Como se Preparar para Concursos: perguntas e respostas

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Além da resenha do livro de minha autoria sobre o tema de como se  preparar para concursos públicos, foi publicada entrevista que concedi, tratando do mesmo assunto, pelo Blog do Concurseiro Solitário.

Assim, passo a reproduzir abaixo as perguntas e respostas da entrevista:

1 – Professor Rogério Neiva, como o seu livro pode ajudar os candidatos na preparação para concursos públicos e qual é o processo usado para isso?

Antes de mais nada, registro minha satisfação em responder as perguntas formuladas e manifesto a compreensão de que a iniciativa desta entrevista, bem como de publicação da resenha do livro, revelam a preocupação em colaborar e produzir conteúdo voltado aos postulantes ao ingresso no serviço público, por meio da aprovação no concurso. Primeiramente, entendo que o livro pode ajudar os candidatos ao concurso público por tratar de conteúdo de orientação sobre o processo de preparação. Trata-se daquilo que denomino de metapreparação, ou seja, o “como se prepara”, expressão que criei inspirado na “metacognição”, originada na psicologia cognitiva, se relacionando ao como se aprende. E o livro assim o faz ao propor o desenvolvimento deste processo a partir dos três eixos conceituais fundamentais da preparação, que correspondem ao planejamento, à aprendizagem e à gestão das condições emocionais. Sem planificação dos estudos não apenas a implementação de esforços pelo candidato fica comprometida, como até mesmo a aprendizagem é afetada. Sem aprendizagem não há apropriação intelectual das informações passíveis de solicitação no momento da prova. E sem a gestão das condições emocionais, o candidato não consegue se manter empenhado. Portanto, é fundamental uma compreensão sistêmica deste processo. O candidato deve cuidar das três dimensões da preparação. Registro ainda que o livro, bem como o trabalho de orientação que venho desenvolvendo, foi construído a partir de elementos empíricos, envolvendo a minha experiência de candidato e professor, mas também de bases científicas. Entendo que, principalmente pela quantidade de pessoas que ingressam neste universo do concurso, o que tende elevar a dificuldade e exigências para a aprovação, a preparação não comporta mais apenas construções estabelecidas a partir de experiências pessoais. Daí porque fui buscar elementos em outros campos do conhecimento, de modo a agregar informações e conceitos a este complexo e árduo processo.

2. Professor, o que significa na prática a preparação com alto rendimento?

Conceitualmente, a preparação de alto rendimento significa desenvolver este processo com a articulação de todos os eixos conceituais fundamentais (planejamento, aprendizagem e gestão das condições emocionais), mas tendo no planejamento o seu centro de articulação. E a preocupação com o planejamento significa também monitoramento e controle. Não basta se planejar. O equívoco de muitos candidatos é achar que basta estruturar o plano de estudos e desenvolver a sua execução. Por uma série de motivos, o planejamento também exige monitoramento e controle. Inclusive, o termo “alto rendimento” foi inspirado nas construções do esporte de alto rendimento, que tem como elemento central o planejamento, monitoramento e controle. Mas na prática, avançando na resposta à pergunta, para a implementação desta concepção metodológica, desenvolvi um sistema, denominado Sistema Tuctor, o qual comecei a estruturar conceitualmente ainda no primeiro semestre de 2008 e começou a funcionar no começo de 2009. O Sistema significa a implementação prática dos conceitos metodológicos propostos no livro, na medida em que o candidato pode estruturar um planejamento, contando com mecanismos de monitoramento e controle, por meio de uma série de funcionalidades e, principalmente, indicadores de metas, metas de desempenho e desempenho. Como candidato, e inclusive como Juiz, sempre tive uma preocupação com planificação de processos. Daí porque a permanente busca com a formação interdisciplinar. Considero que o Sistema Tuctor, neste contexto das construções voltadas ao “como se preparar”, é fruto desta visão, o que se traduz na prática da preparação de alto rendimento.

3. Qual seria a peculiaridade na preparação para concursos da magistratura trabalhista?

Temos algumas peculiaridades. Primeiramente destacaria que, tal como ocorre com o Ministério Público (cargo de Promotor de Justiça, Procurador da República e Procurador do Trabalho) e outros segmentos da Magistratura (Federal e Estadual), na realidade, são vários concursos dentro de um só. Ou seja, a prova objetiva é um concurso, a prova dissertativa outro, a prova prática mais outro, ocorrendo o mesmo com a prova oral. E esta compreensão decorre do fato de que são dinâmicas diferentes de avaliação e modelos de prova distintos, o que também exige estratégias variadas por parte do candidato. No caso da Magistratura do Trabalho, há um traço distintivo da Magistratura Estadual e Federal. É que o candidato somente vai para a prova de sentença(3ª fase) se passar na dissertativa(2ª fase). Daí porque a sentença é outra etapa independente da prova dissertativa, a qual é um dos grandes funis. Cabe ainda esclarecer que, teoricamente, tecnicamente e psicopedagogicamente, para qualquer concurso temos os modelos de avaliação operatório e conceitual. No operatório são colocados problemas para o candidato solucionar, a partir da mobilização de conceitos apropriados. Já nos modelos conceituais apenas se exige a mobilização de conceitos. Digo isto para esclarecer que a tendência é que a segunda fase envolva questões operatórias, mas predomina o caráter conceitual. Daí porque trata-se de uma prova que exige um domínio predominantemente doutrinário do candidato. Já a sentença tem uma predominância operatória, com a tendência de valorização de construções jurisprudenciais e exigindo o domínio da técnica de elaboração de sentenças. Porém, antes de passar na prova dissertativa entendo que não é adequado investir na técnica de sentença. Outro detalhe importante é que as bancas tendem a refletir concepções de políticas-judiciárias distintas do Tribunais. Alguns Tribunais querem juízes mais pragmáticos e outros se preocupam com um perfil mais teórico-acadêmico. Os concursos dos Tribunais mais pragmáticos tendem a exigir questões de abordagem mais dogmática e jurisprudencial. Já os mais teóricos tendem a exigir construções de caráter mais jusfilosóficas. O candidato precisa tomar cuidado com isto, procurando entender o perfil da Região da Justiça do Trabalho para a qual vai fazer concurso e inclusive dos membros da banca. Se o examinador tem currículo lates já é um indicativo de que está mais para o perfil acadêmico.

4. Com a sua longa experiência como estudante, professor e estudioso dos métodos racionais de estudo, em sua opinião, quais são principais motivos que atrapalham os candidatos na fase de preparação e por que isso acontece?

Tenho a convicção de problemas na preparação para o concurso, quanto ao resultado (aprovação) ou à manutenção no processo, podem decorrer de algo relacionado a qualquer dos eixos conceituais trabalhados no livro (planejamento, aprendizagem e gestão emocional). Ainda não tenho pesquisas quantitativas muito precisas, apesar de contar com alguns estudos de campo e pesquisas qualitativas. Mas mesmo não podendo sustentar de forma definitiva qual seria o principal problema, estou convencido de que os problemas começam no planejamento, tanto por conta da falta, quanto da inadequada elaboração. E daí vai atingir as outras frentes, como a aprendizagem e a gestão das condições emocionais. Exatamente por isto, considero que a primeira grande preocupação que deve ter o candidato consiste na elaboração e execução do plano de estudos. Mas a necessidade compreensão sistêmica, exige o cuidado com os demais eixos conceituais da preparação. 5. Muitos dos leitores do blog sofrem com problemas emocionais sérios, entre eles, a falta de motivação para os estudos, assunto pelo qual é muito bem explorado no seu livro. Quais as suas dicas para aqueles concurseiros que estão passando exatamente por essa situação e como eles devem começar a superá-la. O livro é divido em três partes, estruturadas considerando os eixos conceituais da preparação. E uma parte envolve exatamente aquilo que denomino de gestão das condições emocionais. Estruturei esta abordagem a partir de quatro pilares, os quais envolvem a motivação, a crença na aprovação, disciplina e perseverança. A gestão das condições emocionais é fundamental. Há um paradigma da aprendizagem, estabelecido no âmbito das ciências voltadas ao estudo deste espetacular fenômeno humano, que se preocupa exatamente com a dimensão emocional e afetiva do processo de aprender. E também quanto a este tema, apesar de não ignorar a importância das construções empíricas e puramente intuitivas, procuro mobilizar e trabalhar conceitos cientificamente construídos. A intenção é fugir do achismo-autoajuda, que considero insuficiente para o candidato e muitas vezes vazio e superficial. Neste sentido, por exemplo quanto à motivação, trabalho com as teorias da motivação por conteúdo e por processo. Resumidamente, a primeira, inspirada na Teoria das Necessidades de Maslow, envolve a importância de que o candidato compreenda quais as necessidades que busca atender ao passar no concurso. Ou seja, a todo momento, todos os dias, antes de dormir e ao acordar, o candidato deve ter clara a resposta à seguinte pergunta: porque quero me titularizar neste cargo? Quais necessidades quero ou preciso atender? Segurança/estabilidade, necessidades de estima e reconhecimento, realização? Isoladamente ou de forma conjunta? A compreensão da resposta consiste numa importante fonte de motivação. Já a motivação por processo tem como base o estabelecimento de metas. Principalmente metas de curto e curtíssimo prazo, pois é preciso que estas sejam viáveis. Também é fundamental o feedback, para que o candidato saiba que o seu esforço está o levando ao objetivo almejado. Assim, o Sistema Tuctor, ao estabelecer metas de curto e curtíssimo prazo, por meio do conceito do Extrato da Conta de Estudos, pode proporcionar grande colaboração. Além disto, inegavelmente, outra fonte de motivação importante consiste na troca de experiências e manifestação de emoções, por meio a exposição de desabafos e angústias, com a contrapartida de incentivos e mensagens de apoio. As teorias comportamentais, baseadas na lógica do estímulo-reação, contam com inúmeros fundamentos para explicar isto. Dessa forma, esse Blog, ao proporcionar aos candidatos uma rica interação, promove uma relevante contribuição para a busca da aprovação.

Fonte:http://concurseirosolitario.blogspot.com/

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