Qual a é relação entre o tempo e o objeto de conhecimento ou de estudo no processo de preparação para concursos públicos? O objetivo do presente texto consiste no levantamento de algumas ponderações voltadas ao alcance da resposta, tendo por finalidade principal a colaboração com a adequada gestão do tempo.
Inicialmente, vale registrar que o tempo consiste num dos recursos mais valiosos e relevantes para o candidato a concursos públicos. Conforme venho sustentando, o tempo deve ser considerado inclusive quanto ao custo de oportunidade temporal. Ou seja, o investimento de tempo na preparação para o concurso público conta com um sentido dúplice, envolvendo o tempo efetivamente investido, bem como aquele que deixa de ser destinado a outras formas de aproveitamento do tempo, o que corresponde ao custo de oportunidade de tempo.
Por outro lado, segundo a teoria da tripla restrição, a qual não tem sua aplicação limitada ao processo de preparação para concursos públicos, qualquer projeto se sujeita a três restrições, que correspondem à qualidade, ao tempo e ao custo. Vale registrar que esta consiste na definição tradicional da referida teoria. No entanto, trazendo a sua aplicação para o campo da preparação para concursos públicos, considero que seria correto falar em qualidade, duração e custo. Este custo, por sua vez, tem relação com a quantidade de horas de estudo por semana que o candidato pode investir.
Portanto, o fator tempo, no processo de preparação para o concurso público, tem dois sentidos. Por um lado, compõe o conceito de duração, envolvendo o período total que se leva do início ao fim da preparação. Por outro, se relaciona com o conceito de custo, envolvendo a quantidade de horas (tempo) que o candidato pode investir por semana. Semana ou outras modalidades de subperíodos, como por exemplo quinzena ou outros períodos cíclicos da preparação.
Neste sentido, tal compreensão demonstra que o tempo consiste num dos mais relevantes recursos mobilizados pelo candidato no processo de busca da aprovação.
Naturalmente que aí reside uma grande diferença entre muitos candidatos. Não é incomum a classificação de candidatos segundo o tempo, envolvendo o grupo daqueles que estão por conta dos estudos e daqueles que precisam trabalhar e assumir responsabilidades familiares paralelamente à preparação para o concurso público. E também não é incomum que se visualize como critério distintivo entre os dois grupos o aspecto econômico, de modo que aqueles que estão por conta dos estudos assim estariam por disporem de melhores condições econômicas que os demais.
Mas o fato é que esta compreensão é a causa. A conseqüência de estar ou não por conta dos estudos significa uma capacidade de investimento maior ou menor, em termos de horas de estudo por semana. Ou seja, tempo a ser investido.
Digo isto apenas para reforçar a tese de que o tempo consiste num recurso de enorme importância, o que indica a necessidade de que o candidato a todo momento esteja preocupado com a adequada gestão do tempo.
Inclusive, o presente assunto se relaciona com um tema que havia antes trabalhado, ao desenvolver um texto sobre construção metodológica voltada à mensuração de quantas horas são necessárias para a conclusão de um plano de estudos voltado à preparação para concursos públicos. No referido texto procurava responder a pergunta sobre quantas horas de estudos seriam necessárias para se preparar para o concurso público. A resposta a tal pergunta se insere na proposta conceitual-metodológica desenvolvida no mencionado texto, a qual se insere no conjunto de construções que denomino Teoria Geral do Tuctor.
Mas avançando na tentativa de resposta à pergunta colocada no inicio da presente abordagem, e superada a compreensão da importância do tempo, é preciso que se entenda também o sentido do conceito de objeto de conhecimento. Ou seja, o que é o objeto cognitivo no processo de preparação para o concurso público?
Primeiramente, é preciso compreender que, conforme venho sustentando, a preparação para o concurso público deve ser encarada como um empreendimento de natureza cognitiva e intelectual. Porque? Pelo fato de contar com dois grandes objetivos, um mediato e outro imediato. O objetivo mediato, que corresponde ao fim maior , consiste na aprovação, sendo que o objetivo imediato consiste na apropriação intelectual e cognitiva de um conjunto de informações e conhecimentos passiveis de solicitação no momento da prova.
Portanto, o objeto de conhecimento consiste neste conjunto de informações e conhecimentos que devam ser apropriados intelectualmente pelo candidato, de modo a estarem disponíveis no momento da prova. Em termos mais concretos, conforme a proposta metodológica que venho trabalhando, trata-se do segundo elemento que compõe o planejamento estratégico, correspondendo ao programa, o qual consiste no conjunto de matérias e conteúdos definidos pelo candidato.
Estabelecidos estes esclarecimentos e premissas, e voltando à pergunta inicial, indago novamente: qual é a relação entre o tempo e o objeto de conhecimento na preparação para o concurso?Para encontramos a resposta tempos duas possibilidades envolvendo situações puras e uma situação híbrida.
Uma primeira possibilidade consiste na situação na qual o objeto de conhecimento se coloca como uma das variáveis que determina o tempo. Ou seja, o candidato define o que vai estudar e, a partir desta definição, o tempo a ser demandado com tais estudos passa a ser uma conseqüência. Isto é comum no caso estudo bibliográfico.
Já numa segunda situação, ocorre do tempo determinar o objeto de conhecimento. Isto é, a partir do tempo disponibilizado, vem a definição do que será estudado. Esta situação envolve uma postura passiva, por parte do candidato, ocorrendo nos casos de cursos preparatórios presenciais e satelitários.
Dessa forma, na primeira situação o objeto de conhecimento influencia diretamente a determinação do tempo. Já na segunda situação, o candidato disponibiliza o tempo e, a partir deste elemento, vem a definição do objeto de conhecimento a ser estudado.
A situação hibrida ocorre nos cursos via web. No caso, o tempo destinado a cada objeto de conhecimento, numa compreensão individualizada e compartimentada, é definido pela instituição que promove o curso. Porém, o candidato conta com controle quanto a cada objeto de conhecimento que irá estudar.
Superados os esclarecimentos apresentados, a intenção é que, primeiramente, você, candidato a concursos públicos, entenda as possibilidades de relação entre o que vai estudar e o tempo. Por outro lado, também é fundamental que promova a adequada gestão destes elementos de grande importância no processo de preparação. Se vai para a prova sem ter concluído o plano de estudos, por não ter gerido adequadamente o seu tempo, e falta de disponibilidade de uma informação solicitada pelo examinador e não estudada é determinante para que não se alcance a aprovação, podemos afirmar que a reprovação no concurso decorreu da inadequada gestão do tempo.
Bons estudos boa gestão do tempo na preparação para o concurso público e na vida!











2 comentários até agora. Deixe o seu.
Excelente!!!
Simplemente maravilhosa as sua aulas, és uma biblioteca ambulante, parabéns.