Aproveitando ainda o contexto de início do ano, este post aborda um tema a ser considerado na estruturação e execução do planejamento de estudos para 2011.
Seguramente você já ouviu falar dos benefícios e da importância do sono, para a saúde, para a vida em geral e mesmo para a preparação para concursos públicos. No entanto, muitas vezes encaramos tais colocações como conselhos com os quais concordamos, mas não levamos a sério e não damos a devida importância, por meio da adoção de atitudes efetivas e concretas. O objeto do presente texto consiste na abordagem deste relevante tema para o candidato que busca o êxito nos concursos públicos.
Porém, como fiz em outro texto, tratando da importância da atividade física na preparação para concursos públicos, não pretendo aqui reproduzir colocações intuitivas, genéricas e superficiais, com abordagens do tipo auto ajuda enlatada para concursos, afirmando que o sono é importante e que você deve em dormir bem, pois disso você já sabe, sendo que valorizo e respeito o seu precioso tempo.
A intenção é apresentar argumentos consistentes e fundamentados, inclusive de modo a proporcionar a compreensão de sentido, para que, a partir daí, se sinta efetivamente provocado e passe a valorizar esta relevante preocupação, adotando atitudes efetivas e concretas.
Digo isto pois, por ter vivenciado uma intensa trajetória de candidato, bem como conviver com muitos candidatos a concursos públicos, sei que geralmente não enxergamos os custos e ônus envolvidos em atitudes que, aparentemente, possam colaborar com a busca da aprovação. Muitas vezes agimos de forma desesperada e até irracional para estarmos na lista de aprovados.
Inclusive, é exatamente isto que leva muitos candidatos à busca de soluções mágicas e milagrosas, as quais vendem a idéia de que nosso cérebro é uma máquina que pode ter seu “Hard Disk” ampliado e até “turbinado”.
Neste sentido, a tese do presente texto é de que a preocupação com o sono, no processo de preparação para concursos públicos, não se trata de uma questão de conselho médico, voltado ao cuidado com a saúde e desvinculado da preocupação com a aprovação. Trata-se de uma condição fundamental para o alcance de êxito nas provas.
Vamos aos fundamentos.
Existem diversas construções, estudos e pesquisas, de credibilidade acadêmica e científica, para justificar a presente tese.
Uma primeira idéia consiste no fato de que dormir significa paralisar momentaneamente a recepção de estímulos. Ou seja, significa paralisar a atividade cognitiva de captura de informações. Não é preciso o domínio de conceitos neurocientíficos para concluir que isto tende a valorizar o que foi capturado no estado de vigília.
Vale também registrar que a preocupação com o estudo da relação entre memória e sono existe há décadas. Porém, recentemente, algumas pesquisas passaram a demonstrar que tanto no sono paradoxal, o qual conta com uma intensa atividade cerebral e também é chamado de sono REM, bem como no sono lento (não REM), ocorre uma atividade de consolidação de memórias. Apenas a título de ilustração, um estudo chefiado pelo Prof Pierre Maquet, com o uso do “Pet Scan” (tomografia por emissão de pósitrons), mostrou que as mesmas áreas cerebrais ativadas em momentos anteriores ao sono eram ativadas durante o sono.
Outro estudo relevante, chefiado por um pesquisador chamado Jan Bom, mostrou que no sono paradoxal as memórias motoras são mais ativadas, ao passo que no sono lento as memórias declarativas, as quais envolvem a retenção de dados conceituais e informativos, contam com atividade mais intensa. Vale dizer que as memórias declarativas encontram-se mais próximas da realidade do que o candidato a concursos públicos deve se apropriar intelectualmente. Porém, o mais importante deste estudo foi mostrar que no sono lento também há a atividade de consolidação de memória.
No livro que publiquei recentemente pela Ed Método, tratando do tema da preparação para concursos (Como se Preparar para Concursos Públicos com Alto Rendimento), menciono argumento da neurocientista brasileira Suzana Herculao Houzel, a qual sustenta que durante o sono entra em ação a atividade de seleção e descarte de informações. Ou seja, o nosso “equipamento biológico” funciona descartando o que é irrelevante e retendo o que é tido por relevante. Por isto que episódios traumáticos muitas vezes contam com dificuldades para serem cognitivamente descartados.
Aliás, aproveito para lembrar que a referida autora, na sua obra “O Cérebro Nosso de Cada Dia” (Ed Vieira&Lent), menciona estudo no qual cobaias foram estimuladas a não dormir, inclusive com a fixação dos olhos abertos. Obviamente que vieram a falecer. Contudo, o comprometimento da sobrevivência começou com a desregulação da temperatura do corpo, depois caminhando para processo de falência dos órgãos.
Cuidado para que não tenha o mesmo fim!
Portanto, dormir não é uma questão de seguir conselho médico. É uma condição fundamental à aprovação!
Durante a minha trajetória de candidato, houve uma ocasião na qual sonhei com o instituto da intervenção de terceiros, inerente ao Direito Processual Civil. Daí percebi o quanto havia consolidado aquela informação, o que inclusive, no plano consciente, me proporcionou mais segurança sobre o tema, até então tido por precariamente apropriado.
Porém, não ache que isto significa que estudar durante o sono, por exemplo ouvindo informações em áudio, tem o mesmo efeito. Existem estudos que mostram que não! A dinâmica ideal é estudar em vigília e dormir para consolidar memórias. E no caso das declarativas, valorizando o sono lento.
Portanto, ao se preparar para concursos públicos, dormir não é apenas uma questão de saúde e bem estar. Trata-se de condição necessária à apropriação intelectual das informações passíveis de solicitação no momento da prova.
Espero que esteja convencido e possa dormir tranqüilo, com a convicção de que não está jogando seu tempo fora.
Bom estudo e bom sono para consolidação de memórias declarativas!











7 comentários até agora. Deixe o seu.
Muito bom post! Parabéns!
Rogerio,
Existe um tempo mínimo e máximo para o concurseiro dormir?
abs
Dr. Rogério Neiva, parábens, excelente artigo assim como todos os demais, para mim foi uma novidade a questão da apropriação da memória não apenas no “sono paradoxal” (REM) mas também com o “sono lento”. Procurarei saber mais a respeito deste sono lento. Seria ele o início do estado inconsciente? Aprenderíamos mais se dormíssemos um pouco menos e, por consectário, com mais sono lento do que o paradoxal? O que acha Dr.? Obrigado
Caro Prof. Rogério Neiva,
Primeiramente gostaria de parabenizar pelo presente artigo bem como pela lucidez,seriedade e embasamento científico que tem tratado o tema concursos públicos em seus outros posts.
Em segundo lugar,aproveitando seus conhecimentos de psicopedagogia e o tema desse artigo, gostaria de questioná-lo: existe realmente o estado de vigília relaxada enquanto estamos acordados?
Podemos realmente acessá-lo através da diminuição da frequencia cerebral com a ajuda de músicas clássicas barrocas (Handel,Bach) na faixa de 8 a 12 ciclos por segundo?
Pergunto isso porque uma vez li algo sobre uma pesquisa realizada por um médico e educador búlgaro chamado Georgi Lozanov, que na década de 60 fez um experimento com seus alunos através de um relaxamento utilizando músicas com frequencias específicas para aliviá-los antes das aulas, favorecendo o processamento e memorização de informações.
Segundo li, Lozanov acreditava que esse tipo de música em específico mantinha a informação “acesa” na consciência do aluno até à noite quando, realmente, acontece a consolidação da memória.
Enfim, se lhe for do conhecimento, gostaria de um parecer de sua parte sobre isso.
Desde já agradeço a atenção dispensada.
Em tempo: acompanho o RSS do seu site e Twitter e devido à qualidade de suas abordagens comprei o seu último livro e estou ansioso para chegar para poder lê-lo e otimizar meus estudos. Obrigado pela disposição em ajudar a sermos verdadeiros candidatos de alto rendimento. Bom trabalho professor.
Posso dormir tranquila então.
Rodrigo, interessante esta relação com a música clássica.
Achei interessante, mas não de muita relevancia o tema proposto. Ora, se é importante ou não o fato de que o sono é fundamental no sentido de retenção das informações na memória, isso de pouca importância se reveste para muitos – visto que,a grande realidade “do pouco tempo” para os estudos vivido por muitos concurseiros(muitos trabalham durante o dia(6 a 8hs), e estudam à noite em cursinhos ou faculdades, lhes sobrando apenas tempo para estudo individual na madrugada…) fazem com que suas horas de sono lhes sejam bastante reduzida. Daí digo, o importante a ser alvo de interesse para muitos concurseiros é sobre como durmir menos, sem que com isso haja prejuíjos à saúde, de modo que possam lhes sobrar mais tempo de dedicação aos estudos.
Que quase tudo concurseiro sabe é que quando se dorme bem, se aprende melhor, há melhor disposição para estudar, o cerebro rende mais etc… no entanto, para muitos concurseiros – àqueles que trabalham, tem família para dar conta, e ainda tem que se dedicar aos estudos – a verdade é que se tem que matar boa parte do sono – ou seja, não dá mesmo para deitar-se às dez da noite, e dormir feito um anjinho, sonhando com a matéria que foi estudado apenas 5%… e depois, acordar 6 horas da manhã e ter que ir para o trabalho, lhes sobrando apenas finais de semana e feriados.
E então, o que fazer? definhar-se em estudos intensos até chegar as últimas consequencias? não. claro que não. No meu entender, se a memória retem e apreende menos quando se dorme pouco, e isso diminue o redimento em termos de acessar as informações a um longo prazo, deve-se então trabalhar com as revisões períodicas das informações, deixANDO-AS sempre fresquinhas no cerebro para acesso.
poderia então se dizer: basta o candidato não deve se estressar e ter paciência, obedecendo um ritmo razoável.
Ok, creio que o candidato que estuda mesmo pouco por/dia, se não desistir e manter-se empenhado, um dia passa.
contudo, penso da seguinte forma: é preciso uma certa urgência na apreensão das informações de modo a acelerar o dia da aprovação. E isto afirmo devido ao fato de que a cada dia que passa as coisas se tornam mais difícil. O grau de dificuldade não diminui e nem permanece o mesmo para muitos concursos públicos. Se houve um concurso em 2008, com certeza o mesmo concurso me 2011 será mais complexo, se exigirá mais desses candidatos. Por isso, quanto mais rápido passar, melhor. Se evitará mais estresse e enfrentará menos dificuldade.
Mas por que isso então? será pura maldade das bancas? é querer que muitos fiquem mesmo fora? Será que eles não têm piedade e misericórdia destes pobres coitados concurseiros?
Ora,não terão e nem terá! basta verificar que hoje concurso público movimenta uma imensa massa de dinheiro entre cursinhos, intituições públicas e privadas, editoras e livrarias, faculdades… e desse modo, para o nosso sistema capitalista, é algo maravilhoso… é uma ferramenta na engrenagem do sistema de ótima valia…
então… bem-aventurados são aqueles que já garantiram seu lugar ao sol… e àqueles que ainda não, melhor será quanto mais rápido for a aprovação, menos será o sofrimento.
No mais, o texto é de bom aplicativo àqueles que vivem suas 24 horas à disposiçue ter uma bela noite de sono. Quem pode, aproveite!
ão dos estudos e que por conta disso vivem à custa de patrocinadores. Se a pessoa pode estudar 8 horas a 10 horas por dia – durante o dia – sem muitas preocupações ou outras ocupações, nada melhor q
Quem não pode, vai como pode… matando um leão por dia… e se houver arranhões das garras e mordidas de dentes afiados desse leão… bom… numa luta dessa, os ferimentos é o preço que se deve pagar…
Estou indo dormir!!!