OBS: continuação do texto iniciado na Parte I.
Outro aspecto relevante a ser destacado, quanto aos papéis dos exercícios na preparação para concursos públicos, corresponde à importância da ambientação procedimental e do mapeamento.
Não há dúvida de que a resolução de questões, enquanto uma espécie de treino, colabora com a realização de provas. Tanto pela possibilidade de repetição de questões ou temas cobrados, quanto pela aquisição do hábito de raciocínio e caminhos cognitivos para a busca de solução, aspectos que, inegavelmente, contam com um papel importante, relacionado à ambientação procedimental-operatória.
Porém, considero que a condição para a adoção deste recurso deveria ser a eficácia atividade intelectual desenvolvida na realização dos exercícios, o que afastaria o papel de apropriação primária, conforme já sustentado. Assim, voltamos à grande questão envolvendo o domínio e estudo prévio dos conteúdos objeto dos exercícios, bem como a eficiência e a disponibilidade de tempo para os estudos, sendo necessário avaliar se, efetivamente, vale a pena o investimento nesta atividade.
Cabe também chamar destacar o papel dos exercícios enquanto meio de mapeamento de deficiências e limitações, considerando os conteúdos previstos no edital do concurso público e passíveis de cobrança nas provas. Tal função pode ser de grande importância para que o candidato identifique determinados temas que contam com fragilidade e domínio intelectual precário.
Ainda refletindo sobre o papel dos exercícios, é fundamental uma avaliação a partir da noção dos estilos de aprendizagem, os quais correspondem ao teórico, reflexivo, ativo e pragmático. Naturalmente que o referido recurso não terá a mesma repercussão para todos os candidatos, inclusive considerando suas particularidades em termos de estilos de aprendizagem.
Aliás, este é apenas mais um motivo que invoco para sustentar que a compreensão e desenvolvimento do complexo processo de preparação para concursos públicos não comporta fórmulas mágicas, fechadas, prontas e acabadas. É preciso considerar e respeitar as peculiaridades de cada candidato.
Outra preocupação merecedora de destaque consiste no comportamento de fazer dos exercícios uma verdadeira competição, espírito que acaba por provocar frustrações diante da constatação do erro. Definitivamente, tenho a convicção de que a realização de exercícios na preparação para concursos públicos não pode ser encarada com o espírito competitivo. Aliás, como venho sustentando a tese da preparação para concursos públicos com alto rendimento, esclareço que este conceito não se confunde com a idéia do espírito competitivo, mas sim do planejamento e da disciplina na implementação de esforços voltados à busca da aprovação.
Inclusive, saliento que o erro, devidamente trabalhado e compreendido, tem um papel muito importante na aprendizagem. Segundo sustenta a Profa. Evelise Portilho, psicopedagoga, docente da PUC-PR e autora de obra sobre o tema da aprendizagem, “a visão construtivista da aprendizagem tem sua origem na tomada de consciência dos fracassos ou dos desequilíbrios entre as representações e a realidade. Este ponto da teoria piagetiana vem contrapor a crença de que não se podiam cometer erros para aprender.”
Portanto, é fundamental entender os exercícios muito mais como uma oportunidade para a compreensão dos erros, do que uma para uma busca do acerto. Este espírito de compromisso com o acerto deve predominar apenas nas provsa. E com certo cuidado, o que se trata de tema merecedor de outro texto.
Cabe também tecer considerações sobre a relação entre a atividade de exercícios e as modalidades de memória. Isto é, o candidato precisa compreender se a sua intenção é que os exercícios envolvam a mobilização de informações apropriadas enquanto memórias de curto prazo ou de longo prazo? De modo a tentar encontrar uma resposta, considero que a realização de exercícios enquanto mecanismo de reforço, já tendo o candidato se apropriado previamente dos conteúdos objeto das questões, tende a se tornar memória de longo prazo, ao passo que, cumprindo o papel de apropriação primária, sem a realização do estudo prévio por algum outro processo cognitivo, tende a constituir memória de curto prazo.
Inclusive, desenvolvi construções e ponderações mais explicadas e aprofundadas no livro que lancei recentemente, publicado pela Editora Método, que leva o título “Como se Preparar para Concursos Públicos com Alto Rendimento”. Não posso deixar de sugerir a leitura.
Porém, diante de todas as ponderações apresentadas, a intenção principal desse texto é que procure entender o sentido da realização de exercícios na preparação para o concurso público. Evite atribuir a esta atividade a tábua de salvação que garantirá a sua aprovação, , de forma não refletida. Evite imprimir o espírito competitivo na solução de questões, vendo nesta tarefa uma oportunidade de aprendizado, sem um compromisso absoluto e rígido com o acerto. E procure, de maneira bem avaliada, adotar caminhos que se traduzam em eficiência.
Sucesso nos estudos e, principalmente, nos “exercícios” que fará no momento da prova!
PS: Deixe abaixo, em forma de comentário, a sua opinião e experiência com a realização de exercícios.











9 comentários até agora. Deixe o seu.
Parabens Professor pelo belo trabalho e análise técnica acerca da realização de exercícios e a forma de potencializar a fixação do conteúdo.
Prof. Rogério,
Achei bem esclarecedora a parte do texto relativa às memórias de longo prazo e de curso prazo. Parabéns!
Abçs
Cristiane
OLÁ,
(O AUTOR PEDE UM RELATO DA EXPERIÊNCIA COM EXERCÍCIOS)
O que é muito notório no estudo é que assimilamos os tópicos que nos proporcionam mais afinidade por algum motivo. Falo melhor: se o tópicos de estudo lhe parece de fácil concepção, você acaba assimilando maior percentagem do conteúdo. Os motivos são evidentes:1. Trabalha com a matéria estudada; 2. Teve algum caso envolvendo tal assunto; 3. Teve um excelente professor na faculdade sobre o tema; enfim, …..
Para o concurso interessa a correta marcação da questão, por isso precisamos ter um “desconfiômetro” do que efetivamente estamos aprendendo certo.
Espero ter contribuído.
Quem ler, faça algum comentário – POR FAVOR.
Michel Borges – De Brasília.
Olá!
Me formei em Direito em 2007, e desde que entrei na faculdade, sempre estudei para concursos.
No início, o processo de apreensão das informações eram bem precárias, tendo em vista que eu enfrentava problemas pessoais que me tomavam toda a atenção, conseqüentemente, a minha concentração era de péssima qualidade.
Contudo, retomando os estudos direcionados para concursos públicos, acredito que acabei aprendendo algumas matérias pelo chamado processo “osmótico”, pois quando inicio a leitura de tais matérias, tudo vem à tona!
Para complementar, concluo meu comentário dizendo que a resolução de questões como forma de apreensão de conteúdo é de fundamental importância, uma vez que faz uma varredura nessa máquina maravilhosa chamada cérebro, nos fazendo entender que nada foi em vão, e boa parte das informações adquiridas ao longo do tempo, estão ali, bem guardadinhas, em algum lugar desse maravilhoso universo envolto por uma massa cinzenta.
Olá, Professor!
Essa matéria não poderia ter vindo em melhor hora! Exatamente hoje estava muito frustrada com a quantidade de erros nos exercícios que fazia. Estava competindo comigo mesma!
Agora, mais calma, posso perceber que a natureza da resolução é exatamente obter mais conhecimento.
Muito obrigada!
Deus o abençoe!
Professor Rogerio Neiva
Parabens pelo ótimo trabalho em prol de quem almeja um cargo publico atraves de concurso.
Acrescentaria mais um papel dos exercicios na preparação para concurso: o de mapeamento do que vem sendo cobrado e qual enfase é dada aos assuntos estudados, podendo assim concentrar mais os estudos nos topicos que vem sendo mais cobrados.
Abçs
Boa observação Senton!
Apenas pondero que há um risco em se seguir pelas tendências estatísticas. O último concurso de Procurador da República foi um lamentável exemplo disto.
Mas nunca deixará de ser no mínimo um parâmetro. Principalmente diante da limitação de tempo.
Abcs!
Professor, o impacto do processo de aprendizagem em relação ao exercícios comentados é bastante distinto da simples realização dos exercícios com posterior conferência de gabarito na minha opinião.
Seria interessante alguma menção aos exercícios comentados, pois acredito que estes possuem o condão de despertar a curiosidade e, logo após, expor o tema.
Obrigado pelo maravilhoso texto!
Abraços
Menções deste artigo em outros sites: