Preparação para Concursos Públicos e Programa Seletivo

Por  •  23 nov 2010  •  Como se Preparar, Planejamento de Estudos  •  5 Comentários
Programa de Estudos

O desenvolvimento adequado e eficaz da preparação para o concurso público deve contar com a preocupação e mobilização do candidato em torno de três dimensões fundamentais, quais sejam: planejamento, aprendizagem e gestão emocional.

E não se pode afirmar que uma dimensão tenha relevância maior que a outra, ante a necessidade de compreensão sistêmica do processo de busca da aprovação. Sem planejamento, o candidato não tem rumo a seguir; sem aprendizagem, não há apropriação intelectual das informações e conhecimentos passíveis de cobrança pelo examinador no momento da prova; sem gestão emocional, o candidato terá dificuldades para se manter empenhado na sua trajetória de implementação de esforços, principalmente nos naturais momentos de fragilidades e dificuldades.

Mas apesar da necessidade da compreensão sistêmica, o que exige o cuidado com todas as dimensões, muitos equívocos começam com a falta ou a inadequada estruturação do planejamento. A adequada planificação dos estudos é determinante para garantir ao candidato o desenvolvimento do processo de preparação para o concurso público de forma estratégica, eficiente, racional, sistemática, cartesiana e metódica, atributos e características que convertem para a postura da preparação de alto rendimento.

Neste sentido, inegavelmente, o programa tem um papel fundamental na planificação dos estudos.

Conforme o modelo de planejamento que venho propondo, a primeira fase da preparação deve contar com a definição quatro pilares, sendo dois correspondentes ao planejamento estratégico e os outros dois ao planejamento tático. Segundo esclarecem os Professores Adalberto Fishmann e Martinho Isnard, “Planejamento Estratégico é uma técnica administrativa que estabelece o propósito de direção…Planejamento Tático é um planejamento predominantemente quantitativo, abrangendo decisões administrativas e operações e visando à eficiência… (Planejamento estratégico na prática.  São Paulo: Atlas, 1991, p. 25).

Portanto, o planejamento estratégico envolve aspectos decisórios fundamentais a serem estabelecidos pelo candidato, os quais correspondem ao objetivo, em termos de cargo ou cargos almejados, e programa. Já o planejamento tático consiste nos meios eleitos para a implementação do planejamento estratégico. Um dos elementos táticos consiste na definição das fontes de estudo.

O programa, em termos conceituais, consiste no objeto de conhecimento a ser intelectualmente apropriado pelo candidato. Em termos concretos, consiste no conjunto de matérias e conteúdos que irão compor o planejamento estratégico da preparação para o concurso público. A definição do programa, em tese, deve decorrer das previsões do edital dos últimos concursos públicos para aquele ou aqueles cargos almejados.

O programa seletivo, por sua vez, trata-se daquele que não contempla necessariamente todas as matérias e conteúdos previstos no último edital. No caso, o candidato adota uma lógica seletiva, no sentido de excluir do seu programa algumas matérias e/ou conteúdos.

Algumas metodologias podem ser adotadas para a estruturação do programa seletivo. Algumas de caráter mais objetivo, como a incidência de conteúdos nas questões das últimas provas, ou subjetivas, como a percepção de importância pelo candidato.

Estabelecidas estas premissas, você pode estar se indagando: mas afinal, vale a pena adotar a lógica do programa seletivo? Quando ouço esta pergunta de algum candidato, costumo responder com a seguinte colocação: “a resposta é um problema estratégico seu!”.

O que quero dizer com esta colocação? Primeiramente que, de fato, se trata de uma questão estratégica da estruturação do planejamento da preparação para o concurso público. Mas o aspecto mais relevante é que se trata de uma decisão que pode ser eficiente ou não.

Se na prova o examinador corresponder à expectativa seletiva estabelecida pelo candidato, no sentido de não cobrar as matérias e/ou conteúdos excluídos do programa de estudos, significa que este mesmo candidato adotou uma atitude eficiente, no sentido da otimização de esforços. Porém, caso tal expectativa não se confirme, o candidato arcará com o ônus da decisão inadequadamente adotada.

Os candidatos que já estão há algum tempo se preparando para o concurso público, já tendo se submetido a algumas provas sabem muito bem do sentido desta colocação.

Considero que, como em relação a vários outros aspectos da preparação para o concurso público, não é possível universalizar soluções. Cada concurso tem as suas particularidades, ocorrendo o mesmo com cada candidato. Na realidade, o processo de preparação para o concurso público não comporta soluções universais, tampouco fórmulas mágicas. Toda atitude terá um preço, quanto ao esforço ou ao resultado. Conforme se costuma sustentar no universo das ciências financeiras, não há almoço grátis!

O fundamental é que se tenha consciência das decisões e atitudes que estão sendo adotadas. Principalmente em termos de avaliações dos grandes “trade-offs” do planejamento da preparação, os quais envolvem custos e benefícios, bem como riscos e retornos.

Bons estudos e tome decisões estratégicas, eficientes e racionais!

5 comentários até agora. Deixe o seu.

  1. Fabiana Magalhaes disse:23 nov 2010 às 9:37 pm · Responder

    Ótima exposição, muito didática e bem fundamentada!

    Seu livro me ajudou a passar no concurso que me determinei a estudar (MPU) e seu blog continua me auxiliando nas futuras preparações para outros concursos!

    Sem dúvida seus textos, livros e publicações aqui no blog são muito úteis para quem estuda pra concurso!

    Meus agradecimentos!

    • Rogerio Neiva disse:24 nov 2010 às 12:26 am · Responder

      Cara Fabiana, obrigado pelo feedback e parabéns pela conquista!
      Conte comigo!

  2. Carlos Roberto disse:24 nov 2010 às 12:45 am · Responder

    Muito bom o texto, esclarecedor e provocativo! Não tinha consciência de já ter adotado o tal programa seletivo. E também gostei muito desta parte de que não tem almoço grátis. Tem gente que vende e concurseiro que compra esta ilusão.

  3. Márcio Omena disse:25 nov 2010 às 7:35 am · Responder

    Excelente post meu amigo. Acredito que a decisão estratégica pode ser eficiente em determinado momento do estudo. Quando o candidato estudoar primeiramente todo o edital, depois poderá escolher alguns pontos do programa para que tenha uma análise mais acurada. Acredito que o programa seletivo possa funcionar numa revisão perto da prova. O candidato não terá tempo para estudar novamente todo o programa, então ele poderá selecionar alguns pontos do programa. Esta avaliação poderá ser feita de acordo com a incidência dos temas nos concursos anteriores, temas do momento, ou se conhecer o membro da banca, terá que fazer um dossiê do mesmo para saber suas preferências doutrinárias.

    Agora tudo depente da decisão que o candidato tomar, mas com certeza não existe almoço grátis!!! O candidato microondas também não tem espaço…kkk

    Paz e bem

    Márcio

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  1. Devo Estudar Todo Programa do Edital para o Concurso Público?

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