Drogas dos Concurseiros: Uma Ilusão de Eficiência Cognitiva!

Por  •  25 mai 2010  •  Aprendizagem, Como se Preparar  •  26 Comentários
Concursos Públicos Ritalina Concentração Drogas Cognitivas

Você já teve contato, já usou ou já ouviu falar das drogas dos concurseiros?

Muito bem, ao que tudo indica, vem ganhando força a idéia do uso de drogas cognitivas no universo da preparação para concursos públicos. Trata-se de um recurso perigoso e ilusório.

Alguns candidatos têm recorrido a substâncias químicas com a intenção de otimizar o processo de estudos. Geralmente estas correspondem ao metilfenidato, mais conhecido como ritalina, e o modafinil. A intenção seria melhorar as funções cognitivas primárias, tais como a atenção e a concentração.

Antes de mais nada, vale lembrar que o referido recurso se trata de uma droga. Segundo o dicionário de Michaelis, droga seria a “designação comum a todas as substâncias ou ingredientes aplicados em tinturaria, química ou farmácia”.

Infelizmente, a postura de adoção indiscriminada do aludido recurso atinge não apenas o mundo da preparação para concursos públicos, mas também já vem, há algum tempo, afetando o universo da educação infantil. Não é incomum que profissionais da saúde ou da educação, diante de problemas de aprendizagem por parte de crianças – principalmente o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), recomendem de imediato o uso da ritalina, sem a tentativa de outros meios ou estratégias de superação da mencionada dificuldade. E há algum consenso no sentido de que diagnósticos são realizados sem os necessários e devidos cuidados.

Mas diante deste cenário, dois aspectos fundamentais exigem consideração. O primeiro seriam os efeitos colaterais e problemas passíveis de ocorrência no futuro. O segundo seria a real eficiência do referido recurso.

Como sei que muitos dos candidatos não se preocupam com o futuro, estando tomados pelo imediatismo e às vezes pelo desespero de busca da aprovação, vou ignorar solenemente a primeira preocupação. Registro que considero positivo este “quase desespero”, pois se traduz em motivação e compromisso com o processo de preparação. No entanto, como tudo na vida, radicalismos e exageros sempre são indesejáveis. Inclusive pelo risco de que a referida intensidade de envolvimento ao longo da trajetória de estudos não se mantenha constante.

Assim, considerando a preocupação-alvo que elegi, saliento que tenho dúvidas sobre a eficiência do uso dos referidos medicamentos. Em tese, a intenção consiste na ampliação da concentração e atenção. Para compreensão da referida atitude, destaco que há um conceito de grande aplicação.

Trata-se da idéia da curva de aprendizagem. A referida construção foi desenvolvida pelo alemão Hermann Ebbinghaus e aperfeiçoada por Theodore Paul Wright. Tal conceito envolve a noção de que o processo de aprendizagem não é necessariamente linear. Ou seja, ao iniciarmos nossos estudos em determinado momento, haverá um ponto ótimo de aproveitamento, após o qual este contará com um comprometimento. A referida idéia se relaciona com um conceito da ciência econômica denominado função utilidade, conforme o qual em processos produtivos existem momentos e situações de otimização positiva ou negativa de resultados.

Ou seja, resumo do resumo: 10 horas seguidas de estudos não são o resultado aritmético de 1 hora vezes 10 de estudos. Assim, não é o fato de tomar um medicamento que permita permanecer 10 horas estudando que garantirá a eficiência de tal processo cognitivo e, principalmente, da apropriação intelectual da informação passível de solicitação no momento da prova. Não custa lembrar que o cérebro conta com uma estrutura bio-fisiológica complexa, não funcionando como uma máquina. Isto é, não é uma questão de trocar a pilha ou colocar uma bateria mais potente.

Neste sentido, outro conceito importante, no plano da formação de memórias, consiste na ideia do limite da capacidade bioquímica instalada, sustentado pelo professor e neurologista Ivan Izquierdo. Segundo defende, “…a sensação quase física que todos experimentamos alguma vez de que, ao acabar determinada atividade intelectual, como um período de estudo intenso ou uma aula, ‘não cabe mais nada em nossa cabeça’ corresponde a um fato real… usa-se, cada vez, uma porcentagem bastante grande da ‘capacidade’ bioquímica ‘instalada’ de nosso hipocampo…” (IZQUIERDO, Ivan. Memória. Porto Alegre: Artmed, p. 46).

E mesmo quanto ao caso de pessoas adequadamente e responsavelmente diagnosticadas como portadoras de TDAH, há estudos indicativos de que em 25% dos casos o medicamento não produz resultados (ROTTA, Newra Tellechea. Transtorno da atenção: aspectos clínicos. In Transtornos da Aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2006, p. 310).

Recentemente, o periódico “Mente e Cérebro” publicou uma matéria noticiando que alguns cientistas estariam propondo a reflexão sobre a conveniência de adoção das mencionadas substâncias, enquanto meio de otimização cognitiva. No entanto, não deixou de fazer o devido e necessário alerta, ao colocar que “essas drogas devem ser cuidadosamente estudadas para esse fim, e devem ser avaliados seus riscos e benefícios” (Ano XVI, no. 193, pág 21).

Saliento que, apesar da percepção de alguns no sentido da eficiência da busca de drogas cognitivas, considero – em termos de formulação de hipótese, que se trata apenas e tão somente de uma ação de efeito placebo. Não há dúvida que temos a natural capacidade de reagir, inclusive em termos fisiológicos, diante da crença de que determinada substância provoca determinado efeito esperado. Pode ser que por trás da aparente e ilusória vantagem subsista a atuação do referido mecanismo.

Portanto, não tenho dúvida em afirmar que, ao invés da busca de ganhos facilitados e ilusórios, a otimização dos estudos deve ser viabilizada por estratégias e atitudes adequadas, principalmente em termos da estruturação do planejamento da preparação.

Não é preciso muito esforço intelectual para se convencer da importância do cultivo de hábitos saudáveis, em termos físicos e psicológicos, enquanto meio de gerar condições adequadas ao processo de estudo e aprendizagem.

Enfim, espero que você reflita sobre os alertas apontados e manifesto meus votos de que desempenhe uma preparação estratégica, eficiente, racional, de alto rendimento e, acima de tudo, saudável!!!

26 comentários até agora. Deixe o seu.

  1. Michelle Galerani disse:25 mai 2010 às 1:53 pm · Responder

    Li o artigo, obrigada pela mensagem final.

  2. karie disse:25 mai 2010 às 6:00 pm · Responder

    existem efeitos colaterais da droga que não foram mencionados.

    • admin disse:25 mai 2010 às 10:30 pm · Responder

      Reconheço a importância do destaque para os efeitos colaterais. Porém, conforme colocado no corpo do texto, a finalidade era discutir a eficiência cognitiva do referido recurso no âmbito do processo de preparação. Apesar do necessário e relevante alerta para os efeitos colaterais, este não era propriamente o objeto da abordagem. Mas manifesto minhas congratulações com as preocupações e riscos externados.
      Att,
      Rogerio Neiva

  3. christiano Rodrigues disse:25 mai 2010 às 6:16 pm · Responder

    Bom artigo!

    Para os amigos concurseiros vai uma dica que é o floral rescue. Ajuda na concentração, eliminação de ansiedade.

    • JOSE AFFONSO disse:1 out 2011 às 12:48 pm · Responder

      o floral e um arranjo de plantas mas preciso lembrar coca maconha cicuta tambem sao plantas e nao e o fato de ser natural, vegetal que resultara em beneficio em que medida ou maleficio, portanto, nada existe de milagre das plantas ou dos laboratorios, sempre havera efeitos colaterais, experimente tomar um litro de agua com folhas de sena… a dor de barriga sera intensa e o banheiro ficara a sua disposicao o tempo todo ate eliminar …

  4. sara disse:25 mai 2010 às 10:15 pm · Responder

    eu to sabendo mesmo que tem gente fazendo isso, olhei a bula na internet, esse medicamento tem o mesmo efeito do rebite. faz super mal pra saúde…vai saber o que isso pode causar a longo prazo…
    melhor demorar pra passar no concurso e ter saúde do que passar e morrer cedo…

  5. Steve disse:28 mai 2010 às 6:55 pm · Responder

    Li o artigo, obrigada pela mensagem final.

  6. Leonardo Frias disse:4 jun 2010 às 9:27 am · Responder

    Caro Prof. e Amigo Rogério,

    Muito bacana sua matéria,você provou que o caminho mais rápido, não é o melhor caminho!!

    Você utiliza alguma técnica para concentração e leitura? você pode sugerir alguma?

    muito obrigado
    Leonardo Frias

  7. Glauber Britto disse:2 ago 2011 às 4:15 pm · Responder

    Caro Professor, vi em seu artigo que o Sr. é absolutamente contra a administração de medicamentos(especificamente o Metilfenidato) no processo de preparação para concursos. Sou um candidato que sofre de um disturbio cognitivo(TDAH) e me foi foi prescrito o medicamento Metilfenidato, comentei com meu médico a respeito deste artigo, indagando se seria benéfico a suspenção do uso do medicamento, mas ele foi contra tal suspensão. Gostaria de saber a opinião do Sr. a respeito da suspensão do uso do Metilfenidato para candidatos que sofrem de TDAH?

    Desde já agradeço e aproveito para registrar meus agradecimentos ao sr. pela sua enorme contribuição para os candidatos que estão na árdua fase de preparação.

    Forte abraço,

    Glauber.

    • Rogerio Neiva disse:2 ago 2011 às 4:23 pm · Responder

      Caro Glauber, acho que não me entendeu bem.
      O que disse foi que não concordo com o uso para quem não é adequadamente diagnosticado com DDA ou TDAH. Por outro lado, principalmente no caso da educação infantil, acho que há outras estratégias que podem ser tentadas antes da opção medicamentosa.
      Porém, como psicopedagogo de formação, não censuro e não critico a adoção da medicação, prescrita por profissional habilitado, com prévio e adequado diagnóstico.
      Ainda assim não descarto que se tente outros recursos.
      Agora se você não sente que a medicação lhe faz bem isto de fato deve ser discutido com o médico.
      Abcs!

      • Glauber Britto disse:2 ago 2011 às 4:58 pm · Responder

        Obrigado pela atenção, professor. Vou dar uma pesquisada em meios alternativos de tratamento do TDAH.

        Forte abraço,

        Glauber.

  8. André Brasil disse:15 nov 2011 às 12:25 pm · Responder

    Tô postando esse depoimento em alguns site na tentativa de esclarecer e ajudar. Me sinto ridículo e envergonhado! Eu usei Ritalina por 1 ano só para estudar para concursos públicos. Embora eu não apresentasse os sintomas de déficit de atenção, eu conseguia com uma amiga médica a prescrição do remédio. FOI A PIOR COISA QUE FIZ EM MINHA VIDA! Os efeitos foram devastadores… Eu, que sempre fui muito responsável, pesquisei demais antes de usar a droga. Eu lia e relia em estudos americanos e europeus sobre os efeitos negativos da Ritalina em quem não precisava da droga mas preferi ir na onda dos amigos que estudavam para concursos que diziam “estarem ávidos para usar a droga o mais rápido possível”. Após o uso, passei a ter insônia crônica por 4 meses, cansaço, me sentia um zumbi! Tive uma ressaca enorme por conta de 1 copinho de cerveja, me deu vontade de morrer! O estudo não melhorou em nada. Não fiquei mais inteligente. Eu notei apenas que ficava mais calado, mais sério, não fazia brincadeiras habituais, não me levantava da cadeira por besteira e só. Para controlar a insônia, o médico me receitou Rohypnol. Ainda bati o carro pois perdi a noção de espaço e velocidade! Eu era normal e fiquei anormal. Usei a droga insistentemente por 1 ano. Depois dessa tragédia, assimilei que RITALINA NÃO FAZ EFEITO POSITIVO NENHUM EM QUEM NÃO TEM TDAH, exatamente o que diziam os estudos mais sérios. O psicólogo que me trata hoje (nunca tinha ido, mas é pra tentar arrumar parte do estrago) me disse que o meu caso é mais comum do que eu imaginava. Os relatos são os mesmo, sempre, segundo ele. Ah, e quem não tem TDAH e usa a droga dizendo que faz efeito, ou é só um placebo ou então está mentindo. Ritalina só vai te dar uma insônia desgraçada e vai te manter sentado na cadeira. Quem não tem problemas de concentração, NÃO PRECISA DE DROGA PARA SE CONCENTRAR MAIS, NÃO DÁ PRA FICAR SUPERPODEROSO! É LENDA CONTADA POR GENTE MUITO IRRESPONSÁVEL. RITALINA É UM REMÉDIO MUITO SÉRIO. Espero ter ajudado.

    • Rogerio Neiva disse:15 nov 2011 às 4:43 pm · Responder

      Caro André,
      Parabéns pela iniciativa, de compartilhar sua experiência com os demais, inclusive com os detalhes que levaram à atitude comentada.
      O empirismo de quem vive a realidade é fundamental para mostrar a verdade aos demais.
      Alguns dos meus colegas da minha pós em psicopedagogia me sugeriram experimentar o metilfenidato (ritalina), inclusive para que tivesse mais condições de criticar. Recebi os comprimidos, mas não tomei.
      Pelo menos agora tenho no Blog um relato pautado pela experiência de alguém.
      Também manifesto minhas congratulações pelas atitudes que tomou, no sentido de contornar e resolver o problema criado.
      Suas colocações vão iluminar muitos que andam pedidos nas trevas ilusórias da busca do almoço grátis e com efeito colateral!
      Sucesso nos estudos e na superação dos estragos do uso indevido do metilfenidato!
      Abcs!!!

  9. cissa disse:23 jan 2012 às 1:08 am · Responder

    Ola Professor e demais colegas,

    eu fui diagnosticada com transtorno do deficit de atencao e tomo ritalina ha alguns anos… comecei a tomar antes de me tornar concurseira…
    mas, antes, eu tomava com menor frequencia, ja que a minha medica sempre me disse que poderia tentar tomar menos, de acordo com minha necessidade..

    nessa epoca de estudos, eu tenho tomado ritalina diariamente, tudo com acompanhamento da minha medica, uma psiquiatra formada em universidade internacional de grande renome, o que me deixa tranquila..

    Todavia, eu tenho as vezes a impressao, talvez por influencia de relatos que leio na net, de que usando a ritalina eu memorizo menos as informacoes da minha leitura… seria isso plausivel? o senhor teria alguma informacao nesse sentido?
    Tambem queria explicar que com a ritalina a gente nao le mais rapido, nem nada disso… eu sempre tento estudar sem tomar o remedio… apenas quando vejo que estou totalmente alheia ao livro que recorro a mesma…

    Enfim, nao gosto de ter que usar este remedio.. atrapalha meu sono, altera meu humor… mas, pelo menos por enquanto, o tratamento e necessario para mim…

    Grande obrigado pelas postagens….

    desculpem a falta de acentos.. meu pc esta desconfigurado!

    • Rogerio Neiva disse:23 jan 2012 às 4:50 pm · Responder

      Cara Cissa,
      Se você foi diagnosticada, por profissional habilitado e por meio de procedimentos adequados, temos que partir da premissa de o tratamento vai no caminho certo, inclusive contando com uma estratégia de desmame.
      Porém, lembro que, conforme publicado no livro “Transtornos da Aprendizagem: uma abordagem neurobiológica e multidisciplinar”, em 25% dos casos de TDAH a ritalina não gera uma boa resposta.
      De qualquer forma, o objetivo do texto é alertar o uso sem necessidade e carente de diagnóstico.
      Abcs!

  10. Felipe Nogueira disse:14 mar 2012 às 11:33 pm · Responder

    A verdade é que não há vitória sem sacrifício!
    Se voce esta disposto a enfrentar os possiveis efeitos negativos do medicamento, somente para estudar e passar num concurso, vá em frente e encare as consequencias!
    Mas se prefirir estudar anos e anos sem uso desses medicamentos, boa sorte! Porem não se esqueça que muitos ja estão na sua frente, e o tempo passa rapido, hoje voce ainda tem disponibilidade para os estudos, e amanha? Sera que vivera a mesma realidade de hoje, com as mesmas oportunidades? Amanha pode ser tarde demais, e voce sera mais um que fica pra tras, e logo cairá no arrependimento.

    Muitos nao assumem que só conseguiram ser vitoriosos com a ajuda de algo ou alguem.

    Lembrem-se, pese na balança o custo e beneficio, pois só voce sabe a realidade que esta vivendo!

    Nao quero incentivar o uso do medicamento, apenas quero que leiam, analisem, e vejam se vale apena fazer uso de algo que te beneficiara de uma certa maneira nos seus estudos.

    Ps: poupem os erros de portugues (estou sem praticar o idioma por muito tempo, atualmente nao moro no brasil).

  11. mario disse:4 abr 2012 às 2:16 pm · Responder

    Conheço gente que estudou e passou de primeira em concursos e nao precisou tomar remedio nenhum.. isso e muito relativo.

  12. Nemora disse:4 mai 2012 às 4:32 pm · Responder

    Sr. Rogério,

    TDA com ou sem hiperatividade NÃO É TRANSTORNO DE APRENDIZAGEM, é:

    “um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e freqüentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza
    por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Ele é chamado às vezes de DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção). Em inglês, também é chamado
    de ADD, ADHD ou de AD/HD.”

    “O TDAH não é um problema de aprendizado, como a Dislexia e a Disortografia, mas as dificuldades em manter a atenção, a desorganização e a inquietude
    atrapalham bastante o rendimento dos estudos. É necessário que os professores conheçam técnicas que auxiliem os alunos com TDAH a ter melhor
    desempenho. Em alguns casos é necessário ensinar ao aluno técnicas específicas para minimizar
    as suas dificuldades”

    O diagnóstico e tratamento são importantes maximizando a qualidade de vida da pessoa que tem o transtorno. O uso do medicamento é de muita valia.
    A ritalina (nome comercial), que tem como substância ativa o cloridrato de metilfenidato é um dos medicamentos que pode ser utilizado no tratamento. Há outros. Neste caso o paciente e o médico devem manter um diálogo, para ver se precisam substituir a medicação ou regular a dose, por exemplo.
    Infelizmente o que há é muito preconceito envolto ao transtorno: e informações mal apontadas prestam um desserviço para a família e à pessoa que tem
    TDAH,aos profissionais da área e aos pesquisadores.
    A Ritalina é um remédio que funciona para muitos e não deve ser “demonizado”: alguns pacientes sentem os efeitos colaterais, que diminui com o tempo
    na maioria das vezes e outros não sentem. É um remédio como qualquer outro. Fazemos uma comparação: quem não tem pressão alta e consome o
    remédio para tal, claramente não se beneficiará. Ou não acontece nada ou pode até prejudicar a saúde, de alguma forma (acredito, não sei).
    O que chama a atenção é o seguinte: medicamentos para TDAH são extremamente controlados. Tanto que as pessoas que os consomem, por vezes ficam
    até constrangidas na farmácia, passando por quase “interrogatório”. Esta certo, tem que ser controlados mesmo, mas como tem tanta gente sem acompanha
    mento médico tendo acesso?

    • Rogerio Neiva disse:4 mai 2012 às 10:50 pm · Responder

      Cara Nemora, agradeço a manifestação e colaboração.
      Registro que o texto publicado não teve finalidade acadêmica, mas informativa. Daí porque procurei valorizar a forma que fosse mais compreensível à mensagem.
      Neste sentido, evitei a precisão acerca da taxionomia do fenômeno do TDAH, de modo que evitei tratar do seu enquadramento em categorias como transtorno, distúrbio, dificuldade ou síndrome. Ainda que, inclusive com base no enquadramento formal do CID e DSM existam discussões, bem como subsiste a compreensão de que se trata de fenômeno neurocomportamental, considerando o contexto e a finalidade do texto, procurei tratar como sendo um transtorno de aprendizagem. Ou seja, não tive a preocupação com o preciosismo da taxionomia científica, o que entendo não prejudicar ou desvirtuar a compreensão principal do texto, inclusive considerando que o tema suscita divergências e reflexões.
      Quanto à aquisição, infelizmente, de forma ilícita, em termos criminais e administrativos, há um verdadeiro mercado clandestino de venda do medicamento.
      Reitero os agradecimentos.
      Abcs!

  13. mauricio disse:9 mai 2012 às 5:30 pm · Responder

    Prof. Rogério,
    peço permissão relatar o meu conhecimento sobre o uso de referido medicamento. De início, ressalto que conheço algumas pessoas que tomaram ou tomam metilfenidato para estudar. Nenhum deles se arrepende do uso. Ao contrário, afirmam que sua administração de forma controlada pode trazer benefícios. As notícias que veiculam, dentre outros, danos psicológicos e psiquiátricos nos usuários assim o faz porque tais efeitos, na verdade, são exceções aos resultados obtidos por outros. Explico: a ritalina é uma das drogas mais vendidas no mundo. O Brasil já o terceiro país que mais consome a droga, representando um consumo de milhões de cartelas todo ano. Todavia, conto nos dedos o número de relatos negativos obtidos pelos usuários do medicamento. Vale salientar que o metilfenidato existe desde os anos 80 (ou até antes). Dos relatos positivos que tenho conhecimento (por conhecer as pessoas que já tomaram e/ou tomam o medicamento), posso te assegurar que alguns juízes, procuradores, empresários e médicos são testemunhas. Efeito colateral? Qual medicamento não tem? Aliás, a bula de qualquer medicamento assusta quem não faz parte da área de saúde. É remédio controlado? Apenas no Brasil é tarja preta (basta procurar a palavra “Ritalin” no google e perceber esse diferença). Efeito Placebo? qualquer médico ético há de convir que a dosagem correta (de acordo com o PESO do paciente) fará efeito sim, o que pode não ocorrer (e aí, sim, poderia cogitar o efeito placebo) caso a droga não tenha a quantidade ideal (abaixo do mínimo para o peso). Toda discussão, referente ao uso do medicamento, portanto, deve limitar-se apenas à necessidade (clínica) de seu uso. Tarefa dos médicos. Aliás, pesquisei muito sobre TDAH e descobri que todos os seres humanos têm déficit de atenção, de forma que a intensidade desse déficit é que vai indicar a necessidade da utilização da ritalina ou outro medicamento. No mais, concordo com algumas opiniões dos colegas acima. A ritalina está sendo banalizada pela mídia. Todo medicamento, usado de forma irresponsável, trará prejuízos. Usado de forma racional, pode trazer benefícios. Isso é fato! O metilfenidato não é o único estimulante que existe no mundo. Sua utilização não pode ser banalizada. Não vejo diferença em quem toma ritalina para estudar e quem toma 10 xícaras de café e várias doses de pó de guaraná para o mesmo fim. Do mesmo modo, quem toma uma cervejinha numa noite de festa com o intuito de se soltar, ficar mais alegre e relaxar está se estimulando da mesma forma. Aliás, cerveja, cigarro e as drogas ilícitas que existem por aí são muito mais nocivas que o metilfenidato. É isso, caro Professor. Não defendo o uso da ritalina (já provei, mas não preciso), mas não vejo com bons olhos sua banalização.
    Grande Abraço

  14. Andre disse:10 mai 2012 às 5:19 pm · Responder

    Belo artigo Doutor Neiva!

    • aluna disse:16 mai 2012 às 4:25 pm · Responder

      Vou tomar… preciso tirar mais de 8 pra passar e se não tirar não me formo, e já passei na OAB… stou com medo mas vou tomar

  15. Medico disse:11 mai 2012 às 5:59 pm · Responder

    Nobre colega!

    Você é muito prolixo em descrever um simples texto!

    Falou, falou e não disse nada.

    • Rogerio Neiva disse:12 mai 2012 às 7:36 pm · Responder

      Prezado Medico,
      Agradeço a sua contribuição, com a adjetivação que fez quanto ao texto, e presumo que tenha se dado este trabalho impulsionado pelos mais elevados sentimentos do ser humano, no sentido da colaboração, e não para a busca de satisfação com a destruição do trabalho e esforço alheio. Não tenho dúvida que tomou tal iniciativa para contribuir com a reflexão sobre formas de evitar a elaboração de textos de natureza “prolixa”, e não para a promover a crítica pela crítica e diminuição do meu esforço e trabalho intelectual.
      De fato, tenho muito o que evoluir e aprender para produzir textos de forma não prolixa.
      Quando exerço meu encargo de Magistrado, sou obrigado, por disposição da Constituição Federal, no seu art. 93,IX, a sempre decidir de forma fundamentada. E isto talvez atrapalhe um pouco na produção intelectual aqui no Blog, pois tenho dificuldade em afirmar uma idéia, tese ou argumento, sem a devida fundamentação. E como vivemos a era em que as pessoas não querem se dar ao trabalho de se aprofundar nos fundamentos, diante da cultura de que tudo deve ser rápido, fácil, ir direto ao ponto, superficial e, se possível, grátis, acabo por gerar frustrações.
      Quanto à colocação de que no texto no “não disse nada”, talvez seja o caso de questionar o que é o nada, para o presente efeito.
      Mas para facilitar a compreensão, vou elencar alguns conceitos e idéias abordadas, para que se possa avaliar se há o enquadramento no conceito de “nada”:
      - alerta quanto ao fato de que há concurseiros usando o metilfenidato;
      - alerta quanto a disgnósticos pouco cuidadosos quanto ao TDAH;
      - provocação à reflexão da eficiência, em termos de custo-benefício quanto ao uso da ritalina nos estudos para concursos;
      - aplicação do conceito de função utilidade ao processo de estudo;
      - apresentação do conceito de capacidade bioquímica instalada, trabalhado pelo Prof Izquierdo;
      - apresentação do estudo publicado por Tellechea Rotta, acerca da eficácia da ritalina para portadores de TDAH;
      - provocação à reflexão sobre o uso indiscriminado da ritalina e a busca de resultados sem esforços.
      Talvez estas considerações se enquadrem no conceito de nada. Não sei. Talvez eu precise estudar um pouco mais e adquirir a capacidade intelectual daqueles que conseguem destruir em poucas palavras o esforço materializado em texto com várias palavras, o qual acaba por ser condenado a se enquadrar no conceito de “prolixo”.
      De qualquer forma, presumindo que a crítica conta com finalidade puramente construtiva, vale a reflexão para avaliar a implementação de esforços no sentido de evitar textos “prolixos”.

Menções deste artigo em outros sites:

  1. Blog Exame de Ordem » Vale a pena usar medicamentos para otimizar o desempenho nos estudos?
  2. Blog Exame de Ordem » Estudantes chineses tomam aminoácidos na VEIA para enfrentar vestibular nacional

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