Caro Prof Rogerio Neiva,
Inicialmente, gostaria de agradecer pelas informações disponíveis no seu blog, do qual sou um leitor assíduo. Assisti uma palestra que deu em São Paulo e em seguida adquiri e li o seu livro sobre preparação para concursos. Também tive a felicidade de posteriormente assistir o DVD.
Vários conceitos, dicas e técnicas sugeridas resolvi adotar para aperfeiçoar a minha preparação. Inclusive me convenci de que estava cometendo alguns erros estratégicos e táticos (adotando a linguagem que você utiliza), sendo que já fiz os devidos ajustes de correção.
Além disto, me prometi que no começo de 2010 vou adquirir a minha conta de estudos no Tuctor e começar a utilizar o sistema.
Porém, a minha grande dificuldade muitas vezes é que me sinto desmotivado e angustiado. Fico desanimado para me manter estudando. Já estou há algum tempo nesta rotina de estudos. Pretendo alcançar um cargo da carreira fiscal. Fiz os concursos de Analista e Auditor da Receita Federal recentemente. Até que me saí melhor do que esperava. Contudo, acho que dificilmente irei passar. Agora estou centrado no concurso de Auditor do Ministério do Trabalho.
Diante de tudo isto, a minha grande dúvida e pergunta é: como fazer para se manter motivado e não desanimar? Como se motivar para não desistir dos estudos ou não diminuir o ritmo?
Sei que você já teve muitos alunos e acompanhou muitas pessoas que viveram todo este processo. Além de ter passado por esta vida de candidato. Também vi que no livro e no DVD trabalha alguns conceitos sobre motivação para concursos.
Mas gostaria de saber se poderia me ajudar, dando uma injeção de ânimo.
No mais, reitero meus agradecimentos por tudo e não esquecerei de lhe incluir na lista de pessoas que vou avisar da minha aprovação, quando este dia chegar.
Abraços,
Antonio Carlos
Meu caro Antonio Carlos,
Esta sua dúvida e angústia seguramente afeta inúmeros outros candidatos. E não posso negar que me afetava. Assim, considero que mereça mais do que uma mera resposta. Merece um pequeno texto.
Inicialmente saliento que este tema tem grande importância no âmbito da preparação para concursos públicos. Não sendo bem administrada a preocupação que está por trás do referido assunto, o caminho natural, infelizmente, acaba sendo o abandono dos estudos e da busca da carreira pública pretendida.
Por outro lado, trata-se de um tema complexo, que pode ser trabalhado com a utilização de conceitos que vão muito além do aspecto empírico e do “achismo” do senso comum. É bem verdade que a experiência e os conselhos de quem efetivamente passou por isto e superou são relevantes. Mas existem construções, inclusive de caráter científico, de grande utilidade e que podem ser trabalhas para a superação das referidas dificuldades, as quais naturalmente são inerentes ao processo de preparação para concursos públicos.
A primeira idéia fundamental é que alguns candidatos não se preocupam com os aspectos emocionais da preparação. Por vezes ignoram a sua importância ou o tratam como sendo irrelevantes. No entanto, ainda que o candidato não aceite, tal preocupação exige cuidado e atenção. E esta compreensão conta com diversos fundamentos.
As condições emocionais da preparação são determinantes para a implementação dos esforços e sacrifícios inerentes ao referido processo. Ou seja, trata-se do combustível necessário à execução do nosso plano de estudos.
Mas além da importância para a gestão e implementação do planejamento da preparação, no âmbito das ciências cognitivas, se há algo consensual atualmente é que as emoções contam com um papel determinante no processo de aprendizagem.
Por um lado, temos um potencial muito maior para nos apropriamos das informações em relação às quais temos interesse, ou seja, temos mais facilidade em aprender aquilo que atribuímos importância. Por outro lado, o sentido que conferimos aos objetos do conhecimento, em termos de emoções vivenciadas na aprendizagem, tende a proporcionar uma eficiência maior neste processo. Reproduzindo um exemplo de um grande psicopedagogo que uma vez ouvi, por que será que normalmente temos mais facilidade em nos lembrar da lógica da brincadeira de pique-esconde, do que da raiz quadrada de 16 na base de 2? Porque o pique-esconde, em termos de emoções vivenciadas, conta com um sentido muito maior para nós.
Portanto, as condições emocionais são fundamentais. E faço esta afirmação baseado não apenas num componente de natureza empírica, mas principalmente de caráter científico. Isto é, ainda que o candidato não aceite, tal elemento, cientificamente falando, é fundamental!
E, me encaminhando mais diretamente à resposta, como trabalhar as condições emocionais da preparação? No meu livro, “Concursos Públicos e Exames Oficiais: Preparação Estratégica, Eficiente e Racional” (Ed. Atlas), desenvolvi o lado emocional de preparação em torno quatro pilares fundamentais: motivação, crença na aprovação, disciplina e perseverança. No livro e no DVD da Palestra desenvolvi todos estes conceitos de forma mais analítica e aprofundada. Mas diante do objeto da pergunta, neste post irei me centrar na motivação.
Existem diversos conceitos e construções para explicar o que é e o sentido da motivação. Considerando a finalidade deste texto, tomemos como conceito a idéia de que motivação consiste no fator determinante para a adoção de um comportamento, ou seja, tem relação com o nível de envolvimento e atenção dispensados numa determinada ação.
No contexto pós-revolução industrial, sob o paradigma da Administração Científica, muitas pessoas achavam que o elemento determinante para a produtividade de um trabalhador era a sua qualificação. No entanto, depois de um tempo, percebeu-se que havia outro elemento não mensurável e ainda mais importante: a motivação.
Existem dois grupos de teorias que explicam as fontes de nossas motivações. Trata-se da teoria da motivação por conteúdo e a teoria da motivação por processo.
A motivação por conteúdo baseia-se num conceito denominado teoria das necessidades, desenvolvido por um respeitado e conhecido psicólogo chamado Abham Maslow. Segundo esta teoria, o ser humano tem cinco necessidades hierarquizadas, quais sejam: fisiológicas, segurança, sociais, estima e auto-realização. Assim, pode ser que você queira passar no concurso pela estabilidade e busque segurança, pode ser que pretenda alcançar reconhecimento e busque satisfazer uma necessidade de estima, pode ser que queira ser útil à sociedade e queira atender a necessidade de auto-realização, e pode ser que pretenda atender todas as necessidades conjuntamente.
Já a motivação por processo envolve a idéia de que o ser humano conta com a natural característica de definir e viver em busca do alcance de metas. Uma das estratégias adotadas no tratamento da depressão consiste no estabelecimento de metas. Mas estas precisam contar com algumas características, tais como: viabilidade, para que se tenha a compreensão da possibilidade de alcance; caráter desafiador, para que atingir a meta proporcione satisfação; compromisso, o que se consegue quando a meta faz sentido; feedback, de modo a avaliar se a implementação do esforço está nos levando em direção ao alcance do nosso objetivo.
E como aplicar estes conceitos à preparação para o concurso público ou exame?
Ao ter a compreensão da necessidade que se pretende satisfazer com a aprovação no concurso público, o candidato está trabalhando com a motivação por conteúdo. Ou seja, é preciso que você tenha a clareza da resposta à seguinte pergunta: por que quero passar? Quais necessidades pretendo satisfazer? Além disto, também é importante que se promovam reflexões e pensamentos que retratem o alcance desta necessidade identificada.
Por outro lado, ao estabelecer um planejamento da preparação de maneira adequada, contando com a definição de objetivo, programa, fontes de estudo, levantamento do tempo e alocação de matérias, você está trabalhando com motivação processo. E mais, também é fundamental contar com feedback.
Neste sentido, o sistema TUCTOR pode proporcionar uma grande contribuição, principalmente no tocante à motivação por processo. Adquirindo a sua conta de estudos, o candidato passa a ter um preciso planejamento da preparação de estudos, bem como o monitorar por meio de uma série de indicadores. Isto significa que passa a ter rotinas diárias e semanais pré-estabelecidas, bem como metas de curto prazo, correspondentes ao alcance ou superação dos indicadores de metas de desempenho estabelecidos pelo sistema. Ao alimentar a conta de estudos, os resultados apresentados pelo se traduzem num relevante meio de feedback, mostrando ao usuários se o seu esforço o leva na direção do alcance da aprovação.
Assim, tomando as atitudes sugeridas e compreendendo a importância da gestão do lado emocional da preparação, você estará assegurando a viabilização de meios para se manter motivado. E com isto, criará condições fundamentais para implementação do seu plano de estudos e alcance de aprovação!
Sucesso e estarei no aguardo do seu depoimento para o Relato do Candidato de Êxito!
Rogerio Neiva











2 comentários até agora. Deixe o seu.
Bom dia Professor,
- Comprei o livro e já o li até a metade numa sentada hoje pela manhã.
- São dicas cirúrgicas. Muito bom.
- Parabéns.
- Este não é um livro para ser lido apenas no momento que antecede à preparação, mas antes e durante. Quando da sua resposta ao post do colega, o que fazes é uma reprodução do texto contido no livro. Portanto, reafirmo a necessidade de uma imersão em tão valoroso conteúdo antes e durante a preparação.
- Saúde a todos.
Boa tarde Professor,
Como faço para comprar seu livro, pois me desanimo sempre no meio dos meus estudos me ajude
obrigada
Abraços