Os Estilos de Aprendizagem e o Estudo para Concursos

Por  •  1 dez 2009  •  Aprendizagem, Como se Preparar  •  27 Comentários
Concursos publicos estilos de aprendizagem

Se você está se preparando ou vai se preparar para um concurso público ou exame, qual é o seu estilo de aprendizagem predominante? Qual a forma mais eficiente e adequada para desenvolver seus estudos?

Pois bem, estas perguntas envolvem um aspecto fundamental à preparação. Muitos candidatos não contam com a devida clareza quanto aos possíveis estilos de aprendizagem, bem como quanto aos que devam ser os mais adequados e eficientes para si.

A compreensão do presente tema exige a consideração de algumas premissas fundamentais. A primeira é que, conforme venho reiteradamente sustentando, a preparação deve ser pensada no plano estratégico e tático, sendo que o primeiro envolve a definição de aspectos estratégicos e decisórios fundamentais para a estruturação do planejamento da preparação, como o objetivo (cargo ou cargos pretendidos) e o programa (matérias e conteúdos), ao passo que o segundo (aspectos táticos) envolve os meios e caminhos voltados à implementação do plano de estudos, como por exemplo as fontes e técnicas de estudo.

Portanto, a preocupação com as técnicas de estudo e os estilos de aprendizagem se situam no campo tático.

Conforme as definições da neurociência, o conhecimento consiste em redes neurais que são desenvolvidas e podem ser acionadas. Considerando tais mecanismos neurobiológicos, a aprendizagem, juntamente com a linguagem, consiste numa função cognitiva secundária, ao passo que a memória, como também a atenção, consistem em funções cognitivas primárias. (PANTANO, Telma. Neurociência aplicada à aprendizagem. São Paulo: Pulso, 2009, pág 23). Estes elementos coordenados é que vão permitir que tenhamos a disponibilidade da informação no momento da prova.

Daí a importância da preocupação com os estilos de aprendizagem, pois estes guardam relação com a forma como as redes neurais que determinam a apropriação do conhecimento serão acionadas. Conceitualmente, segundo as construções da psicopedagogia, temos quatro possíveis estilos de aprendizagem, quais sejam: reflexivo, teórico, ativo e pragmático. (PORTILHO, Elise. Como se aprende. Rio de Janeiro: Wak, pag. 101)

Cada candidato, de forma mais pura ou mais híbrida, irá se enquadrar nestes estilos. Por outro lado, cada técnica ou modalidade de estudo adotada tende a estar mais ou menos de acordo com os referidos estilos.

No livro de minha autoria sobre a metapreparação para concursos públicos (Como se Preparar para Concursos com Alto rendimento, clique neste link para mais informações), trabalho e desenvolvo quatro técnicas de estudos que podem ser agregadas ao estudo bibliográfico, as quais correspondem às seguintes: sublinhar textos, elaboração de esquemas, elaboração de mapas mentais e elaboração de resumos. Cada uma destas técnicas, considerando o nível de mobiblização de estruturas cognitivas envolvidas, tende a proporcionar um determinado nível de eficiência no processo de apropriação da informação.

Assim, a eficiência do estudo é influenciada pelo estilo de aprendizagem do candidato e a relação que cada técnica guarda com o estilo de aprendizagem correspondente. Dessa maneira, entendo que subsistem as seguintes relações entre técnicas de estudo e estilos de aprendizagem:
- o estilo reflexivo se relaciona com a técnica de sublinhar textos;
- o estilo teórico se relaciona com a técnica de elaboração de resumos;
- o estilo ativo se relaciona com a técnica de elaboração de mapas mentais;
- o estilo pragmático se relaciona com a técnica de organização de esquemas.

Diante de todas estas considerações, pensando a preparação de forma estratégica e tática, naturalmente e logicamente na perspectiva de busca de eficiência e otimização dos esforços empreendidos, o candidato precisa avaliar ao menos dois aspectos fundamentais.

O primeiro consiste na verificação, a partir de uma avaliação pessoal e subjetiva, do seu estilo de aprendizagem, de modo a buscar a técnica que entenda mais adequada. 

O segundo consiste nas suas condições de preparação. Ou seja, pode ser que, considerando o tempo que a elaboração de resumos tende a demandar, não seja viável a conclusão do plano de estudos até a data da prova adotando a referida técnica. Neste sentido, o SISTEMA TUCTOR pode proporcionar uma relevante contribuição, por meio da ferramenta que indica estimativas de conclusão do planejamento da preparação, considerando as variáveis e informações inseridas pelo candidato-usuário. E com isto, pode considerar não apenas o seu estilo de aprendizagem, mas também a viabilidade da execução e conclusão do plano estabelecido.

Dessa forma, desenvolvendo as reflexões propostas e adotando as atitudes mais adequadas em termos de caminhos de aprendizagem, o candidato estará tomando iniciativas fundamentais para uma preparação estratégica, eficiente e racional. E assim, também estará dando passos importantes na busca da visualização do seu nome na lista de aprovados.

27 comentários até agora. Deixe o seu.

  1. René disse:16 mai 2010 às 6:28 pm · Responder

    Pois é, falou, falou,falou e nao definiu o que seja estilo pragmático… ou seja, não foi nada pragmatico! A meu ver, faltou clareza e objetividade! Da próxima vez, seja mais pragmático!

    • Rogerio Neiva disse:19 dez 2010 às 5:33 pm · Responder

      Respeito a opinião. Mas me dou o direito de também ter uma opinião no sentido de que faltou atenção e cognição para compreender a mensagem. Aliás, a intenção não é dar respostas prontas e acabadas.
      A intenção é provocar a reflexão. Sem a pretrensão de ser titular do monopólio da verdade absoluta.
      Presumi que o leitor saberia o conceito de pragmático. Mas esclareço que ser pragmático significa ser prático, utilitário e operatório.
      PS: pragmatismo não significa simploriedade e superficialidade, bem como não elimina a necessidade de esforço intelectual para a compreensão do texto.

  2. Claudio disse:7 jun 2012 às 6:41 pm · Responder

    Professor, em seu livro acima mencionado, além das quatro técnicas de estudo correspondentes aos estilos de aprendizagem de cada candidato (reflexivo, teórico, ativo ou pragmático), o senhor aborda também maneiras pelas quais o candidato poderia descobrir qual é o seu estilo de aprendizagem?

    • Rogerio Neiva disse:8 jun 2012 às 12:50 pm · Responder

      Caro Cláudio,
      No livro trato deste tema, a título de formulação hipotética. Inclusive abordei o assunto no trabalho que apresentei no último Congresso da Associação Brasileira de Psicopedagogia.
      Abcs!

  3. camilo disse:19 jun 2012 às 1:01 am · Responder

    fala fala e nao conclui. eu reflito

    • Rogerio Neiva disse:19 jun 2012 às 12:44 pm · Responder

      Caro Camilo, vou tentar ajudar na compreensão do texto, destacando alguns pontos:
      - existem diferentes estilos na captura da informação e no seu processamento, sendo que os estilos estão postos e explicados no texto;
      - cada estilo pode ter mais compatível, em termos de eficiência, uma técnica de estudo diferente, conforme as técnicas expostas no texto;
      - conclusão: é eficiente procurar avaliar o estilo que predomina e buscar a técnica mais adequada.

      Aproveito para sugerir que mantenha o empenho nas leituras, pois compreensão e interpretação de textos geralmente é cobrada em provas de concursos.

  4. JP disse:16 out 2012 às 1:47 pm · Responder

    Aos camaradas que criticam, mas não sugerem nada de construtivo. Apenas reitero que os textos do Prof. Rogério Neiva são excelentes. Outra coisa que os textos postados estão num blog para serem compartilhados de forma sintética e breve. Isso aqui é um aperitivo. Se queremos maiores explicações devemos pesquisar, correr atrás e não esperar todas as explicações caírem em nosso colo. Só tenho a agradecer as explicações do professor, sempre com muita coerência.

  5. Inaiane Melo disse:8 fev 2013 às 10:21 pm · Responder

    Caro professor, tenho percebido um estilo de estudo que tem funcionado comigo.
    Consiste em ler o conteúdo, fazer resumos ou esquemas, e em seguida ler repetidas vezes, em voz alta, o resumo feito por mim (como se eu estivesse dando uma aula). Ao final eu tento memorizar aquilo que foi foi lido em voz alta.

    O senhor aborda em seu livro alguma técnica de estudo que consiste na leitura em voz alta, ou algo nesse sentido?

    Grata.

  6. Paulo Amancio disse:26 abr 2013 às 11:44 pm · Responder

    Professor,

    Gostaria de agradecer pela ajuda que tem me proporcionado. Eu estudei durante 5 anos para ser aprovado para técnico do trt e acredito que poderia ter encurtado o caminho se tivesse tido contato com seus textos antes.
    Meu sonho é a magistratura do trabalho e inicio semana que vem meus estudos, inclusive utilizando a plataforma tuctor, a qual é excelente.
    Gostaria de saber se existe algum “modelo” de planejamento estratégico para o concurso da magistratura do trabalho para inserir no sistema tuctor. Pelo que eu vi, tem apenas o conjunto de matérias do conteúdo programático, mas não há indicações de quais fontes de estudo seriam adequadas para cada disciplina. Considero que seria importante haver tal indicação, visto que algumas matérias caem apenas na primeira fase e não exigem um estudo muito aprofundado.
    Tendo em vista que você já passou pela “saga” do concurso da magistratura do trabalho, poderia fazer um tipo de “modelo” para o tuctor com as matérias, a importância de cada uma e a dificuldade. Acredito que isso atrairia mais concurseiros interessados no sistema, pois facilitaria os estudos.
    Mais uma vez agradeço pela ajuda e gostaria de dizer que estou recomendando o sistema tuctor para todos meus companheiros.

  7. Tiago disse:22 mai 2013 às 4:37 pm · Responder

    Desde que comecei a estudar, detectei que meu estilo é teórico/pragmático. Me encaixei melhor nesse misto de estudo, o aprendizado fluiu. E o mais interessante é que não existe uma fórmula única, é necessário reflexão, revisão e adaptação para chegar no que é melhor pra si e a matéria a ser estudada.

  8. Daniel Garibaldi disse:24 jul 2013 às 11:44 am · Responder

    Qual a diferença entre a elaboração de mapas mentais e a organização de esquemas?

    • Rogerio Neiva disse:24 jul 2013 às 5:52 pm · Responder

      Caro Daniel, basicamente os mapas mentais contam com cores e figuras diagramáticas dentro das quais são colocadas informações, ao passo que os esquemas não contam com os diagramas e geralmente são elaborados com apenas 1 cor. Mas os dois considero que estão compatíveis com o estilo ativo.

  9. Samara disse:10 set 2013 às 4:15 pm · Responder

    Boa tarde Professor, seria possível ser pragmático e ativo, me encaixo nos exemplos citados que identificam essa aprendizagem, se sim, como posso potencializar meu aprendizado? Desde já agradeço a atenção dispensada!

    • Rogerio Neiva disse:12 set 2013 às 12:25 am · Responder

      Samara, acredito que sim. Inclusive são perfis bem próximos. Porém, teoricamente, deve haver um estilo predominante.
      Abcs!

      • Samara disse:26 set 2013 às 11:38 am · Responder

        Entendo Professor, mas como posso identificar o estilo predominante? Haveria algum teste ou um profissional que pudesse auxiliar-me nessa questão?
        Desde já agradeço a atenção dispensada.

        • Rogerio Neiva disse:28 set 2013 às 10:04 pm · Responder

          Há testes para isto Samara.
          Mas reflita sobre as características e pense em como você se comporta.
          Abcs!

  10. Azzuky disse:11 mar 2014 às 1:18 am · Responder

    Olá Professor!
    O senhor é bem didático. Apesar e ainda não ser assinante do tuctor, suas orientações, disponíveis graciosamente a todos em geral, tem me ajudado bastante. Veja bem professor. Leio muito rápido, tenho muita facilidade em interpretar, entender, tenho raciocínio lógico razoavelmente bom, tenho muita facilidade em apreensão de conteúdo, mas a tal da decoreba… preciso descobrir um método que funcione para mim.
    Obrigada pelo excelente conteúdo disponibilizado. Parabéns pelo trabalho realizado.

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