Em textos anteriores publicados aqui no Blog foram trabalhados os perigos da autossabotagem por parte do candidato a concursos públicos e exames. Esta idéia foi abordada no texto sobre as Profecias Autorrealizadoras, bem como no texto sobre a Síndrome do Impostor.
Porém, o objeto do presente texto consiste na abordagem da idéia que vai no sentido contrário, envolvendo não o cuidado com os perigos da autossabotagem, mas com a necessidade da iniciativa de trabalhar a autoconfiança.
Enquanto a autossabotagem envolve um comportamento negativo, a autoconfiança consiste em comportamento de caráter positivo.
Buscar meios e atitudes que colaborem com a construção da autoconfiança é fundamental para o candidato que almeja a aprovação em concursos públicos e exames oficiais. Segundo a idéia sustentada por Reuven Feurstein, uma das maiores autoridades internacionais atualmente na área da aprendizagem e autor da Teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural, “…a autoconfiança é algo que fortalece, promove o pensamento independente, motiva e encoraja o alcance de objetivos…”. (Souza, Ana Maria, Depresbiteris, Lea e Machado, Osny Telles. “A mediação como princípio educacional”: São Paulo, Senac, p. 74).
Esta compreensão é importante para demonstrar que a autoconfiança tem impactos inclusive no plano cognitivo, o que, em tese, pode repercutir até mesmo no desempenho nas provas.
A autoconfiança leva à noção de sentimento de competência, o que não se confunde com competência propriamente dita, consistindo na percepção sobre ser competente. Neste sentido, há uma diferença entre competência e sentimento de competência, de modo que é possível que o candidato a concursos públicos e exames seja competente ao alcance de determinados resultados, mas não tenha tal percepção. E não ache que isto será indiferente, pois esta dissociação entre a realidade das condições do candidato e a sua percepção sobre suas condições conta com potencial para trazer conseqüências negativas na busca de resultados, não apenas ao longo do processo de preparação, mas inclusive nas provas.
Me recordo, enquanto me preparava e prestava concursos para a Magistratura, de situações nas quais tinha contato com candidatos que, se colocando de forma superior e arrogante, procuravam esbanjar conhecimento e domínio de informações. Estes candidatos, nas rodinhas que se formavam antes ou depois das provas, adoravam levantar discussões e expor conceitos sobre assuntos que outros candidatos não dominavam. Isto significava buscar demonstrar superioridade intelectual, minando a autoconfiança dos demais candidatos.
E confesso que, nas referidas situações, muitas vezes tive a minha autoconfiança minada e diminuída. Imagine o que um sentimento deste pode provocar antes de uma prova!
Vale destacar que muitas vezes nos submetemos a um processo de comprometimento de autoconfiança até mesmo de forma não consciente. A Síndrome do Impostor seria um exemplo (clique aqui para ler o texto Preparação para Concursos e a Síndrome do Impostor).
Outra possibilidade de comprometimento da autoconfiança pode ocorrer durante a realização de exercícios. Muitos candidatos adotam a estratégia de realização de exercícios, não com o espírito da aprendizagem, mas da busca de uma confirmação da disponibilidade da informação, o que também, conforme o cenário levantado em termos de resultado, pode comprometer a autoconfiança.
Considero, sem a pretensão do monopólio da verdade, que os exercícios devem ser encarados como um processo cognitivo, e não como um recurso emocional. Neste sentido, sugiro a leitura do texto O Papel dos Exercícios na Preparação para Concursos (clique aqui para ler o texto).
Portanto, uma primeira atitude que deve ter o candidato para trabalhar a autoconfiança consiste na tomada de consciência da sua importância, bem como no cuidado para evitar e neutralizar os fatores que a comprometem.
Por outro lado, é preciso compreender que a preparação para concursos deve ser encarada como um processo evolutivo. O candidato de hoje, em termos intelectuais, não será o mesmo após um ano de preparação. Portanto, não se angustie com as situações como as relatadas, envolvendo o contato com candidatos que procuram fortalecer sua autoconfiança minando a dos outros. E quando sentir que a sua autoconfiança está elevada, se policie para não minar a dos demais, até porque um dia poderá receber a fatura desta atitude censurável.
Também não custa lembrar, enquanto estratégia para trabalhar a autoconfiança, a idéia que tenho sustentado de forma reiterada, envolvendo a lógica do Foco no Processo, de modo a evitar a lógica do foco no resultado (clique aqui para ler o texto Preparação para Concursos e Foco no Processo).
Para aqueles que são usuários do Sistema Tuctor, considero uma estratégia importante a atenção aos indicadores de metas e de desempenho, bem como os demais mecanismos de acompanhamento da execução do plano de estudos, principalmente envolvendo as metas de curto prazo,ou seja, as Unidades de Estudo e os indicadores correspondentes. Assim, olhe para suas metas estabelecidas e procure valorizar o seu alcance, tendo a compreensão de que está cumprindo o seu papel. Alimente-se disto em termos de autocofiança!
Por fim, tenha a clareza de que a busca da aprovação no concurso público consiste num processo que tem começo, meio e fim. Procure trabalhar a sua autoconfiança a partir da responsável e comprometida implementação dos esforços que estejam ao seu alcance. Naturalmente que acompanhando e monitorando o seu processo de preparação, principalmente com a adoção de um adequado plano de estudos e inclusive com a realização dos ajustes necessários à busca de eficiência.
E com isto, compreenda que, se mantendo nesta trajetória, um dia haverá uma prova na qual terá a dispobilidade cognitiva do volume de informações necessárias ao alcance da pontuação suficiente à aprovação. Aí estará figurando na lista de aprovados, pois o critério adotado no nosso modelo de acesso aos cargos e empregos públicos é este: disponibilidade intelectual e cognitiva de informações solicitadas nas provas.











9 comentários até agora. Deixe o seu.
Excelente texto professor!!
Abraços
Gostei bastante da postagem! Sempre quando da realização de exercícios busco a confirmação da disponibilidade da informação sendo certo que os deveria executar com o espírito de aprendizagem. Assim, em errando tal a autoconfiança não estaria minada.
Parabéns! Ótimo texto.
Oi Prof!
Adorei mais este texto! Vou me controlar mais para trabalhar a autoconfiança e acabar com esta coisa de impostor.
Valeu!
Beijinhos!
Prezado Dr Neiva,
Agradeço o texto.
Realmente é muito importante o tema tratado. Esta forma de abordar os fenômenos psicológicos pelos quais nós concurseiros passamos, de maneira consistente e sem aquela coisa de autoajuda saturante, é de grande valia.
Obrigado e abraços!
Defendo que a dinâmica da vida torna mais complexa a mensuração, assim, por ser eu um “nômade” por conta do modo de trabalho, foi frustrante tentar estabelecer um quadro fixo de horários de estudo. Tudo me irritava e desmotivava, pois tentei em quanto oportunidades estabelecer condições conforme as boas práticas para busca do meu objetivo que é ser nomeado, mas tudo sem sucesso.
Resolvi reconhecer e respeitar essa minha limitação, dentre outras, ao menos trimestralmente, pois ela adivém de fatores externos.
Após as quatro oportunidades frustrante de fixar agenda e que também fecharam outras portas, me vi extremamente motivado, uma vez que as portas “laterais” fecharam-se, uma única estrada abriu-se, dependente única e exclusivamente de mim, de mais cedo ou mais tarde, alcançar minha nomeação federal.
Após leitura da sua obra, obtive segurança para afirmar que, respeitando as boas práticas na busca desse objetivo, chegarei lá, pois as competências e recursos básicos necessários para caminhar rumo ao objetivo, ainda que os recursos sejam deficitários, eu os possuo.
Quanto ao “foco no processo” procuro não perder de vista o objetivo, ou seja, não é estudar por estudar, mas estudar para ser nomeado em órgão e/ou cargo específico. Desse, mas uma vez do seu livro, procuro ter a perspectivar citada sobre a visão de “preparatório olimpico” como se cada oportunidade fosse quadrienal, no meu caso tento ver bienal.
Por tudo vejo que, se você admitir que tem os preceitos básicos para buscar o conhecimento necessário para alcançar sua nomeação, já é um grande motivador. Segundo, cada porta que se fechar na esfera privada ou qualquer que seja, se você jogar para combustão que te lançará para frente, acredito que elevará sua determinação. Mas não se trata de uma receita e sim de uma proposta.
Minha terapia hoje é estudar e a biblioteca meu divã
P
Excelente texto!
Parabéns professor!
Como de costume, as postagens do Prof. Rogério são inspiradas e são fonte valiosa de conforto para nós, que nos vemos pressionados constantemente pela obrigação de sermos logo aprovado em um concurso.
A passagem na qual o professor de refere aos candidatos que se elevam sobre os outros é emblemática! Quem nunca presenciou cenas de histerismo intelectual de certas pessoas que parecem se programar para diminuírem seus concorrentes às portas de uma prova?
Parabéns, professor. Estaremos sempre aqui apreendendo suas valorosas lições.
Texto muito elucidativo!
Estava, realmente, precisando ler algo nesse nível para dar novamente uma arrancada nos estudos!
Parabéns, professor.