso rápido e fácil à fontes preciosas. Uma delas, na minha opinião, é o seu blog. Parabéns… Forte abraço.

  4. Douglas Daniel disse:29 ago 2012 às 8:00 pm · Responder

    Professor Rogério, boa noite.

    Primeiramente lhe parabenizo por toda os ensinamento dividido conosco.

    Você trata o assunto de modo muito técnico e científico, de um modo que não havia visto igual. E confesso, que muito me surpreendeu. Positivamente, é claro.

    Li em alguns posts, que o senhor mesmo não rotula como dicas de auto-ajuda, e claramente percebemos que não é mesmo.

    Sou um novo leitor do seu blog, mas como disse, me encantei de tal forma que já até encomendei seu livro “Como se preparara para concursos públicos com alto rendimento”.

    E diante disso, gostaria de saber como posso estar usufruindo da ferramenta do tuctor, versão 3.0.

    Seria de extrema valia para mim.

    Acabei de passar no exame da Oab, e creio que vou me preparar para concursos na carreira policial, e por isso, além do livro, e pelo que li sobre o tuctor, com certeza iria me aprimorar muito.

    Bom, é isso.

    Um grande abraço de mais um novo apreciador dos seus ensinamentos.

    E mais uma vez, PARABÉNS.

  5. Larissa disse:30 ago 2012 às 9:32 am · Responder

    Essencial ler esse texto hoje, pois eu realizarei uma importante prova para mim no domingo próximo. Obrigada!

  6. Ana Carolina - DF disse:30 ago 2012 às 1:42 pm · Responder

    Muito bom, como sempre, Dr.!!!
    Confesso que não gosto de competir com ninguém ou para conseguir alguma coisa.
    Detesto ter que provar que sou melhor do que alguém, simplesmente porque tenho plena consciência de que não sou.
    Assim, minha forma de encarar o desafio de ser aprovada em concurso é entendo que meu maior desafio sou eu mesma.
    Para mim as provas são feitas para serem respondidas e, não, para reprovar. Apesar de que possuem sim estratégias para derrubar o máximo de pessoas possíveis (peguinhas, níveis de complexidade, preferência por doutrina ou por jurisprudência, dentre outras).
    De todo modo, as provas são acessíveis a qualquer candidato que se prepare para encará-las. Não acho difícil passar em concurso, acho é trabalhoso.
    Assim, como sou minha maior desafiante, preciso me disciplinar e assimilar os conhecimentos exigidos para responder as provas, bem como aprender a responder o esperado, saber dançar conforme a música, compreender a dinâmica da banca examinadora e tudo o mais.
    Não tenho medo de reprovar nem de me sair mal (ficar devendo pontos!) ou de nada parecido, porque as provas são apenas um meio de alcançar meus objetivos. E entendo que só não passa quem desiste.
    Então, para mim, leve o tempo que levar, a aprovação é uma certeza, por isso medo não faz parte do meu mundo.
    Entendo que o medo é um dos maiores bloqueadores que possuímos. Ele nos faz perder antes mesmo de lutarmos. Assim, troquei a palavra medo pela palavra precaução. Sou precavida, mas amedrontada não!
    Uso o medo apenas nos casos de risco de vida, para o resto, fico com a precaução, olho aberto, mente ligada!
    Obrigada!!!
    Até mais!

    • Jorge Oliveira disse:6 out 2012 às 10:58 am · Responder

      Professor Rogério e Ana Carolina, muito obrigado!!!

      Eu procurei o blog hoje para buscar justamente sobre este artigo (mesmo sem saber se ele já existia).

      A maneira como encaramos a situação de prova é que provoca estas sensações de desconforto. Eu sei disso!! Entendo que o problema (assim como a beleza) está nos olhos de quem vê. Porém, o foco no processo deve se sobrepor ao discernimento de que há outras provas pela frente, pois assim pode haver autossabotagem.

      Então vale muito a orientação de que a sensação de desconforto ou até mesmo o medo devem ser dimensionados, de forma que não devem ser maiores do que realmente são. Deve-se fazer uma pergunta a si próprio: eu assimilei o conteúdo que me será exigido?

      Se você acredita que sim, não quer dizer que você fechará a prova. Significa que você entende a sistemática da organizadora e que, invariavelmente, ela não mudará completamente sua abordagem a ponto de te deixar com a sensação de que é um ignorante.

      Se você acredita que não, reconheça sua limitação e encare-a com naturalidade. Isso de certa forma te ajuda a diminuir o temor provocado pelo dispendimento do esforço.

      Achei muito interessante a troca do substantivo “medo” pelo da “precaução”. Tem toda relação com a forma como se enfrenta uma situação. Eu, por exemplo, quando dirijo, não tenho medo, apenas me precavenho das situações, a ponto de ter desenvolvido uma sensibilidade que talvez não seja inteligível de se explicar em poucas linhas, mas é como se minha visão conseguisse enxergar mais do que normalmente enxerga. Consigo dominar uma situação de risco com precisão de centímetros de outros carros ou obstáculos. Procuro antever a situação a frente andando mais pela faixa da direita (já que o volante fica na esquerda). Procuro desacelerar com a lanterna de freio acesa (não do carro imediatamente a frente, mas de um ou dois adiante).

      Portanto, trazendo para a realidade dos concursos, é olhar para as questões tentando antever o que o examinador quis colocar como obstáculo. Outra coisa importante é que a prova é sua amiga (assim deve ser vista), pois é por meio dela que seus sonhos se realizarão. Contudo, apesar de ser sua amiga, você deve manuseá-la, riscar aquilo que considera importante (nos textos, nos comandos e nos itens). Deve sobretudo, !!!LER COM ATENÇÃO!!! e 2 VEZES cada item ou questão. Se realmente não entendeu, faça uma indicação e passe para as próximas e, ao terminar, volte revisando.

      Enfim, escrevi este post mais para mim mesmo, pois a ansiedade estava me impedindo de avançar nos estudos nesta reta final para a Câmara dos Deputados 2012. Espero que, em breve, seja convidado para postar meu sucesso por aqui!

      Última dica, procure fazer uma caminhada no dia que anteceder ao certame. Chegado o grande dia, todos estarão lá, cada qual com suas incertezas, leve-as o menos possível para lá.

      Att,

      Jorge Oliveira.

  7. Felipe Arruda disse:31 ago 2012 às 2:55 pm · Responder

    Eu, mais uma vez vou com um de meus mentores – Michael Jordan. Ele na sua curta, porem valiosa autobiografia diz:
    ” ..o medo vem da falta de foco ou de concentracao. Se no momento de um arremesso livre, diante da cesta, eu imaginasse os milhoes de pessoas que assistiam a minha jogada pela TV, jamais teria conseguido fazer alguma coisa.”
    Continuando: ” Assim, mentalmente, procurava me colocar num ambiente familiar. Pensava nas infinitas cestas que ja tinha feito com os mesmos movimentos e usando a mesma tecnica.”
    Finalmente: ” Portanto, esqueca o resultado. Voce sabe que esta fazendo a coisa certa. Relaxe e execute. A partir dai voce ja nao esta mais no controle. Esta fora das suas maos, entao nao se preocupe mais.”
    (JORDAN, Michael: Nunca deixe de tentar – Rio de Janeiro: Sextante, 2009, pag 35)

  8. Marcelo Williams disse:10 set 2012 às 9:54 pm · Responder

    Obrigado por transmitir seus conhecimentos! Abraços.

  9. RUTE DINIS disse:18 set 2012 às 10:36 am · Responder

    Professor,

    Mais uma vez, obrigada pelo artigo. Sou uma grande admiradora da seriedade e competência com que aborda o assunto sobre preparação para concursos. Esse artigo me interessou sobremaneira pois sofro muito com TPP (Tensão pré prova). O curioso é que no dia da prova, momentos antes e mesmo durante a prova tenho lucidez e clareza de raciocínio que me mantém calma, consigo realizar a prova tranquilamente e, não fico desesperada quando não sei algum assunto.
    Meu problema é os quinze dias anteriores a prova. A ansiedade me devora, não consigo mais estudar e me entupo de chocolate…rsrsr

    Gostaria realmente de enfrentar o problema. Tem alguma sugestão onde eu possa aprofundar o assunto? O seu livro aborda o tema?

    Grata pela ajuda.

    Rute Dinis

  10. Jamara disse:9 nov 2012 às 6:54 pm · Responder

    Prof Neiva, me deparo com essa angústia de véspera de prova, ainda mais que domingo agora dia 11/11, vou fazer prova para dataprev, de desenvolvimento de pessoas, mas agora estou mais confiante e preparada.
    Abraços Jamara

    • Rogerio Neiva disse:10 nov 2012 às 1:07 am · Responder

      Boa prova Jamara! Estou na sua torcida!!!

  11. Gislanda disse:19 nov 2012 às 10:21 am · Responder

    Professor,

    como já internalizei o “foco no processo”, hoje sei que a minha hora vai chegar. Enquanto não chega o concurso da minha vida, vou aramzenando o conhecimento porque sei que um dia irei precisar dele.
    Já sofri muito diante das reprovações, mas também percebi que evolui bastante de uma prova a outra.
    Obrigada pela sua dedicação aos concurseiros.
    Grande abraço, muito sucesso!! Percebi que o Sr. não gosta de rótulos, mas saiba que mais que um Guru, és fonte de inspiração, sempre!!!

    • Rogerio Neiva disse:19 nov 2012 às 3:12 pm · Responder

      Obrigado pelo feedback Gislândia!
      Conte comigo e estou na sua torcida para que se mantenha empenhada.
      Quanto aos rótulos, realmente não sou muito simpático a estas jogadas de marketing e autopropaganda. Principalmente pelo fato de que procuro não me colocar como dono da verdade, mas como alguém que estuda, reflete e produz intelectualmente no sentido de tentar contribuir. E de forma humilde, o que é totalmente incompatível principalmente com terminologias messiânicas.
      Mas agradeço a consideração.
      Abcs!

Menções deste artigo em outros sites:

  1. Motivação para Concursos Públicos e Gestão Emocional: Top Posts 2012

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