Ocultar ou Divulgar a Preparação para Concursos?

Por  •  22 nov 2011  •  Como se Preparar, Gestão Emocional  •  25 Comentários
concursos-públicos-divulgar-ou-esconder-que-está-estudando-como-passar-emocional-cobranças

Qual será a postura mais adequada por parte do candidato: executar a preparação para o concurso público de forma reservada e sigilosa ou não ocultar e divulgar o envolvimento no presente projeto? Alguns candidatos a concursos públicos não fazem qualquer questão de omitir que estão envolvidos nesta empreitada. Inclusive, na realidade, estes fazem até questão de divulgar nos círculos familiares e de amizade. Já outros fazem de tudo para que não se saiba que estão na trajetória de preparação. E tais atitudes podem ser adotadas de forma refletida e avaliada ou não.

O objetivo do presente texto consiste exatamente na abordagem deste assunto, o qual pode não ser considerado por muitos, mas grande importância e significativas repercussões.

Para começar a reflexão, vamos às possibilidades e variáveis envolvidas, em termos de vantagens e desvantagens.

Divulgar ou não ocultar o fato de estar se preparando para o concurso pode ter uma série de motivos, os quais podem ser considerados de forma consciente ou não. Tal atitude pode ser adotada de modo a prestar uma satisfação às pessoas à volta do candidato, no sentido de mostrar que está comprometido, envolvido e envidando esforços em busca de determinado objetivo. Para aqueles que estão exclusivamente se dedicando ao concurso, por vezes se trata de uma atitude necessária e natural, inclusive no sentido de prestar contas, diante da falta de ocupação de natureza tipicamente profissional.

Outro motivo considerado consiste na busca de estímulos externos e incentivos. Não se pode negar que manifestações de apoio, sendo sinceras, incentivadoras e positivas, são relevantes. Podem redundar inclusive num elemento motivacional.

Outra possibilidade, nem sempre assumida, seria um tipo de exercício de ostentação, como se fosse uma vantagem, por vezes associada à atitude de se colocar como se já tivesse passado. Traduzindo, existem candidatos que revelam a condição de candidato, como se já fossem titulares do cargo e promovendo tal manifestação em tom de ostentação, isto é, o candidato diz “estou fazendo concurso para o cargo de…”, mas querendo dizer “serei ocupante do cargo de…”. E para piorar, por vezes tal colocação vem com uma dose de arrogância, soberba e exercício de vaidade intelectual. Já vi muito isto.

Portanto, existem motivos mais ou menos louváveis que levam à atitude de não ocultar o envolvimento na preparação para o concurso público.

quanto à atitude de ocultar, o primeiro fator relevante consiste em evitar as cobranças externas. Pensando na lógica da psicologia do comportamento, baseada na noção de estímulo/resposta, não tenho dúvida de que o fato ou a possibilidade do fato de ser cobrado quanto a resultados se traduz em verdadeiro estímulo negativo.

Faça um exercício de imaginação e tente comparar uma situação na qual você entra no local de provas sabendo que há um exército de parentes e amigos irão lhe perguntar como foi ou consultar na internet o resultado do concurso. Já na outra situação, não há absolutamente ninguém que sabe que você esta fazendo prova. Inclusive, para incrementar ainda mais o cenário, imagine que você está fazendo prova numa cidade que não é a sua e não há ninguém que lhe conhece, sendo que seus amigos e parentes imaginam que você fez uma viagem a lazer.

Em qual das duas situações se sentirá melhor, inclusive para fazer a prova, bem como na conferencia do gabarito? Na primeira ou na segunda?

Conceitualmente, refletindo sobre o primeiro cenário, no qual várias pessoas próximas, em relação às quais se atribui relevância às opiniões, as quais estão a cobrar ou aguardar resultados, há um estímulo potencialmente negativo, correspondente à cobrança, que se traduz em pressão e expectativas.

Se o resultado da prova não for a aprovação, o fato desta quantidade expressiva de pessoas terem conhecimento tende a potencializar ainda mais a negatividade do estímulo. Talvez possa ser mensurado multiplicando pela quantidade de pessoas. E acrescente a esta equação, como uma variável de ponderação para aumentar o resultado, a importância que damos à opinião destas pessoas, o que inclusive tem relação com a lógica da imagem que procuramos manter e construir perante as mesmas.

Considerando tais premissas, ou seja, a possibilidade do resultado frustrante agregado à potencialização negativa, o tema relacionado a qual atitude tomar, em termos de divulgação ou ocultação da condição de candidato a concursos públicos, não pode ser tratado de forma neutra. Inclusive pela real possibilidade de que a divulgação gere um desnecessário fator de dificuldade e de geração de desconforto no momento da prova.

Além disto, existem estudos da área da psicologia que mostram que divulgar metas pode ser muito perigoso e prejudicial, por gerar uma sensação de reconhecimento de terceiros. E isto, inconscientemente, pode dar um recado ao nosso cérebro no sentido de que o que deveria ser feito já teria sido feito e, com isto, acabamos por minar nossa disposição (veja este breve vídeo sobre o tema).

Assim, revelar às pessoas que está estudando para o concurso gera um preço. A questão é qual o seu tamanho, o que pode variar, objetivamente, conforme as circunstâncias, bem como, subjetivamente, diante da estrutura psicológica e emocional do candidato.

E tudo isto precisa ser avaliado, considerado, mensurado e calculado.

Para o caso de considerar que a ocultação da execução da preparação para o concurso público impede o estabelecimento de parcerias com outros candidatos, sugiro a leitura do texto no qual o tema foi abordado de forma específica (clique aqui para ler Estudar Solitariamente ou Acompanhado?).

De qualquer forma, o fato de dividir com alguns candidatos o envolvimento na preparação para concursos não significa ter que divulgar e tornar público isto entre os amigos e familiares.

E tais avaliações também passam pela forma de encarar e compreender o processo de preparação para o concurso.

Tenho sustentado reiteradamente a importância de trabalhar a forma de encarar a preparação para o concurso, procurando dar leveza ao presente contexto. Muitos candidatos adotam postulas e atitudes que acabam por gerar um peso maior e uma carga emocional desnecessária ao contexto do concurso. As conversas e atitudes nas rodinhas que se formam nos finais de prova refletem o que quero dizer. Não faltam pessoas que estão muito mais interessas em saber no que erramos, exaltando tal situação, do que, efetivamente, buscar as respostas e entender a prova. Trata-se do famigerado “concurseiro espírito de porco” – com todo respeito aos porcos, pobres animaizinhos que não contam com um pingo de maldade.

Neste sentido, merecem destaque dois conceitos fundamentais, os quais envolvem idéia de trabalhar o prazer em aprender (clique aqui para ler Preparação para Concursos e Prazer em Aprender) e a lógica do foco no processo (clique aqui para ler Preparação para Concursos e Foco no Processo).

Mas concluindo, avalie com muito cuidado e seriedade a atitude mais adequada. Avalie os custos e benefícios dos caminhos da discrição ou da divulgação. E assim, tome uma decisão eficiente, a qual lhe faça sentir bem e traga resultados.

25 comentários até agora. Deixe o seu.

  1. Roberto Pereira disse:22 nov 2011 às 8:48 am · Responder

    Muito bom este texto!
    O Prof Neiva sempre nos fazendo pensar sobre coisas importantes e que nem sempre pensamos…

  2. Rebeca disse:22 nov 2011 às 8:49 am · Responder

    Oi Prof Rogerio Neiva!
    Depois deste post, acho que vou mudar minha atitude!!!
    Bjs!

  3. Vânia disse:22 nov 2011 às 8:49 am · Responder

    Tenho uma lista de concurseiros espírito de porco que estou sempre a evitar.

  4. Paulo Gustavo disse:22 nov 2011 às 8:51 am · Responder

    Meu voto é ocultar.
    Não tinha avaliado com base nos argumentos colocados no texto, mas agora tenho certeza de que esta postura é a mais certa.
    Valeu por mais esta Prof Neiva!
    Abraços!

  5. Tania Faga disse:22 nov 2011 às 10:15 am · Responder

    Custo X Benefício….voto no OCULTAR!!! Parabéns pelo excelente texto!

  6. Ale disse:22 nov 2011 às 3:09 pm · Responder

    Como eu queria poder voltar no tempo pra tomar essa decisão agora, rs.

  7. Paulinho 171 disse:22 nov 2011 às 4:59 pm · Responder

    Prof. Sou da teoria de manter sigilo em relaçao a data da prova e o dia que iremos prestar-la, assim evitamos cobranças desnecessarias e principalmente torcida contra (que é o que mais tem por ai) pois poucas pessoas se alegram com a felicidade alheia! Entao melhor coisa é passar e SER CHAMADO e depois divulgar ehehehe

  8. Samuel disse:23 nov 2011 às 12:00 pm · Responder

    Voto em divulgar! gosto de trabalho sob pressao dá mais incentivo e motivação em calar a boca do “povão”!

  9. marcos paulo disse:23 nov 2011 às 11:23 pm · Responder

    No meu ver a questão é delicada… mas penso que o ponto está no equilibrio. Não devo sair divulgando a qualquer pessoa(principalmente as invejosas), mas também não preciso fingir ou mesmo mentir ou mesmo me comportar como se não estivesse me preparando para um concurso. Ora, algumas pessoas irão perceber que algo está em mim mui focado; e dane-se todos aqueles que de algum modo irão depois perguntar: “e aí passou?” para mim dizer: “não, não foi desta vez, mas estou chegando lá…” A questão é que algumas pessoas se preocupam muito com o que os outros pensam acerca delas… são muito cheias de si mesmas, daí que não suportam dizer que não foram aprovadas… é preciso ter humildade, e simplesmente dizer que não foi desta vez, mas que a maratona continua… para mim há virtude em dizer que se está se esforçando e dando o melhor de si, e que, talvez, alguém legal até pode se dispor a lhe dar um empurrãozinho neste empreendimento… acho que atitude dos camuflados que se oculta como vietnamitas na floresta para não dizer depois que não passaram é pura bobagem; pois que está focado não está nem aí para que está na torcida contrária ou mesmo para aqueles com espírito de porco… avante e de cabeça erguida se deve seguir…

    • Luciano Cintra disse:24 nov 2011 às 2:08 am · Responder

      Excelente pensamento Marcos Paulo.

      Concordo plenamente com seu raciocínio nesta questão.

      Parabéns novamente Prof. Neiva, texto muito útil.

      Abraço a todos.

    • AndreaP disse:23 dez 2011 às 10:50 am · Responder

      Comentário show… Concordo plenamente!

  10. Concurseiro Sério disse:24 nov 2011 às 12:45 pm · Responder

    Boa Marcos Paulo

  11. Marcella disse:25 nov 2011 às 10:34 am · Responder

    Muito bom esse texto.

    De agora em diante vou evitar divulgar as datas das provas. Que estou me preparando, todos sabem. Mas a pressão e a cobrança serão menores (pelo menos pra mim) se a data da batalha for omitida. Divulgo quando vencer a guerra!

  12. Maria Piai disse:28 nov 2011 às 9:11 pm · Responder

    Este texto realmente me fez pensar a respeito também e veio justamente no momento mais adequado para mim! Adorei o comentário do MARCOS PAULO e sempre tive esta atitude de divulgar, mas após o último concurso que fiz, que aliás foi ontem e que fui aprovada, de acordo com a conferência que já fiz do gabarito, porém não atingi uma pontuação tão boa para classificar, pois são poucas vagas. Minha frustração não foi muito grande, afinal, fui aprovada! E já fui aprovada em outros, os quais estou aguardando ser chamada a qualquer momento, mas não me classifiquei para ser chamada imediatamente.
    Enfim, neste último, a cobrança e reprovação familiar foi tão avassaladora que me desestabilizou e trouxe a frustração que eu não estava sentindo antes. Vou decididamente mudar de atitude. Não omitirei que estou estudando para a família e para os mais íntimos, mas não darei mais notícias sobre datas, quais provas, em quais cidades, nada. Porque depois a gente ainda tem que aguentar ouvir que está sem trabalhar, fazendo nada e só viajando, como se fosse por diversão e não para fazer uma prova da qual você se preparou incansavelmente! Algumas pessoas não veem vitória nenhuma e acham que você está só se divertindo mesmo e não se dedicou o suficiente! Ou seja, a clpa é toda sua!
    Que bom que li esse texto hoje!
    OBRIGADA!!!!

  13. Thiago disse:23 dez 2011 às 1:24 pm · Responder

    Fonte de apoio fazendo com que possamos atingir uma grau diferenciado de maturidade frente a empreitada surpreendente que é o concurso público. As palavras do mestre Neiva fomenta uma forma de pensar mais profunda na alma dos milhares de concursandos pelo Brasil. Agradeço pelo gesto de motivação e ensino. Um natal cheio de alegria a todos e um ano novo próspero ao Professor e aos milhares de concursados. Que este ano seja a realização das tão sonhadas aprovações. Abraços.

    • Rogerio Neiva disse:25 dez 2011 às 4:34 pm · Responder

      Obrigado pelo incentivo Thiago! Um combustível fundamental para a manutenção de esforços neste trabalho de acompanhamento, estudos, pesquisas e produção intelectual voltada à orientação e tentativa de colaboração com quem busca o êxito no concurso público.
      Abcs!

  14. Henrique disse:23 dez 2011 às 1:42 pm · Responder

    Se você esta cercado de pessoas positivas é bom comentar ( digo familia e amigos) Se você tem vinculo com pessoas pessimistar, bitoladas e invejosas melhor só comentar depois da posse….

  15. Kerlen Silva disse:28 dez 2011 às 11:36 pm · Responder

    O prof. esta totalmente coberto de razão. Quando prestei o concurso no qual fui aprovado (concurso para carteiro da ect), toda a minha familia estava sabendo que eu iria prestar esse concurso, então, onde quer que eu fosse, minha mãe e meu irmão sempre davam um jeito de espalhar a “noticia”. Resultado, quando fui fazer a prova, eu estava mais preocupado com o que as pessoas à minha volta iriam dizer se eu não passasse do que com o que eu iria fazer se fosse aprovado. Por isso, eu faço minhas as palavras do prof. Rogério: “pensem bem, analisem e vejam se vale a pena ou não divulgar que você é candidato”.

  16. Vinicius disse:29 dez 2011 às 7:47 am · Responder

    Sinceramente eu divulgo, porém só divulgo se a pessoa me questionar, não saio falando que estou fazendo concurso. Geralmente meus parentes nem sabem quando é a prova e muito menos como ver o resultado, alguns só me perguntam alguns meses depois como fui na prova. Já fracassei em alguns concursos e não tenho medo nenhum de falar que não passei, portanto apesar de divulgar para alguns não sinto pressão ao fazer a prova.

  17. Rodrigo disse:8 fev 2012 às 5:57 pm · Responder

    Para quem entende inglês, existe um projeto chamado TED que são diversas conferências sobre vários assuntos no sentido de “Ideas worth spreading” (“Ideias que valem a pena divulgar”, numa tradução livre).

    Um dessas conferências é sobre um estudo psicológico e biológico sobre contar ou não para outras pessoas sobre o objetivo que você escolheu seguir. Esse pesquisador (Derek Sivers) fez um pesquisa no campo da teoria e no campo prático, envolvendo análise comportamental de pessoas que contaram ou não contaram seu objetivos e se isso influenciou no seu resultado. É em inglês. O link é esse:

    http://www.ted.com/talks/derek_sivers_keep_your_goals_to_yourself.html

    Abraço professor!

  18. emanuel disse:2 jul 2012 às 4:45 pm · Responder

    PONTO NEGATIVO DE SE FALAR QUE ESTÁ ESTUDANDO PARA CONCURSOS:

    Experimente falar isso numa seleção de emprego e veja se será aprovado!

  19. Janaina disse:3 jul 2012 às 1:07 pm · Responder

    adoreeeei, muito booom!Realmente, divulgar para os outros sobre nossos objetivos acaba que gerando sim uma pressão e cobrança psicologica e mta expectativaaa “fulana de tal ta estudando p concurso tal, ela vai passar ta estudando..”,”vais passar, tas estudando”, pode ser ate que funcione algo como motivador mas ao mesmo tempo parece so dar como uma satisfação de como voc~e está preenchendo seu tempo e do que vc quer, pq na sociedade tem aquela mentalidade, de pessoas que nao tem objetivos nao quer nada com a vida..fora que acredito em inveja, olho gordo hehehe ja reparei na minha vida, so fechar aboca que tudo dá certo, qd abro alguma coisa dá errado..acho que devemos sim divulgar para familia e intimos, afinal para concurso e preciso ter foco, disciplina e muitos sacrificios nisso devemos buscar apoio das pessoas próximas e também a compreensão destas para os momentos de ausência…mas divulgar para todos não dá hehehe Rodrigo, muito bom o link sobre o projeto TED, até divulguei no facebook…

  20. Isis disse:10 fev 2013 às 9:22 pm · Responder

    É bem verdade também que as pessoas se intrometem demais na vida dos outros (geralmente familiares), eu não saio por aí perguntando se fulano passou em tal prova, ou se ciclano realizou tal sonho, eu acho que se quiserem me contar eu vou ficar sabendo. Não sei se isso se justifica por questão cultural, ou outra coisa, mas eu sei que prefiro o silêncio.
    Eu por exemplo, mal terminei a faculdade, mal passei OAB, e nos encontros de fim de ano não teve um que não me perguntou o que vou fazer da vida, é mole? A maioria das pessoas me parabenizou rapidamente pela conclusão do curso e pela aprovação na OAB, com um sorriso amarelo no rosto, mas logo já emendaram com um pergunta em tom de cobrança: Há mas o que você vai fazer agora? vai advogar? Vai prestar concurso? Caramba que vontade de gritar: Não sei P…, poxa vida, parece que nada do que fazemos basta, precisamos sempre estar sendo cobrados de alguma coisa.
    Estou me dedicando aos concursos, mas para evitar essas incansáveis cobranças eu prefiro “ficar na minha”…

  21. Helen Fernanda disse:11 fev 2013 às 7:33 pm · Responder

    Excelente texto. Rende uma ótima reflexão para cada candidato.

Menções deste artigo em outros sites:

  1. Diagnosticando a reprovação no Exame de Ordem | Blog - Só mais um site WordPress

Deixe um Cometário