Eliminação da Copa do Mundo e Concursos Públicos? Qual a relação entre estes temas aparentemente tão distintos? Inclusive, qual a pertinência de lembrar desta amarga eliminação que deveria ser esquecida? Muito bem, existem duas idéias fundamentais que permitem enxergar a relação entre os dois assuntos. A primeira consiste no significado que eventos de periodicidade definida como a Copa do Mundo podem representar enquanto marco temporal no processo de preparação. A segunda idéia consiste em como encarar a aparente competitividade no âmbito da busca da aprovação no concurso público.
Quanto à primeira idéia, no texto anterior no qual relacionava o tema dos concursos públicos com a Copa do Mundo, procurava destacar o fato de que se nesta Copa você não figurava no rol dos aprovados, titularizado no cargo público almejado – situação em que me encontrava nas Copas de 1998 e 2002, seria importante trabalhar a perspectiva de que na próxima competição estaria na referida condição – situação na qual me encontrava na Copa de 2006. No fundo, estava propondo a criação de um marco temporal e psicológico, baseado em um dado real, concreto e carregado de significado para todos nós.
E assim, também demonstrava o sentido deste marco a partir da minha experiência de candidato.
Mas para nós esta Copa acabou! Não era o que gostaríamos ou pretendíamos. Porém, para os candidatos que nesta Copa tiveram que dividir os jogos com os estudos, seja na sala de aula ou na biblioteca, a partir de agora foi dada a largada. Ou seja, a partir de agora a meta é a seguinte: “na próxima Copa não estarei dividindo os jogos com os estudos!”. E detalhe, vale lembrar que a próxima será no Brasil.
Seguramente esta compreensão no mínimo colabora ao estabelecer uma meta psicológica de médio prazo, bem como, ao criar um marco temporal concreto, fazer com que a preparação para o concurso público não seja um processo a perder de vista.
A segunda idéia fundamental, a qual permite a identificação da relação entre os temas levantados (eliminação da Copa e concursos públicos), é que segundo a Teoria dos Jogos – um ramo da matemática aplicada, voltada ao estudo da tomada de decisões estratégicas em relações interativas, em competições desportivas como a Copa do Mundo prevalece a lógica do jogo competitivo, ou seja, do jogo de soma zero. Assim, para que um jogador ganhe é preciso que o outro perca. E no caso atual, infelizmente, a nossa Seleção foi este outro jogador.
Contudo, no âmbito do concurso público é diferente.
Isto é, quem não passa não foi eliminado da disputa pelo “adversário”. Foi por si mesmo. Quem não conquista o cargo almejado em determinado concurso público, não foi eliminado pelo concorrente, mas por si mesmo. É bem verdade que existem concursos com número bastante limitado de vagas, disputadas por candidatos extremamente bem preparados, nos quais efetivamente há alguma disputa mais direta. Mas se trata de exceção.
Aliás, em exames oficiais como o da OAB, sequer existem vagas limitadas.
Portanto, o concurso público geralmente não é um jogo de soma zero, envolvendo disputa direta de candidato com candidato. E diante desta compreensão, qual seria a sua utilidade?
A utilidade é que o candidato precisa entender que o seu único “adversário” é ele mesmo. Como ninguém é adversário de si mesmo, e sim aliado, não haveria a necessidade de se preocupar com adversários.
Tal percepção é importante para que se entenda, por um lado, a viabilidade da aprovação, de modo a não se preocupar com aquilo que é divulgado como concorrência. Inclusive, deveria existir uma classificação separando quem é efetivamente candidato, que se prepara e vai para a prova comprometido com o concurso público, daquele que seria apenas mais um inscrito, o qual muitas vezes sequer vai fazer a prova, encontrando-se complemente despreparado e descomprometido, somente inflando as estatísticas de inscrições.
Por outro lado, a presente compreensão da dinâmica do concurso público, no sentido de não contar com a lógica dos jogos competitivos, também é fundamental para que o candidato passe a trabalhar com uma perspectiva intrapessoal, de modo a permanecer envolvido com o seu próprio processo de preparação e focado na execução do seu plano de estudos. Ou seja, para que não olhe para os lados, onde estaria a imaginada concorrência, e passe a olhar apenas para si próprio.
Dessa maneira, a aprovação acaba por vir enquanto uma conseqüência natural. Enquanto resultado da implementação de um planejamento da preparação adequadamente estruturado e devidamente monitorado, com disciplina e compromisso. Isto é, aquilo que denomino de Preparação de Alto Rendimento, pautada na gestão de três pilares fundamentais, que envolvem o planejamento, a aprendizagem e a gestão das condições emocionais.
Boa preparação e torço para que na próxima Copa você assista estando no time dos aprovados!










