Concursos Públicos e Festas de Fim de Ano: o que fazer?

Concursos Públicos e Festas de Fim de Ano motivação

Estamos vivendo um momento de festas e virada de ano. Neste contexto, é natural que muitos candidatos a concursos públicos estejam avaliando o que fazer. Ou seja, manter o ritmo que vem sendo adotado, paralisar completamente ou diminuir a intensidade, flexibilizando a rotina de estudos. A intenção do presente texto consiste em tecer algumas considerações quanto aos referidos dilemas.

Neste sentido, em relação ao impacto das possibilidades de atitudes levantadas no processo de preparação para o concurso público, há três aspectos de grande relevância a considerar. Um envolve a disciplina e outro o custo na execução do plano de estudos. Há ainda um alerta necessário quanto à memória.

Em relação à disciplina, esta consiste em elemento fundamental para o êxito de qualquer empreitada que pretenda a aprovação no concurso público. No âmbito das construções e sistematizações que venho desenvolvendo sobre a preparação para concursos públicos, como por exemplo no livro que lancei recentemente pela Editora Método (Como se Preparar para Concursos Públicos com Alto Rendimento), a disciplina nos estudos é trabalhada enquanto um dos pilares da gestão das condições emocionais da preparação.

E uma dos mecanismos determinantes para o alcance e manutenção de disciplina consiste na lógica do condicionamento. As construções estabelecidas no âmbito da psicologia, tendo em Ivan Pavlov e Frederic Skinner alguns de seus expoentes, contam com fundamentos de sobra para a explicação do referido fenômeno. Mas o fato é que quanto mais o candidato se mantém empenhado na sua rotina de estudos, menor tende a ser o desgaste e a percepção de desgaste e esforço intelectual nos estudos.

E assim, isto repercute em diversos aspectos, tais como a capacidade de concentração, mecanização do deslocamento para biblioteca ou outro local de estudo, facilidade nos processos cognitivos de apropriação das informações estudadas e mesmo redução do cansaço gerado ao longo da rotina de estudo. No entanto, a interrupção destas atividades tende a comprometer esta lógica de condicionamento, e, naturalmente os seus efeitos positivos.

No âmbito da atividade esportiva ocorre uma lógica bastante semelhante. Há uma passagem no livro do Técnico Bernardinho (“Transformando Suor em Ouro”, Ed. Sextante), que narra uma situação na qual, logo após a conquista de um título importante pela Seleção Brasileira, estando de passagem numa determinada cidade, levou os jogadores para treinar num estacionamento, o que gerou revolta de todos, que se consideravam no direito ao descanso. Uma das preocupações consideradas envolveu o custo de comprometimento nas capacidades de esforço dos atletas, em função da interrupção dos treinos.

Aliás, a expressão Preparação de Alto Rendimento vem de uma tentativa de apropriação de construções e conceitos adotados no Esporte de Alto Rendimento, que tem como um de seus pilares fundamentais o planejamento, monitoramento e controle.

Não obstante tais ponderações, isto não significa que a interrupção de um dia na rotina de estudos implique em comprometimento da disciplina e dos benefícios do condicionamento no campo cognitivo. Contudo, não há uma fórmula que mensure a partir de quanto tempo de paralisação entraria em ação o referido efeito.

Inclusive, pausas podem ser tidas por bem vindas. Mas desde que no limite de não comprometer o condicionamento do candidato.

Como disse, não tenho uma fórmula sistematizada e racionalizada que indique até quantos dias de paralisação da rotina de estudos o candidato poderia se permitir. Até gostaria de ter esta fórmula, inclusive pelo hábito que tenho de sempre procurar racionalizar, sistematizar e mensurar tudo.

Mas a intenção é provocar a reflexão, no sentido de que tal avaliação seja realizada de modo particular e subjetivo por cada um. Confesso que durante a minha trajetória de candidato, neste período de festas, não me permitia paralisar minha rotina de estudos por mais de um dia. Esta era a minha percepção do meu limite.

Além do condicionamento, outro aspecto a ser considerado para as paralisações neste contexto festivo de virada de ano consiste no tamanho do comprometimento da pausa, quanto à execução do plano de estudos. Naturalmente que esta ponderação somente faz sentido para candidatos que empreendem sua preparação de forma planificada. Quem não tem planejamento de estudos, não tem como avaliar este aspecto.

Mas objetivamente, o que quero dizer com isto é que o candidato precisa ter alguma noção de quanto custa a paralisação para a execução de seu plano e a situação na qual se encontra. Por exemplo, temos uma série de provas marcadas para janeiro e fevereiro de 2011, para diversos cargos em todo o país. Se o candidato tem um plano de estudos, tendo ainda como meta concluir a execução deste plano até a data da prova, a pergunta é: qual será o comprometimento para o alcance da referida meta, pela paralisação da execução do plano em função das festas de fim de ano?

Não preciso dizer que para aqueles que são usuários do Sistema Tuctor, esta resposta é encontrada sem maiores dificuldades. Inclusive, na nova versão do sistema (clique aqui para informações da nova versão do Tuctor) estaremos inserindo algumas funções de equalização ativa do planejamento de estudos, as quais facilitarão ainda mais respostas como esta.

Porém, independente da condição de usuário do sistema, o candidato de alguma forma precisa fazer a referida reflexão e tentar encontrar a resposta.

Uma última ponderação que faço, ainda em função do contexto festivo atual, envolve o consumo de álcool. Não quero repetir aqui conselhos de guru ou reproduzir aquilo que sabiamente profissionais da saúde sustentam.

Como tento ser pragmático e racional, somente faço uma ponderação: memórias são frutos de processos bioquímicos! Memórias decorrem de trocas de neurotransmissores (substâncias bioquímicas) entre os neurônios. Dizer que o álcool, uma substância química que impacta na fisiologia cerebral, não tem repercussão na memória, seja de curto ou longo prazo, trata-se de ilusão.

Longe de mim sustentar que o álcool tenha causalidade direta e necessária com a amnésia ou alguma outra patologia da memória. Mas indiferente não é.

Também não quero dizer com isto que o candidato a concursos públicos não possa se dar o direito de beber nas festividades de fim de ano. E reconheço que alguns podem terminar a leitura deste texto pensado que minha intenção é provocar peso na consciência e desestimular uma pequena pausa de fim de ano.

Mas se esta é sua compreensão, por mim tudo bem. Pode até ficar chateado(a) comigo. Alguém tem que fazer este papel. Mas a intenção é apenas de provocar uma reflexão racional, voltada ao estabelecimento de decisões e atitudes eficientes.

Boas festas!

4 comentários até agora. Deixe o seu.

  1. Carla Cristina disse:21 dez 2010 às 11:30 am · Responder

    É Prof, que sabão! Nem imaginava que deveria considerar tudo isto…Agora vou repensar minha atitude quanto ao que iria fazer agora no fim do ano.
    Obrigado por mais este balde de racionalidade para os concurseiros!
    Boas festas para você e sua família também!

  2. Antonio Carlos disse:21 dez 2010 às 11:45 am · Responder

    Dr Neiva, como o Sr tem fórmula e método para tudo, bem que podia ter também esta fórmula para calcular em até quantos dias sem estudar o condicionamento não é comprometido.
    Mas foi boa a provocação e as informações do texto. Vou pensar nisto!
    Abraços e boas festas!

  3. Helga Maria disse:21 dez 2010 às 12:01 pm · Responder

    Ótimo texto. :D Vem bem a calhar mesmo.

Menções deste artigo em outros sites:

  1. Festas de fim de ano 2012 pausa e concursos públicos | Concursos Públicos Prof Rogerio Neiva

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