Retomando as reflexões sobre as anotações de sala de aula, a partir da construção das etapas da aprendizagem, muitas vezes o candidato pode estar passando para a etapa 3 (output), na qual considero estar inserida a realização das anotações, sem passar pela etapa 2 (cognição). Assim, seria eficiente? Talvez sim, talvez não. Admitindo a possibilidade de que não seja tão eficiente, não teria sido mais adequado abrir mão das anotações, para efetivamente desenvolver a etapa 2 (cognição) de forma consistente?
Avaliando esta proposta de reflexão, envolvendo a situação na qual se passa para a etapa 3 (output), realizando anotações, sem passar pela etapa 2 (cognição), venho trabalhando com uma hipótese – a exigir mais estudos e avaliações, de modo a proporcionar a devida confirmação científica. A hipótese levantada é de que pode ser aplicada à situação um conceito muito importante, estabelecido no âmbito das ciências voltadas ao estudo da aprendizagem, desenvolvido por uma psicopedagoga argentina chamada Sara Paín. Trata-se da idéia da hipoassimilção que leva à hiperacomodação.
A referida construção parte de um outro conceito desenvolvido por Jean Piaget, um verdadeiro “Papa” dos estudos sobre o processo de aprender, segundo o qual a aprendizagem se dá por meio do que denomina de assimilação, que consiste na checagem comparativa do conhecimento novo com o já existente, seguida da acomodação, na qual compreendemos e efetivamente nos apropriamos da informação, a partir da checagem comparativa anterior. Segundo Sara Paín, pode ocorrer uma disfunção ou patologia neste processo, quando o aprendente não compreende o novo de forma adequada, passando a desenvolver uma apropriação intelectual precária, ou seja, sem o seu entendimento consistente. Trata-se do fenômeno da hipoassimilação (precária assimilação), o qual leva à hiperacomodação (acomodação valorizada). É o famoso “aprendi mas não entendi” ou “sei a informação mas não a entendo”. Considero que exatamente isto pode ocorrer se o candidato ao concurso público faz anotações, mas não compreende adequadamente a informação anotada.
Por outro lado, outro aspecto a exigir reflexão sobre o tema das anotações de sala de aula consiste na situação na qual o candidato não executa a etapa 4 (retroalimentação), considerando o esquema antes apresentado. Ou seja, a questão é o que será feito com as anotações? Qual o sentido de promover anotações e deixar o caderno ou arquivo guardados e não voltar a estudar o que foi anotado?
Outro aspecto relevante consiste na definição do que será anotado. Isto é, o ideal seria anotar rigorosamente tudo o que o professor diz e da forma como diz? Ou devo anotar apenas idéias centrais e colocações que traduzam o conceito, tal como geralmente ocorre com as técnicas de mapas mentais ou conceituais? E se anotar rigorosamente tudo que o professor colocar e, com isto, perder a continuidade das informações seguintes?
Como professor, sinto a dificuldade que todos os docentes passam ao tentar conciliar o dilema entre viabilizar as condições para que o aluno promova as anotações e a necessidade de avançar no conteúdo objeto da aula.
Portanto, é preciso tentar encontrar caminhos eficientes, que permitam a solução dos dilemas colocados.
Registro que as ponderações apresentadas contam com um caráter preliminar. Continuarei com o trabalho de pesquisa teórica, prática e reflexões conceituais sobre o tema. Em breve estarei apresentando outras ponderações. Se você tiver alguma sugestão ou puder relatar suas percepções e experiências com as anotações de sala de aula, seguramente será uma grande contribuição para a compreensão deste assunto, tão relevante ao processo de preparação para o concurso público. No caso, pode deixar a mensagem em forma de comentário.
Bons estudos e, se for adotar este caminho, boas anotações!
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Caro Prof. Rogério,
Seu texto me fez lembrar que alguns dos meus colegas de faculdade/cursos mais inteligentes eram justamente aqueles que não anotavam nada em sala de aula. Bom, agora estou começando a achar que eles eram até mais inteligentes do que eu pensava, já que valorizavam a etapa da cognição mais do que aqueles outros alunos, “viciados” em fazer anotações.
Abç
Cristiane
Olá Professor.
Nunca tive caderno. Nunca. Até o colegial passei sem maiores esforços. Não porque era “superdotado”, mas sim por achar muito fácil passar nas provas.
Mas não era por isso que não fazia caderno. Na realidade não conseguia acompanhar o professor e ao mesmo tempo escrever o que ele dizia. Some-se o fato de eu possuir uma letra terrível, e está mais que justificada a minha opção pela não utilização do caderno.
Até hoje me sinto estranho quando estou em uma sala de aula e percebo que, enquanto o professor ensina, TODAS as outras pessoas estão com a cabeça baixa escrevendo nos cadernos. Acredito que o professor fica pensando: “que é que esse cara ta fazendo na sala de aula que não anota como todos os outros?”.
Entretanto, o fato é que, agora na faculdade, com a mesma sistemática de apenas prestar atenção na aula, percebi que assimilava mais e melhor o conteúdo.
Atribui isso ao fato de gostar da matéria (fiz direito). Sempre fui revoltado com o sistema de ensino brasileiro (fundamental e médio).
Agora, o que eu percebi é que meu melhor rendimento era quando eu prestava atenção na aula e, quando chegava em casa, lia a matéria que minha namorada copiava do professor (ela estudou comigo na faculdade).
Portanto, a minha experiência é a de conseguir assimiliar o conteúdo quando posso prestar atenção na aula e depois estudá-la em casa.
Dessa forma, para mim, seria muito interessante se os professores disponibilizassem suas aulas após ministrá-las. Penso que não deve ser antes, pois acaba tirando a ansiedade do ensino, já que vou ter lido o que o professor irá falar, já se for depois, consigo estudar.
Desculpe ter me alongado no texto. Um abraço, Caio.
Interessante sua colocacao sobre anotar-se ou nao os conhecimentos passados em aula.
Eu diria que tudo depende de como o a informacao é dada ou seja se aquele que esta passando a informacao consegue faze-lo claramente.
Existe até uma colocacao utilizada, a qual diz que “comunicacao é o que voce está entendendo e nao o que eu estou falando” ou seja muitas vezes achamos que estamos sendo claros em nossa explanacao, entretanto o que esta recebendo a informacao assim nao a entende.
Seria mais ou menos como aqueles mestres que ao inicar uma aula, dao a impressao de que ligaram um gravador, pois nao conseguem nos prender a atencao nem transmitem coisa alguma.
Para esses casos, a unica solucao seria anotar, para depois entender o que foi falado.
Prezado Professor. Durante meu curso preparatório para o Exame da Ordem, estudei através de aulas telepresenciais, que versava sobre TODA matéria de Direito da minha graduação, em um período de aproximadamente 3 meses, até o dia da prova.
Levava meu notebook, e elaborava de maneira organizada cada tema abordado através de tópicos. Nos tópicos não digitava apenas frases ou palavras, pois dificultaria meu estudo no final de semana (retalho de palavras e frases), então, além de anotar as partes consideradas e pedidas pelos professores como importantes, buscava acrescentar breves entendimentos sobre aquele trecho, em pequenas observações.
Durante a aula devemos nos preocupar com anotar e ENTENDER o NECESSÁRIO, para que depois da aula, possamos buscar a compreensão do conteúdo repassado de maneira mais aprofundada (sem exageros).
O ESSENCIAL é, após a compreensão e anotações, realizar a REPETIÇÃO (muita leitura) das mesmas, até chegar ao ponto que você, graças à compreensão e repetição, “decora” por muito tempo, se não para sempre, o estudo realizado.
Passei no Exame da Ordem 2010.1 dessa forma.
Bom dia, Profº Rogério!
Creio que a forma de estudo depende de pessoa para pessoa, pois meu dado semiótico para os estudos estão muito voltados em ouvir e transcrever para o caderno tudo que o professor fala em sala e, ao chegar em casa faço revisão enquanto digito toda a matéria.
Na faculdade (Filosofia e Direito) obtivesse sucesso estudando desta maneira, pois ao chegar próximo das provas as revisões e compreensão do assunto estudado anteriormente ficavam ainda mais claras.
Agradeço todas as manifestações até aqui apresentadas. Seguramente, irão colaborar bastante no avanço da pesquisa e reflexão sobre o tema, de modo a encontrar meios de otimização dos estudos voltados à preparação para concursos públicos.
Brevemente estarei entrando em contato pessoalmente.
Adorei o comentário do Caio. Eu, no colégio, era também uma “boa aluna”, copiadora e tudo. Capaz que você se lembra mais dos assuntos do colégio do que eu.
Por isso, inclusive tantos alunos gravam as aulas e ouvem novamente em casa, dessa vez anotando (ou fazendo as anotações terem mais sentido). Se for feito corretamente (disciplinadamente) é uma ótima ajuda.
Na faculdade acontecia do prof pedir o capítulo tal lido pra próxima aula para os alunos boiarem menos nas aulas. Considero válido também.
Ótimo texto este.
Post muito elucidativo. Um bom professor deveria disponibilizar as anotações relevantes aos alunos e assim “liberá-los” de fazê-las. Alunos iriam prestar mais atenção à aula. Outra prática valiosa pode ser a utilização de mapas mentais como forma de fazer anotações de forma rápida e de natureza visual para melhor retroalimentação depois.
Em sala de aula, há alunos(especialmente uma aluna), que interronpem os professores “de mais” para fazer as anotações, de modo que há uma quebra na sequência da exposição e no encadeamento do raciocínio do assunto ministrado.
Bom, quanto a mim digo que, na minha experiencia pessoal, fazer anotações durante as aulas é uma perda de tempo e diminue o benecífio que a própria aula pode proporcionar. sim, pois vejamos.
1) não faço anotações, pois antes ou depois da aula percebo que tudo o que o professor expôs em sala estar nos livros. Pra quÊ fazer em sala de aula, se posso ler e compreender o texto em casa e fazer as anotações? No meu caso, sempre faço nos próprios livros, nunca nos cadernos.
2)não faço anotações, pois não tenho intuito de fazer resumo a partir disso. Resumos e pontos importantes da matéria, consigo nos vários livrinhos/livretos hoje vendido nas livrarias com resumos, mapas com sinopse do conteúdo, esquemas que resume todo o conteúdo daquele assunto. Livros lançados com o propósito mesmo de apenas relembrar aspectos importantes do conteúdo das matérias para quem vai prestar concursos públicos.
Quanto às dicas dos professores, quando é de fundamental importância, não anota,pois a informação fica retida em minha memória e não esqueço. Por exemplo:a forma como um assunto é cobrado por uma determinada banca examinadora. Estas dicas, não esqueço. Quanto ao conteúdo vastos dos assuntos,o importante para mim é saber o que mais se cobra dentro daqueles conteúdos por parte das bancas examinadoras. E para auxílio nesse sentido, recorro aos livros de questões e de questões comentadas, hoje crescente no mercado para observar o que mais se pede e como se pede. VocÊ percebe os pontos importantes que não se deve esquecer, e faços as minhas próprias anotações nos livros mesmos, pois no caderno(no meu caso) se perde as informações junto com o caderno. Assim ao revisar a matéria, leu o conteúdo e as anotações feita ali mesmo. Acho isso mais eficiente.
concluindo, as aulas são importante para mim no sentido de ser um modo de aprender o que já foi lido e entender no sentido de reter mais ainda o conteúdo e fixá-lo. Sendo que o benefício da aula mesmo, está em que o professor transmitirá aquele conteúdo de modo mais assimilável, numa liguagem mais facilitadora para o entendimento. Não encaro o professor como um “guru” em que eu tenha que ficar anotando cada palavrinha que caia de sua boca.
O importante para mim anotar é o que as bancas examinadoras pedem, daí faços as minha anotações partindo do e nos livros de questões de concursos. Fico mais a vontade na hora das aulas para fixar o conteúdo dito de modo mais simples(pois quando se está com bons professores teremos exemplicações e casos concretos que ajuda na retenção e memorização) sem me preocupar em ficar escrevendo.
Não que eu não goste de escrever; tenho meu blog e escrevo… mas escrever em cadernos durante as aulas o que o professor diz, de modo algum…., só mesmo para anotar dias de provas, eventos, trabalhos a pesquisar etc.
Há um aluno em minha sala de aula, que enquanto o professor ensina, o rapaz no seu computador “taquigrafa” tudo, ou quase tudo…
Sem falar que muitos alunos, com seus computadores, ficam passeando por orkut, msn, por páginas de internet… etc… durante as aulas…
Cada um tem sua forma de aprender…
tenho uma amiga, que me diz que anota tudo para não dormir em sala de aula, as anotações a mantém em estado de alerta nas aulas durante à noite.
Cada segue seu jeito, porém digo que as melhor maneira de aproveitar mais as aulas é não anotar e só ouvir e/ou interagir com perguntas.
Se a pessoa encara o prefessor como um “guru” com suas “santas palavras” então que grave a aula ou peça para o professor disponibilizar os esquemas/resumos…
Normalmente, meus professores disponibilizar esquemas do conteudo ou textos com resumos(somente pontos importante do assunto) no e-mail da turma. No mais, é leitura no livros.
É isso.
Prof. uma opção seria gravar a aula em um mp4 ou mp3 etc.
Eu evito muito anotar. Geralmente só copio o que está no quadro, ou acompanho pelo material disponibilizado pelo professor. Tenho dificuldade em fazer duas coisas ao mesmo tempo, então se eu anotar fico frustrado em saber que não estou anotando direito nem mesmo assimilando a informação. Prefiro prestar atenção e depois lembrar dos comentários no estudo pós aula.