Cada vez mais se fortalece a compreensão de que a aprovação em concursos públicos e exames tem na estruturação do plano de estudos uma condição fundamental. Provavelmente em função desta idéia, atualmente existem várias propostas metodológicas para a montagem do planejamento da preparação.
Dentre tais metodologias, algumas contam com um caráter puramente empírico, fruto de experiências pessoais, sendo que outras são desenvolvidas de forma fundamentada, a partir da aplicação de conceitos técnicos de campos do conhecimento voltados a processos de gestão. Existem metodologias propostas por aqueles que não foram aprovados em algum concurso público, bem como outras foram desenvolvidas a partir da vivência na preparação para o concurso por parte de hoje aprovados, os quais podem ter logrado êxito em concursos tidos por de maior dificuldade ou de dificuldade tida por mais limitada.
Independente destas compreensões, é importante a cautela com universalizações absolutas, isto é, metodologias oferecidas como se fossem aplicáveis a todos de maneira geral, na medida em que cada candidato e cada concurso guarda suas particularidades. Porém, há construções que efetivamente devem ser tomadas como de caráter universal.
Dentre estas entendo merecedora de destaque a necessidade de identificação do objeto de conhecimento a ser estudado, dos meios que veiculam este objeto de conhecimento e as modalidades de estudo, em termos intelectuais, passíveis de serem mobilizados pelo candidato. Isto significa, portanto, programa, fontes de estudos e processos cognitivos.
O programa, em termos concretos, consiste no conjunto de matérias e conteúdos. As fontes de estudos correspondem aos meios que veiculam e armazenam o objeto de conhecimento a ser intelectualmente apropriado. Os processos cognitivos envolvem as modalidades de estudos a serem adotadas. Por exemplo, se o candidato vai estudar Direito Constitucional (matéria do programa) por um livro (fonte de estudo), necessariamente irá adotar um processo chamado leitura (processo cognitivo), que pode contar ou com alguma técnica de estudo agregada (elaboração de resumos, resolução de exercícios, montagem de esquemas, tabelas ou mapas mentais).
Para quem pretende racionalizar um pouco mais os seus estudos, inclusive de modo a contar com disciplina, monitoramento e controle do processo de preparação, considero ser importante a definição das Unidades de Estudos em relação a cada fonte. Conforme o Glossário do Sistema Tuctor, a Unidade de Estudos (UE) consiste na “…na célula elementar que permite realizar estimativas e mensurações. Decorre da natureza da Fonte de Estudo. Se a Fonte for um livro ou apostila, a unidade de estudo será uma página, sendo um conjunto de exercícios, será um único exercício, se a fonte for um curso, a unidade será uma aula.” (clique aqui para ler o Glossário do Sistema Tuctor).
Estabelecidas estas premissas, estando montado o plano de estudos e iniciada a sua execução, pode surgir um fenômeno próximo ao conceito de Lead. Segundo Barcaui, Borba, Silva e Neves, estudiosos do gerenciamento de projetos, “Um lead leva à antecipação de alguma atividade sucessora. Em outras palavras, um adiantamento é possível devido a alguma causa externa..” (Barcaui, A., Borba, D., Silva, I. e Neves, R. Gerenciamento do Tempo em Projetos. Rio de Janeiro: FGV, 2006, p. 35).
Ou seja, isto ocorreria na execução do planejamento de estudos quando se avança mais do que o previsto em determinada fonte de estudo ou matéria. Este avanço poderia inclusive resultar na conclusão do estudo desta fonte ou matéria antes do previsto. Tal fenômeno pode decorrer do rendimento além do imaginado inicialmente, inclusive por uma questão de afinidade cognitiva com a matéria ou fonte, bem como em função de uma estimativa inadequada no momento inicial, o que não é incomum.
Para os usuários do Sistema Tuctor, o segundo caso geralmente decorre de falta de precisão na estimativa do Tempo por Unidade de Estudo (TUE).
Porém, ainda em relação aos usuários do Tuctor, arrisco sustentar que, utilizando adequadamente o sistema, jamais uma fonte será concluída antes do previsto, comparativamente com outras. E esta tese sustento em função da ferramenta de Equalização do Plano de Estudos.
Com a referida ferramenta, a cada semana ou microciclo de estudos as metas são reformuladas com base no resultado da semana ou microciclo anterior (clique aqui para ver o conceito de microciclo)
Com este mecanismo, portanto, o tempo de estudos passa a ser distribuído de forma totalmente equilibrada o que tende a garantir que o candidato termine todas as matérias e fontes ao mesmo tempo.
Naturalmente e logicamente que esta colocação de conclusão ao mesmo tempo não exclui a lógica do seqüenciamento de matérias ou fontes de estudos, pois mesmo sequenciando são estabelecidos vínculos. Isto é, ao se sequenciar duas matérias (por exemplo Direito Penal Parte Geral e Especial), com a adoção da ferramenta de matérias vinculadas, o sistema estabelece um vínculo lógico entre estas duas matérias. (saiba mais lendo o texto Plano de Estudos e Precedência de Matérias)
Assim, a equalização irá promover uma redistribuição do tempo, a cada semana ou microciclo, considerando as Unidades de Estudos e o TUE correspondente de forma total (quanto às duas matérias mencionadas no exemplo).
Dessa maneira, com o uso da Equalização do Plano de Estudos, as folgas acabam sendo eliminadas, o que garante o referido avanço equilibrado, a partir da distribuição equilibrada do recurso mais importante na preparação: o tempo!
Estes conceitos nos levam à compreensão de que no processo de preparação para concursos e exames existem três possibilidades de posturas passíveis de adoção.
Em tese, uma primeira postura possível seria a de desenvolver os estudos de maneira totalmente aleatória, solta e não planificada, desprovida de definições acerca do que seria estudado a cada dia ou semana. Esta modalidade de candidato tende a contar com diversas dificuldades e problemas, envolvendo principalmente a falta de disciplina. Uma segunda postura seria contar com algum planejamento, como por exemplo a definição de programa, fontes de estudos e grade estruturada de maneira um pouco precária.
Porém, apesar das mencionadas posturas, também é possível adotar um plano de estudos estruturado de maneira racional, lógica, eficiente, consistente e criteriosa. No caso, a intenção seria criar meios que garantam uma preparação racionalizada e estratégica, com mecanismos de monitoramento e controle, fundamentais para disciplina. É isto que tenho denominado preparação de alto rendimento.
Bom estudo, de forma eficiente e racional.











2 comentários até agora. Deixe o seu.
Brilhante explanação prof. Rogério… Este texto está fantástico. Verdadeira bússola para o candidato. Com certeza, o prof. Rogério está se consolidando como o “THE SPECIAL ONE” dos concursos. Se existe o Técnico José Mourinho no mundo do futebol, temos o prof. Neiva como nosso técnico no mundo dos concursos.
Valeu.
Bom, tenho seguido os conselhos do professor Rogério Neiva e tenho me identificado muito com os planos de estudos sistematizados racionalmente na estruturação do conteúdo. A palestra gratuita que foi disponibilizada na internet foi o diferencial. A partir do momento que consegui alocar as matérias em dias da semana, de modo que o conteúdo não se torne chato, consegui me empenhar mais e ter mais disciplina nos meus estudos. Para quem não anotou as dicas vou repeti-las: Constitucional e Civil na segunda,processo do trabalho e administrativo na terça, trabalho na quarta, civil e penal na quinta, processo civil e trabalho na sexta, processo penal e previdenciário no sábado e internacional no domingo.Tenho alterado processo penal com processo do trabalho na terça, trabalho e penal na quarta, trabalho e estatuto da ordem ou informática na sexta e também tem dado certo. Bons estudos a todos. Rômulo Filho Advocacia – indiannovember@hotmail.com, http:\\romulofilhoadvocacia@blogspot.com, (62) 8453-6311/ (62) 8156-7422