O objetivo deste texto envolve a provocação nos candidatos a concursos públicos e exames oficiais, tal como o Exame da OAB, a desenvolverem uma reflexão sobre qual caminho deva ser adotado para a realização dos estudos. Ou seja, a finalidade maior do presente post consiste em propor a busca de uma resposta para a seguinte pergunta: como estudar? Desde já esclareço que o foco a ser trabalhado no texto consiste no roteiro cognitivo dos conteúdos a serem estudados.
Conforme venho sustentando de maneira reiterada, não apenas no livro de minha autoria (“Concursos Públicos e Exames Oficiais: Preparação Estratégica, Eficiente e Racional”, Ed. Atlas), mas também em palestras, no DVD sobre preparação para concursos e nos posts do Blog, é fundamental que o candidato procure refletir e considerar os aspectos estratégicos e táticos da preparação. Os aspectos estratégicos estão no plano decisório da montagem do planejamento, envolvendo definições como objetivo e programa de estudos. Já os aspectos táticos envolvem os caminhos e meios adotados para a implementação do plano de estudos estruturado, envolvendo, por exemplo, a montagem da grade de horários e matérias, bem como as fontes de estudo. Neste sentido, a partir da referida preocupação, o fundamental é que o candidato procure agir de maneira eficiente e racional, de modo a otimizar os seus esforços.
A elaboração do presente texto teve como fonte de inspiração um trabalho acadêmico que li recentemente, tratando de problemas e dificuldades para o aprendizado da matemática. Inclusive, o contexto de leitura do “paper” envolvia a presença no Brasil de um conhecido psicopedagogo francês, denominado Guy Brousseau, tido por muitos como o pai da didática da matemática.
Faço o referido esclarecimento, pois percebi que parte das referidas dificuldades são semelhantes às que afetam muitos candidatos a concursos públicos e exames, sendo que, dessa maneira, se tornam determinantes para o não alcance da aprovação.
Dentre as referidas dificuldades, vale destacar o obstáculo epistemológico, que também é trabalhado por alguns autores como os erros de associação. Ou seja, muitos problemas com tal aprendizado decorrem da falta de domínio de premissas conceituais básicas e anteriores, para que se compreenda definições mais complexas.
E isto tem uma enorme relação com a aprendizagem e os estudos voltados à preparação para concursos.
Assim sendo, de modo a evitar que o candidato seja vítima do referido problema, é de extrema importância que tenha uma compreensão da racionalidade e dos fundamentos que orientam aquela determinada matéria a ser estudada. Por mais que eu defenda a necessidade de que o conjunto de matérias e conteúdos a serem estudados pelo candidato, ou seja, o seu programa, deve ser estabelecido pelo edital, não se pode ignorar a importância destas construções básicas e elementares, as quais anunciam os fundamentos daquela determinada matéria, independente do que disponha o edital.
Geralmente, no caso do Direito, estes conceitos são estabelecidos a partir dos princípios. Por exemplo, não há como entender as características do ato administrativo ou a diferenças entre atos discricionários e vinculados, sem entender os princípios do Direito Administrativo, mais especificamente o princípio da supremacia do interesse público sobre o particular e da legalidade administrativa. Não há como entender as espécies tributárias sem dominar o conceito de tributo ou mesmo os princípios do Direito Tributário, tais como o princípio da legalidade tributária ou da vedação ao confisco. Não há como entender o elemento o subjetivo do tipo sem compreender o conceito de crime, no âmbito do Direito Penal. Por fim, não há como entender as preliminares da contestação, na esfera do Direito Processual Civil, sem a compreensão dos pressupostos processuais e das condições da ação.
Nos demais ramos do conhecimento, ou seja, em relação a outras matérias passíveis de previsão em editais, não é diferente. Isto é, torna-se inviável entender os conceitos da Administração, sem o estudo dos paradigmas da administração científica aos da gestão contemporânea, tais como da teoria dos sistemas e da gestão por estratégia. Não há como, no âmbito da contabilidade, aprender análise de balanço sem o domínio dos conceitos de ativo, passivo e partidas dobradas. Da mesma maneira, torna-se inviável estudar matemática financeira sem a clareza sobre o sentido dos juros e do tempo. Por fim, não há como estudar microeconomia sem o estudo da teoria do consumidor.
Portanto, uma aprendizagem estratégica e eficiente, pressupõe a compreensão de definições básicas, elementares e fundamentais, que contam com um caráter de prejudicialidade, ou seja, ostentam a condição de antecedentes lógicos-conceituais.
No âmbito das ciências cognitivas, temos duas modalidades de aprendizagem. Uma consiste na aprendizagem mecânica, a qual envolve a apropriação de conceitos sem a compreensão de sentido ou significado. A outra modalidade consiste na aprendizagem significativa, a qual conta com a apropriação da informação com a compreensão de sentido e significado.
A segunda modalidade de aprendizagem, a qual tende a ser mais eficiente e assegurar maior potencial para disponibilidade da informação no momento da prova, pressupõe o domínio dos princípios, das teorias gerais e dos pilares conceituais fundamentais de qualquer matéria. A questão é, qual o preço o candidato está disposto a pagar, em busca de qual nível de eficiência por parte do seu processo de estudos na preparação para o concurso?
Vale lembrar que o objetivo maior é ter disponível a informação solicitada no momento da prova, de modo a garantir a maior pontuação possível.
Mas independente da sua conclusão sobre todas essas ponderações, o importante é que tenha uma compreensão estratégica e tática de todo o processo de preparação, de modo a buscar a maior otimização possível dos seus esforços. Não apenas em relação à aprendizagem, mas quanto a todos os demais aspectos. E com isto, seguramente, você estará dando passos fundamentais para que visualize, o mais rápido possível, o seu nome na lista de aprovados.
Sucesso e boa aprendizagem!!!












2 comentários até agora. Deixe o seu.
Achei o texto muito interessante, convém com o que eu vinha pensando sobre a questão da epistomologia, de que o conhecimento deve ser construído gradualmente, sem deixar de lado as necessárias ligações, sem ela o conhecimento se torna mecânico.
Abração.
Caro Diego, obrigado pelo feedback!
Espero que os conceitos trabalhados ajudem nos seus processos cognitivos voltados à busca da aprovação.
Abcs!