Concursos Públicos e realização de Exercícios

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Você considera importante a realização de exercícios na preparação para concursos públicos? Muitos candidatos contam com a compreensão de que os exercícios são fundamentais. Alguns candidatos lotam as salas de cursos preparatórios voltados à resolução de questões, na esperança de que irão adquirir todas as condições necessárias ao alcance da aprovação, e em pouco tempo. Existem aqueles que, de forma talvez radical, entendem adequado se preparar para o concurso público apenas e tão somente pela realização de exercícios. Há ainda candidatos que fazem dos exercícios uma verdadeira competição consigo mesmo, inclusive ficando frustrados quando, ao conferir o gabarito, não acertam as questões.

Diante deste universo de possibilidades, é fundamental a compreensão dos papéis que os exercícios podem representar na preparação para concursos públicos e, a partir desta percepção, identificar a eficiência do investimento de tempo e esforços cognitivos na referida atividade.

O objetivo do presente texto consiste na apresentação de conceitos, concebidos empiricamente e tecnicamente fundamentados, de modo a provocar a reflexão. Desde já esclareço, conforme é a lógica do trabalho de orientação voltada à preparação para concursos públicos que venho desenvolvendo, que não é minha intenção impor conclusões ou teses absolutas e definitivas, ainda que tenha as minhas opiniões. Considero, neste sentido, que cabe a cada candidato avaliar o que é melhor para si, a partir de uma avaliação eficiente em termos de custo-benefício.

Por outro lado, este texto também tem a intenção de colher as suas percepções e experiências, consistindo num primeiro ensaio provocativo sobre o tema. Inclusive para que o trabalho de pesquisa e reflexão possa avançar.

Muito bem, superadas as mencionadas considerações iniciais, teoricamente, os exercícios podem exercer, sem prejuízo de outros, os seguintes papéis:

  • apropriação primária;
  • reforço da informação primariamente apropriada;
  • ambientação procedimental-operatória;
  • mapeamento de limitações de conteúdo.

Quanto à apropriação primária, trata-se do processo por meio do qual se apropria primariamente, em termos intelectuais e cognitivos, de uma determinada informação. Ou seja, trata-se da situação na qual aprendemos determinado conceito ou informação no processo de realização do exercício. O papel de reforço consiste na situação, muito comum na preparação para concursos públicos, na qual o candidato, após se apropriar primariamente da informação objeto do exercício, seja por meio de um estudo bibliográfico ou uma aula, passa à realização das questões. Já a ambientação procedimental-operatória envolve a resolução de exercícios enquanto meio para a familiarização com o procedimento de solução de questões, isto é, seria o treino para a prova, inclusive no sentido de estar familiarizado com o processo de raciocínio a ser trabalhado. Por fim, o mapeamento obviamente que tem sua importância para que o candidato identifique eventuais deficiências quanto ao universo de matérias e conteúdos com compõe o seu programa de estudos.

Assim, primeiramente, é fundamental que o candidato compreenda o que pretende com os exercícios. É bem verdade que a referida atividade na preparação para concursos públicos pode exercer funções híbridas, conjugando todas ou parte das mencionadas funções.

Fazendo uma leitura crítica dos possíveis papéis dos exercícios, considero que, na esteira das teorias cognitivistas-piagetianas da aprendizagem, atribuir a esta atividade o papel de apropriação primária não seria muito eficiente.

Segundo as mencionadas concepções, o processo de aprender pauta-se por um fenômeno denominado assimilação e acomodação, para, a partir da consolidação do segundo, alcançar um estado de equilíbrio. A assimilação consiste na checagem do conhecimento novo com o já existente e adquirido, ao passo que a acomodação consiste na efetiva apropriação do novo, por meio da compreensão das diferenças entre a nova informação e a anterior, bem como com a compreensão de sentido, de modo a, em seguida, alcançar o equilíbrio.

Diante desta compreensão, fazer exercícios sem o domínio prévio das premissas conceituais relacionadas ao próprio exercício, ou mesmo dos antecedentes lógicos vinculados ao conteúdo objeto da questão, pode ser ineficiente. Seria tentar fazer uma questão sobre matérias protegidas por cláusulas pétreas (art. 60, §4º da Constituição Federal), sem saber o que são cláusulas pétreas, porque existem, o que é poder constituinte derivado e quais as espécies de constituição quanto à mutabilidade constitucional.

Por outro lado, existem matérias de caráter bastante abstrato, tais como ramos da matemática aplicada, que inclusive para a apropriação primária exigem a adoção de procedimentos operatórios como a realização de exercícios. Neste sentido, considero que não há como aprender matemática financeira ou estatística sem realizar exercícios. Note que no caso o papel de apropriação primária acaba por se confundir com o papel de reforço.

Mas considero, conforme a proposta metodológica que venho sustentado, que a preparação para o concurso público deve ser desenvolvida em duas etapas. Uma primeira voltada à apropriação primária do objeto de conhecimento a ser estudado e outra voltada à apropriação secundária, o que consiste numa fase de manutenção e aperfeiçoamento. Assim, considero, mais uma vez sem a pretensão de ser detentor do monopólio da verdade absoluta, que o momento ideal para os exercícios seria a segunda fase da preparação.

OBS: De modo a facilitar a compreensão e leitura, este post está dividido em duas partes. Deixe suas experiências com os exercícios em forma de comentário no próximo post, clicando neste link.

6 comentários até agora. Deixe o seu.

  1. Prof. Lauro disse:31 ago 2010 às 9:46 pm · Responder

    Olá Prof. Rogério,

    Gostei muito da postagem e concordo com ela integralmente.

    Vale ressaltar que nas semanas que antecedem uma prova objetiva, principalmente de uma banca que cobra memorização, a realização de exercícios revela-se bastante eficiente, pois o exercício estimula uma participação ativa do estudante e afasta o sono da leitura de códigos… sem contar que mostra quais os artigos mais cobrados nos certames.

    Essa estratégia é válida para um mês ou dois meses antes de uma prova objetiva com enfoque na legislação.

    Nada substitui, todavia, o estudo aprofundado e ético, de médio e longo prazos, com aprendizado real dos institutos jurídicos, pois o aprovado em concurso irá realizar uma função pública de relevante valor social, ou seja, irá utilizar o seu aprendizado e discernimento para servir aos cidadãos que pagam impostos com eficiência e eficácia!

    Parabéns por tudo!

    Professor Lauro Guimarães

  2. Isabel Pereira Cavalcante disse:23 set 2010 às 8:43 pm · Responder

    Olá professor Rogério!
    Primeiro gostaria de agradecer sua colaboração tão importante para nós estudantes, eu assistir uma palestra que o senhor fez na UDF, e tenho procurado seguir suas instruções. vou fazer o exame do OAB neste domingo e depois pretendo me dedicar os concursos. Abraço e OBRIGADA!!!!!!!!!!!!

  3. Glauber Britto disse:27 set 2011 às 11:51 pm · Responder

    Excelente artigo, mas acho que, para uma melhor compreensão acerca do tema, torna-se indispensável a leitura do seu livro, pois proporcionará ao candidato uma melhor compreensão da proposta metodológica, bem como o conhecimento de alguns conceitos essenciais que envolvem o tema abordado, assim, intuitivamente, o candidato vai perceber qual a melhor hora para resolver os exercícios.
    Meu medo é que todos os candidatos leiam seu livro e ainda utilizem o Tuctor, o que irá aumentar substancialmente o nível dos candidatos. rs.

    Parabéns pelo excelente trabalho, sobretudo do livro.

    Abraço,

    Glauber Britto.

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