O presente texto tem por objetivo tentar analisar e refletir sobre o papel, a importância e a eficiência da realização de anotações em sala de aula, no contexto do processo de preparação para concursos públicos. Na realidade, a intenção envolve muito mais a elaboração de um ensaio provocativo, de modo a propor reflexões sobre o tema e a avaliação da atitude de realizar anotações, inclusive sob o ângulo do custo-benefício. E esclareço que esta é uma primeira tentativa de enfrentamento do tema, pois pretendo continuar a pesquisa e reflexão sobre o assunto, para a elaboração de outros textos e procurando avançar na sua compreensão.
Primeiramente, vale pontuar que as nossas salas de aula dos cursos preparatórios para concursos públicos estão lotadas de “notebooks” e “netbooks”. Também ainda existem muitos cadernos, mas considero que estão diminuindo e perdendo espaço. Como professor, algumas vezes sinto até um certo desespero para que sejam dadas condições de realização das anotações, com repetição de conceitos e informações e diminuição do ritmo do desenvolvimento das explicações objeto da aula.
Diante deste cenário, principalmente se você vem adotando o referido comportamento, a pergunta que lanço à provocação é a seguinte: qual a eficiência desta atitude? O que é mais importante, a preocupação com a anotação ou a atenção com a informação colocada? O que você irá fazer com suas anotações depois das aulas ou da conclusão do curso? A anotação é um fim em si mesmo, ou um meio, em termos de processo cognitivo, voltado à apropriação da informação passível de cobrança na prova do concurso público?
Naturalmente que estas provocações acabam por ter uma pertinência maior nas aulas presenciais ou nos cursos satelitários. Nos cursos em web acredito que a dinâmica é outra e o processo precisa se encarado de maneira distinta, pois estes “timings” de compreensão e anotação estão sob o domínio do candidato e não depende do professor, o que tende a proporcionar maior liberdade para o aluno.
Avançando no raciocínio, registro desde já que não sou contra as anotações de sala de aula. Aliás, entendo que meu papel, no âmbito do trabalho de orientação a candidatos a concursos públicos, não é ser contra nem a favor de nada. Minha intenção é apresentar possibilidades, caminhos e conceitos, voltados à otimização do processo de preparação, indicando vantagens e desvantagens, custos e benefícios de cada um destes, bem como provocar a reflexão, fugindo das fórmulas mágicas e milagrosas, das soluçõe aparentemente fáceis, bem como dos pacotes fechados e engessados. E procuro desempenhar este papel de modo consistente, a partir da atividade de pesquisa, estudos e formulação teórica, associada ao empirismo da minha experiência de candidato e docente em cursos preparatórios para concursos públicos.
Assim, é preciso que se faça uma reflexão sobre o tema da eficiência das anotações. Inclusive de modo a otimizar o processo de busca da aprovação no concurso público pretendido.
Segundo o neuropsicólogo Vitor da Fonseca, a aprendizagem se desenvolve em 4 etapas. São elas:
- input: contato com a informação ou objeto de conhecimento;
- cognição: compreensão e processamento da informação;
- output: envolve alguma atividade cognitiva imediata com a informação, como falar, discutir, escrever ou resolver um problema;
- retroalimentação: consiste na reiteração do contato posterior, o que está muito ligada à idéia da repetição.
Refletindo sobre as anotações de sala de aula a partir da referida construção, muitas vezes o candidato pode estar passando para a etapa 3 (output), na qual considero estar inserida a realização das anotações, sem passar pela etapa 2 (cognição). Seria eficiente? Talvez sim, talvez não. Admitindo a possibilidade de que não seja tão eficiente, não teria sido mais adequado abrir mão das anotações, para efetivamente desenvolver a etapa 2 (cognição) de forma consistente?
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7 comentários até agora. Deixe o seu.
Olá Prof,
Meus planos para os estudos são: estudar e fazer meus resumos, só então assistir aulas de cursinhos para terminar de fechar as ideias soltas, reforçar as já aprendidas e anotar aqui e ali uma ou outra coisa que seja preciso reforçar, tirar dúvidas de questões de provas.
Boa iniciativa!
Tenho dificuldades em fixar o assunto sem escrever a síntese do que foi ensinado, seja ao ler um livro ou assistindo aula. Entretanto, já percebi que isso atrasa bastante os meus estudos, o que logicamente compromete o ritmo de estudo.
Geralmente leio ou assisto a aula, escrevo um resumo e depois reviso.
Leia os textos da pauta de Aprendizagem que terá muitas informações relevantes para refletir sobre as colocações apresentadas.
Bom estudo!
Abcs!
Profº entendo porque o sr. é contrário às anotações. Hoje eu tenho evitado os cursos telepresenciais já que não permitem que o aluno leve consigo um gravador de voz e quando disponibilizam a aula digitada o fazem com dias ou mesmo semanas após. Com a oferta de cursos online tenho migrado p/ esse sistema. Nos cursos telepresenciais a quantidade de informação recebida num único dia de aula é muito grande. Nem sempre dá tempo de “ficar em dia” com a matéria, as leituras se acumulam com muita rapidez. No curso online, cada um segue o seu próprio ritmo, dá p/ anotar, repetir a explicação, ouvir com calma os exemplos, etc.
Cara Larissa, concordo com sua colocações. Mas acho que nos cursos on line o desafio é a auto gestão. Aliás, isto é o que muitos teóricos e pesquisadores da educação estão sustentando sobre a educação on line. Inclusive, contribuir com a auto gestão é uma das intenções do Sistema Tuctor.
Porém, não afirmo no texto que sou contra as anotações. Apenas teço considerações no sentido de provocar a reflexão, para que cada um tire suas próprias conclusões.
Abcs!
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