Há um consenso atualmente no sentido de que se preparar para um concurso público ou exame exige a montagem de um planejamento. A partir da referida premissa, surgem diversas propostas de como montar um plano de estudos.
Algumas destas são desenvolvidas de forma puramente empírica, baseadas em experiências pessoais, ao passo que outras são construídas de maneira fundamentada. Algumas são apresentadas por pessoas que nunca lograram êxito em algum concurso público, sendo que outras resultaram não apenas da vivência no processo de preparação, como também do êxito na aprovação. No último caso, algumas propostas derivam de pessoas que passaram em concursos tidos por mais difíceis para cargos de interesse tido por de maior dimensão, ao passo que outras são formuladas por pessoas aprovadas em concursos considerados de menor dificuldade, para cargos de interesse mais limitado.
O fato é que, por um lado, é preciso tomar o devido cuidado com universalizações generalizantes, ou seja, propostas apresentadas como sendo aplicáveis a todos de forma absoluta, pois cada candidato e cada concurso tem suas particularidades. No entanto, por outro lado, existem alguns conceitos e construções que, de fato, devem ser tidos por universais, a exigir consideração por todos, no processo de montagem do plano de estudos.
Dentre estes, não tenho dúvida acerca da necessidade de identificação do objeto de conhecimento a ser estudado, dos meios que veiculam este objeto de conhecimento e das modalidades de estudo em termos intelectuais, passíveis de mobilização pelo candidato. Isto significa programa, fontes de estudos e processos cognitivos.
O programa, em termos concretos, consiste no conjunto de matérias e conteúdos. As fontes de estudos correspondem aos meios que veiculam e armazenam o objeto de conhecimento a ser intelectualmente apropriado. Os processos cognitivos envolvem as modalidades de estudos a serem adotadas. Por exemplo, se o candidato vai estudar Direito Constitucional (matéria do programa) por um livro (fonte de estudo), necessariamente irá desenvolver uma atividade intelectual denominada leitura (processo cognitivo), que pode contar ou com alguma técnica de estudo agregada (por exemplo elaboração de resumos ou mapas mentais).
Não obstante estas premissas e considerações, ainda no âmbito da montagem do plano, pode ser que ocorra um fenômeno correspondente à imposição de precedências de matérias ou fontes de estudo.
Isto é, pode ser que algumas matérias tenham que ser estudadas antes que outras, também podendo ocorrer o mesmo em relação às fontes de estudos.
Por exemplo, imagine um candidato que antes de estudar a Parte Especial do Direito Penal precisa estudar a Parte Geral. Outro exemplo seria o candidato que decide estudar determinada matéria por um livro, mas já na montagem do plano estabelece que após terminar o estudo deste livro irá resolver um livro de exercícios, decidindo ainda que somente passará aos exercícios após terminar o livro de conteúdo doutrinário.
No primeiro caso há uma relação de dependência e sucessão de caráter obrigatório, ao passo que no segundo há uma lógica de arbitrariedade-eletiva pelo candidato.
Porém, o aspecto mais importante é que o mencionado fenômeno de precedência impõe a necessidade de se promover, na estruturação do plano de estudos, um seqüenciamento de matérias e/ou fontes. Segundo Barcaui, Borba, Silva e Neves, autores e estudiosos do gerenciamento de projetos, “Por meio do processo de seqüenciamento passa a ser viável a identificação dos diversos relacionamentos lógicos entre atividades, em função das relações de precedência adequada…” (Barcaui, A., Borba, D., Silva, I. e Neves, R. Gerenciamento do Tempo em Projetos. Rio de Janeiro: FGV, 2006, p. 35).
Estas relações de precedências obrigatórias podem ser determinadas por uma questão lógica, em função da prejudicialidade de uma matéria ou fonte de estudo em relação a outra, tal como no exemplo mencionado do Direito Penal.
Também pode haver uma relação de sucessividade obrigatória de matérias enquanto condição de viabilização da grade de estudos. Ou seja, a depender da quantidade de matérias, como no caso do concurso público do Ministério Público Federal, que contava no programa com 15 matérias, para muitos candidatos seria inviável estudar todas as matérias de forma concomitante.
Inclusive esta compreensão tem relação direta com o conceito de Grade Inviável (clique aqui para ler o texto sobre a Grade Inviável). No Sistema Tuctor, por exemplo, existem restrições e condições para a montagem da grade de matérias. Caso o candidato não atenda as mencionadas condições, uma das alternativas consiste na adoção do modelo de grade sucessiva (clique aqui para ler o texto Grade Simultânea x Grade Sucessiva).
Para promover o seqüenciamento de matérias na montagem do planejamento de estudos no Sistema Tuctor é preciso utilizar uma funcionalidade denominada Matérias Vinculadas. Trata-se da ferramenta que necessariamente deve ser adotada no caso de relações de dependência obrigatória entre matérias, como no exemplo mencionado do Direito Penal.
Mas além das Matérias Vinculadas, há uma outra funcionalidade para o seqüenciamento de Fontes de Estudos, a qual foi recentemente implantada no sistema. Inclusive esta ferramenta permite que o candidato monte a sua grade apenas com base nas matérias, e não com base nas fontes, o que facilita bastante esta importante etapa de montagem da grade.
Por exemplo, imaginemos um candidato que tenha 10 matérias e 50 fontes de estudos, considerando que cada matéria conta com mais de uma fonte, como livro, exercícios ou legislação. A montagem da grade poderá ser realizada apenas com base nas 10 matérias, ou seja, o candidato não precisa ter o trabalho de alocar 50 fontes na sua grade.
Porém, numa etapa anterior, este mesmo candidato teria que ter promovido o sequenciamento das fontes que estão relacionadas a cada matéria.
Todas esta considerações indicam que a preparação para o concurso público pode ocorrer de três maneiras. Ou seja, podem ser adotadas pelo candidato três tipos de posturas.
O candidato, em tese, pode estudar de forma totalmente solta, não planejada, sem qualquer definição do que vai estudar a cada dia, o que, além das várias dificuldades e problemas que tende a ter, estará totalmente vulnerável à indisciplina. Também pode contar com uma planificação mínima, tendo a definição de programa, fontes de estudos e uma grade montada de forma relativamente precária.
Mas além das mencionadas posturas, o candidato pode ainda contar com um planejamento estruturado de forma criteriosa, racional, eficiente e logicamente organizado. Com isto, além de empreender seus esforços de maneira totalmente racionalizada e estratégica, conta com mecanismos de monitoramento e controle, contribuindo com a busca e manutenção de disciplina. É o que chamo de candidato de alto rendimento.
Bom estudo, de forma eficiente e racional!











9 comentários até agora. Deixe o seu.
Professor Rogério,
Tenho a leve sensação de que, ao passo que candidatos inteligentes dispuserem do denominado metódo TUCTOR que o Sr. inventou o nivel da “competição” irá aumentar e muito, isso é preocupande e motivador.rsrs
Muito obrigado pelas dicas, no momento oportuno farei uso da Vossa teoria, que na minha opinião é simplesmente brilhante.
Caro Julio,
Obrigado pela incentivadora manifestação! E digo que o incentivo consiste em grande elemento de motivação não apenas para mim, mas principalmente para toda equipe de TI do Tuctor, pois o trabalho não é pequeno.
Mas curiosamente, exatamente o que vc aborda no comentário é objeto da conclusão do meu livro.
E lá digo o seguinte: 1o, tenha a certeza de que não são todos os candidatos irão conhecer o Método Tuctor; 2o, daqueles que vierem a conhecer, nem todos vão concordar com a proposta; 3o, do universo daqueles que concordarem com a proposta, nem todos efetivamente irão adotar, até porque muitos desistem já na montagem do planejamento, por acharem “trabalhoso”.
Se todos concordassem e adotassem, não tenho dúvida de que sua preocupação faria sentido. Acho até difícil imaginar o que aconteceria com o mecanismo do concurso público.
Portanto, meu caro, fique tranquilo, mantenha a sua trajetória de estudos de forma racional, planejada e sistematizada e não deixe de me comunicar quando for aprovado!
Abcs!
Obrigado Prof. Rogério, quando for aprovado certamente o comunicarei. Grande abraço.
eu sinceramente nunca elaborei um plano de estudos, simplismente leio, leio, leio… incansávelmente, sempre na mesma ordem, atenta as atualizações. Acredito e faço.
Cara Valentina,
Felizmente, por um lado, como venho sustentando, cada ser humano e cada candidato tem suas particularidades no processo de preparação para concursos. Exatamente por isto, as universalizações de solução sempre exigem cuidado crítico.
Por outro lado, nem todos precisam de um planejamento de estudos.
O único problema é o candidato que precisa de um planejamento se recusar a adotar, por preguiça ou teimosia.
Sucesso!
Profº… excelente texto, realmente quando sistematizamos e programamos nossos projetos com certeza o alcance do objetivo fica muito mais claro e palpável, eu adorei o sistema tuctor, todavia, ainda não consegui me disciplinar o suficiente para usá-lo, até porque estou em uma fase de estudos preliminares, ou melhor, estou ainda recomeçando a estudar, ademais, eu tenho como atual filosofia de vida “devagar e sempre” não tenho mais todo o tempo do mundo para estudos (trabalho, filhos, esposa…) e por isso não quero no momento me envolver intensamente somente em estudos, mas não quero mais me afastar desse projeto, que agora é um projeto a médio-longo prazo, porém audacioso..rs..rs..rs… hoje eu tenho a consciência de que dentro de algum tempo eu vou alcançar meu objetivo….pode demorar um pouco mais do que eu gostaria, mas, a vitória é certa….
Professor!
É com muita alegria que o parabenizo pelo blog, artigos e pelo sistema TUCTOR que o senhor, juntamente com a sua equipe, elaborou. E a minha alegria decorre de dois fatos:
1º – Percebi que há pessoas realmente empenhadas em ajudar os candidatos que seriamente buscam a carreira pública;
2º – Seu trabalho reavivou minhas esperanças de tentar ingressar na carreira pública.
Sou estudante de Direito, bolsista, sem grandes conexões na área, sem grandes perspectivas no setor privado. Até recentemente, também não tinha grandes aspirações no setor público, pois nunca me senti realmente interessada nos concursos jurídicos. Isso porque, apesar de fazer uma faculdade de Direito, estou certa que essa não é minha vocação!
Entretanto, há algum tempo, descobri o concurso para diplomata do IRBr, e fiquei extremamente empolgada, pois as disciplinas necessárias para o incursão na carreira muito me agradam. Porém, o nível de conhecimento exigido pelo concurso é muito alto e, como não tenho condições de pagar um curso preparatório (que pode chegar até R$ 16.000) estava quase desistindo de prestar o CACD. Entretanto, ao entrar em contato com seus artigos, suas palestras e o Sistema TUCTOR, e ter a certeza que posso passar nessa prova, bastando que para isso tenha, na época da prova, os conhecimentos exigidos pela banca, me lancei nesse empreendimento e estou certa de que conseguirei executá-lo plenamente.
Mais uma vez, parabéns pelo seu empreendimento que tem afetado tão positivamente as vidas de pessoas seriamente empenhadas em seus sonhos.
Espero, futuramente figurar entre os colegas que colocaram seu relato de êxito aqui no blog.
Até lá!
Parabéns Prof. Rogério Neiva!
Excelente trabalho!
Mesmo intuitivamente, sem saber da existência de sua metodologia, sempre achei o planejamento peça fundamental de qualquer projeto, seja ele público ou privado.
A partir de agora, estou absolutamente convencido disto. Já sou servidor federal, concursado, e quero alcançar voos maiores na carreira pública. Sendo assim, farei uso desta ferramenta desenvolvida pelo senhor e sua equipe visando agregar o alto rendimento aos meus estudos.
Espero em breve notificá-lo acerca do sucesso do mais novo admirador do seu trabalho.
Um abraço e até lá!
Caro Rodney,
Estou na torcida e aguardo as boas notícias!
Abcs!