Motivação e Fracionamento do Plano de Estudos: repercussões emocionais

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O fracionamento ou segmentação do plano de estudos para concursos públicos e exames pode ter relevantes repercussões positivas, inclusive no campo da gestão das condições emocionais do processo de preparação.

A idéia de segmentação ou fracionamento do planejamento conta com diversos sentidos. No texto “Precisão Gerencial do Plano de Estudos”  foram abordados aspectos relacionados à gestão do monitoramento e controle da execução do planejamento (clique aqui para ler o texto). Porém, também existem relevantes repercussões no campo da gestão das condições emocionais.

Primeiramente, cabe esclarecer que, conforme as construções da Teoria Geral do Tuctor, enquanto um conjunto de conceitos voltados à gestão do processo de preparação para o concurso público, existem duas grandes modalidades de fragmentação do plano de estudos.

A primeira consiste na compreensão das Unidades de Estudos (UE), as quais correspondem às células gerenciais elementares do planejamento, sendo estabelecidas a partir das Fontes de Estudo. Conforme o Glossário do Sistema Tuctor, trata-se da “menor unidade gerencial do planejamento da preparação e decorre da natureza da Fonte de Estudo”. Assim, se a Fonte de Estudo for uma fonte bibliográfica, a Unidade de Estudo será uma página, se for um curso preparatório na web, a Unidade de Estudo será uma única aula, se for uma legislação, poderá ser um único dispositivo. Ou seja, a Unidade de Estudo (UE) consiste no objeto de fragmentação de uma determinada Fonte de Estudo, passível de identificação isolada e quantificação, isto é, definição de quantidade. Também é importante que se possa mensurar a estimativa de tempo de uma Unidade de Estudo, ou seja, o Tempo por Unidade de Estudo (TUE). (clique aqui para ler o Glossário do Sistema Tuctor)

Outra modalidade de fragmentação do plano de estudos consiste na Unidade de Conteúdo (UC). Segundo o Glossário do Sistema Tuctor, a UC “consiste na menor unidade do conjunto de conteúdos de uma Matéria que faz parte de determinado Programa.  Trata-se dos itens temáticos que podem ser fracionados, ou seja,temas ou microtemas”.

Existem diversos fundamentos indicativos da importância da adoção das referidas modalidades de fragmentação, para efeito de monitoramento e controle da execução do plano de estudos, o que envolve os aspectos gerenciais. Mas qual seria a relevância da fragmentação para a gestão das condições emocionais da preparação para o concurso público?

Um primeiro fundamento importante consiste na idéia de que a fragmentação do planejamento de estudos permite a definição de metas de curto prazo, o que tem papel fundamental em termos motivacionais. As teorias da motivação por processo têm como base exatamente o estabelecimento de metas.

Inclusive, tal compreensão se relaciona com a noção da preparação para concursos baseada no foco no processo, a qual não se confunde com a lógica do foco no resultado, o que acaba por gerar angústias e frustrações nos candidatos (clique aqui para ler o texto Preparação para Concursos e Foco no Processo).

Outro aspecto ainda relacionado ao plano motivacional consiste no recebimento de feedbacks que a fragmentação do plano de estudos proporciona. Segundo o psicólogo Segundo Paul Spector, “…o feedback é necessário porque permite que as pessoas saibam se o seu comportamento as está levando ou não na direção de seus objetivos Spector” (Psicologia nas organizações. São Paulo: Saraiva, 2006, pág. 304).

Além dos mencionados aspectos apresentados sobre as repercussões emocionais, outro fundamento importante envolve a relação entre o tempo e o processo de apropriação do conhecimento, conforme propõe as construções da Andragogia.

Vale esclarecer que a Andragogia tem como objeto o estudo da educação de adultos, diferentemente da Pedagogia, a qual é centrada na educação de crianças. Muitos cursos preparatórios para concursos criam o cargo de coordenador pedagógico, o que consiste em impropriedade técnica e científica, pois tais instituições não trabalham com processos educacionais de crianças, mas de adultos. Assim, a nomenclatura do cargo deveria ser “Coordenador Andragógico”, o que talvez não seja adotado por ignorância ou pela pouca familiaridade ou simpatia com o nome.

Mas o fato é que, segundo Allan Gibb, um dos teóricos da Andragogia, na educação de adultos ocorre uma mudança na perspectiva da dimensão do tempo no âmbito do processo de aprendizagem, havendo a intensa – e por vezes angustiante, preocupação com a aplicação imediata do objeto de conhecimento. Conforme exemplo que tomo emprestado do Prof Marcelo Porto, Doutor em Psicologia e Professor de Psicologia do Desenvolvimento – e autor do prefácio do livro de minha autoria sobre a preparação para concursos (“Como se Preparar para Concursos com Alto Rendimento”, Ed Método), quando a criança indaga ao professor o motivo para ter que aprender a raiz quadrada de 16 na base de 2, terá a resposta de que um dia precisará deste conhecimento. Porém, no caso do adulto, a referida resposta não serve, pois este dia já chegou. Daí o sentido do imediatismo.

E com o candidato a concursos públicos não é diferente.

Neste sentido, a fragmentação do plano de estudos tende a neutralizar esta angústia imediatista. Se ao estudar Direito Constitucional fragmento o tema “Competências Legislativas” em competência privativa da União, competência concorrente e competência comum, não tratando como um único tema (Competências Legislativas), há uma tendência a me proporcionar maior sensação de avanço, principalmente se a cada semana estudo um dos temas objeto da fragmentação. Do contrário, encarando e planejando como um tema só (Competências Legislativas), no mesmo ritmo de estudo, demoraria três semanas para saber que dei mais um passo.

Ou seja, além da precisão gerencial, a fragmentação do plano de estudos tende a provocar relevantes repercussões emocionais, principalmente se somadas ao longo de todo o processo de preparação para o concurso público.

Portanto, procure refletir sobre a importância da fragmentação do seu plano de estudos, tendo o cuidado não apenas de aperfeiçoar a estruturação e execução do planejamento, mas também de modo a promover a adequada gestão das condições emocionais.

8 comentários até agora. Deixe o seu.

  1. Silvania Rodriues disse:26 abr 2011 às 5:02 pm · Responder

    Só tenho a agadecer por estas dicas tão valiosas.
    Na verdade, sempre que meus pensamentos tomam outra direção, que não a do conteúdo dos estudos, e que depois de algum tempo se volta novamente para os livros, dou conta que poderia pensar em qualquer coisa em outra hora, que não as dos etudos, porque acaba se passando tanto tempo com a indisciplina dos pensamentos e quando percebo já perdi tanto conhecimento que fico desistimulada em puxar o fio da meada novamente.
    Mas agora com esssas dicas maravilhosas irei exercitar mais o interesse pelos meu objtivo de passar na prova da OAB.
    Grata

  2. Raphael Barros disse:25 ago 2011 às 3:11 pm · Responder

    Parabéns pela iniciativa. Saber muitos sabem, mas passar adiante o que sabemos são para poucos, além de ser um Dom Divino. Que Deus te abençoe, te dê motivação e disposição para continuar publicando dicas e textos para pessoas que assim como você sonham em um dia conquistar um lugar através do estudo. Sucesso.

  3. fabiana disse:28 jun 2012 às 11:20 am · Responder

    Fiquei com uma dúvida sobre a sub divisão dos conteúdos – o que ocorre é que se por um lado, segmentar em sub tópicos pode dar a impressão e avançar mais rapidamente nas matérias, por outro lado, tem-se a impressão de que a matéria ficou ainda mais extensa, com tantos sub itens! E isso também me gera uma angústia enorme, já que ao ver o volume de conteúdo fico um tanto desanimada.

    Adorei o site. Vou voltar sempre.
    Muito obrigada,

    Fabiana

    • Rogerio Neiva disse:28 jun 2012 às 11:42 pm · Responder

      Cara Fabiana,
      Agradeço o comentário e o feedback.
      Sua observação faz todo o sentido. E mostra que há um trade-off aí, ou seja, um dilema que exige uma solução pautada na proporcionalidade e razoabilidade.
      A fragmentação envolve um aspecto gerencial e motivacional.
      No plano gerencial, sempre temos um dilema que envolve, de um lado, precisão gerencial e, do outro, custo de gestão.
      A mesma lógica se aplica ao aspecto motivacional. Ou seja, não promover nenhuma fragmentação pode gerar a sensação de que a matéria não é tão grande, a qual seria ilusória, mas tende a gerar frustração ao não se perceber avanços. Fragmentar em excesso também, como vc falou, pode gerar um desânimo com o tamanho da matéria.
      A questão é encontrar um meio termo razoável.
      Abcs!

  4. Carlos Eduardo Gentil disse:10 set 2012 às 1:12 pm · Responder

    Caro semeador de conhecimentos, apenas uma correção para abrilhantar ainda mais seus textos tão ricos de sabedoria e motivação o termo correto seria Andragogia e não Adragogia como digitado no texto( com certeza por um lapso na digitação).
    abraço.

    • Rogerio Neiva disse:11 set 2012 às 1:16 am · Responder

      Obrigado pela observação Eduardo. Já está corrigido o erro de digitação. Abcs!

  5. Jony Cristovam de Santana disse:23 abr 2013 às 6:27 pm · Responder

    Parabéns, gostei muito e, de cara, vai me ajudar muito.
    Obrigado!

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