Disciplina e Aprendizagem na Preparação para Concursos

Por  •  26 out 2010  •  Aprendizagem, Como se Preparar, Gestão Emocional  •  5 Comentários
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Qual é a relação entre a disciplina e a aprendizagem na preparação para concursos públicos? Resposta: trata-se de uma relação diretamente proporcional, na medida em que quanto mais se aprende mais o candidato tende a se tornar disciplinado.

O objetivo do presente texto consiste no desenvolvimento desta relação, por meio da apresentação de fundamentos para a sustentação da afirmação colocada, com o desenvolvimento de conceitos de grande utilidade para aqueles que vêem empreendendo seus esforços na busca da aprovação no concurso público.

A disciplina e a aprendizagem articuladas geram um espetacular círculo virtuoso, com repercussões tanto para a disciplina, quanto para a aprendizagem.

Em relação à aprendizagem, há dois fundamentos relevantes que sustentam a compreensão apresentada.

O primeiro consiste na idéia da plasticidade cerebral, o qual consiste em conceito estabelecido no âmbito da neurociência, envolvendo uma lógica de adaptação e ampliação da atividade do cérebro, em função das demandas submetidas por meio de estímulos. Ou seja, quanto mais se fortalece e cria conexões, mais aumenta a capacidade de respostas.

Outro conceito relevante sobre a aprendizagem envolve a dinâmica dos processos cognitivos. E existem diversos fundamentos consistentes para justificar esta noção.

Dentre estes, destaca-se as construções de David Ausubel, importante autor sobre teorias da aprendizagem, integrante do paradigma que agrega as chamadas teorias cognitivistas. Segundo Ausubel, o processo de aprender deve se desenvolver por meio ancoragens, de modo que uma nova informação, para que seja apropriada intelectualmente, deve ser compreendida a partir de um conceito anterior. Esta noção envolve as âncoras ou subsunçores, conforme denomina o autor.

Trazendo tal compreensão para a realidade da preparação para o concurso público, um exemplo prático seria a idéia de que para aprendermos a classificação das constituições, quanto à mutação constitucional, o que envolve as espécies rígida, semi-rígida e flexível, é preciso entender a diferença entre poder constituinte originário e derivado. Ou seja, como poderia entender o conceito de mudança do texto constitucional, se não domino o conceito de poder constituinte derivado? Da mesma forma, para entender o conceito de tributo, nos termos do art. 3º do Código Tributário, preciso contar com a apropriação intelectual e cognitiva do conceito de ato administrativo vinculado, o que pressupõe a compreensão do conceito de ato administrativo e da diferença para o ato discricionário.

Assim, partindo das referidas premissas relacionadas à aprendizagem, é preciso compreender que, quanto mais estudamos, inclusive de forma disciplinada, mais âncoras criamos. Neste sentido, venho sustentando que o avanço da dinâmica da aprendizagem, no caso, não ocorre em progressão aritmética (PA), mas em progressão geométrica (PG).

E daí vem a relação entre a aprendizagem e a disciplina.

A ampliação da plasticidade cerebral, bem como os avanços do domínio de âncoras conceituais, tende, de forma lógica e natural, a fazer com que, por um lado, os desgastes e os esforços cognitivos diminuam. Por outro lado, até como conseqüência da diminuição do desgaste intelectual, também tende a tornar a aprendizagem e os estudos voltados à preparação para o concurso público até mesmo mais prazerosos.

Recentemente participei do Simpósio Internacional de Psicopedagogia, apresentando palestra sobre teorias da aprendizagem e preparação para concursos públicos (veja o post neste link), trabalhando exatamente com as variáveis esforço intelectual e eficácia da aprendizagem. No livro que lancei recentemente pela Editora Método (“Como se Preparar para Concursos Públicos com Alto Rendimento”) estes conceitos também são trabalhados.

Portanto, é preciso que o candidato tenha consciência e compreenda três idéias fundamentais: (1) quanto mais disciplinado e emprenhado se mantém, mais tende a minimizar o desgaste dos estudos e mais aumenta suas capacidade cognitiva, tornando a preparação para o concurso inclusive mais prazerosa; (2) com isto, reforça e alimenta a disciplina; (3) também é importante entender que a apropriação intelectual dos conceitos estudados pode funcionar como âncoras conceituais, enquanto antecedentes lógicos, para a apropriação de novos conceitos.

Bons estudos, com disciplina, avanço na aprendizagem, nas âncoras e na plasticidade!

5 comentários até agora. Deixe o seu.

  1. Fabiana Magalhães disse:27 out 2010 às 2:43 pm · Responder

    A grande importância dessas teorias é fundamentar que não existe ninguém mais ou menos inteligente! Com exceção das pessoas com distúrbios de aprendizagem, todos estão no mesmo patamar e temos as mesmas possibilidade cognitivas para aprender, basta se organizar!

    • Rogerio Neiva disse:27 out 2010 às 2:52 pm · Responder

      Bom comentário!
      Mas considero que a compreensão do processo cognitivo pode ajudar na montagem das estratégias e caminhos da aprendizagem de maior eficiência.
      Por outro lado, mesmo aqueles que contam com distúrbios de aprendizagem, a depender da modalidade, podem trabalhar com alternativas de modo a superar a eventual limitação.

      • Fabiana Magalhães disse:27 out 2010 às 6:39 pm · Responder

        Concordo também! Muito bem colocado! E sem dúvida compreender minimamente os processos que envolve a aprendizagem são fundamentais para o planejamento e aquisição de conhecimentos!

  2. Márcio Omena disse:28 out 2010 às 1:11 am · Responder

    Que artigo Rogério. Seria uma boa ideia um artigo sobre os distúrbios de apredizagem e a disciplina.

    abraços

  3. Sergio disse:29 out 2010 às 9:52 am · Responder

    Professor,

    Muito bom artigo. Simples e direto.
    Acumular conhecimento é como acumular dinheiro.
    No início é lento, moroso, desgastante, mas a medida que se acumula, se estabelece o círculo virtuoso e a “força” da PG começa a se tornar mais evidente. Um abraço.

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