Síndrome do Impostor e Concursos Públicos

Por  •  13 out 2010  •  Gestão Emocional  •  4 Comentários
concursos públicos síndrome do impostor autoconfiança motivação como se motivar como passar

Será que você, como candidato ao concurso público, sofre da síndrome do impostor? Será que é vítima deste problema psíquico e isto lhe causa transtornos e prejuízos no processo de busca da aprovação?

Talvez sem perceber, muitos candidatos são vítimas desta síndrome de natureza psicológica. Ao tomar contato com os estudos descritivos da síndrome do impostor, não tive dúvida de que, de forma mais ou menos intensa, em algum momento da minha trajetória de candidato, apresentei os sintomas típicos e, naturalmente, sofri as conseqüências e transtornos decorrentes.

Inclusive considero que este tema faz parte do terceiro Eixo Conceitual da Preparação de Alto Rendimento. Conforme venho sustentando, a adequada preparação para o concurso público passa por três eixos conceituais, que correspondem ao Planejamento, à Aprendizagem e à Gestão das Condições Emocionais.

Mas afinal, o que é a síndrome do impostor e como pode afetar o candidato a concursos públicos?

Conforme publicado recentemente na Revista Mente e Cérebro, “A expressão ‘fenômeno do impostor’ foi usada pela primeira vez no final dos anos 70 pela psicóloga Pauline Clance, da Universidade do estado da Geórgia, em Atlanta. Segundo ela, os pacientes que apresentavam essa manifestação têm uma dolorosa consciência de suas fraquezas. Ao mesmo tempo, tendem a supervalorizar a capacidade e os pontos fortes dos outros – e sempre se consideram em desvantagem. Não é de admirar que essas pessoas tenham baixa autoestima.” (Ano VXIII, no. 213, p. 25).

Não tenho dúvida de que muitos candidatos acabam firmando uma visão de autolimitação típica da síndrome. Muitos candidatos acabam estabelecendo a percepção de incapacidade da aprovação. Existem inclusive aqueles candidatos que demoram a acreditar que passaram no concurso público, mesmo tendo sido aprovados. Em certa ocasião, um candidato que havia passado em determinado concurso me confidenciou que achava que havia uma fraude no certame e estava com o receio de que fosse anulado, exatamente por estar afetado pela mencionada síndrome, talvez num nível de intensidade mais elevada.

Este problema psicológico, no processo de preparação para o concurso público, tende a se manifestar de duas formas. Pelo excesso de empenho (“overdoing”), enquanto meio para suprir as limitações nas quais acredita, ou pela falta de empenho (“underdoing”), para justificar o fracasso que considera que virá. E as duas atitudes são inadequadas.

No caso do excesso de empenho, talvez até exista algo de positivo. Mas é preciso que se tenha cuidados. Já no caso da falta de empenho, não preciso nem comentar as suas conseqüências, pois pode ter papel determinante nas reprovações.

O fato é que é fundamental ao candidato ao concurso público neutralizar ou eliminar os efeitos a síndrome do impostor. Mas como fazer isto?

Primeiramente identificando, reconhecendo e tomando consciência de que o fenômeno existe e está em ação.

Em segundo lugar, é preciso contar com duas compreensões de grande relevância, as quais inclusive trabalho no livro que lancei recentemente pela Editora Método, tratando da preparação para concursos públicos (“Como se Preparar para Concursos Públicos com Alto Rendimento”).

A primeira, que se encontra no cerne da idéia da Preparação de Alto Rendimento, corresponde à noção de que a condição fundamental para a aprovação consiste na disponibilidade intelectual e cognitiva das informações solicitadas pelo examinador no momento da prova, o que exige a submissão a um processo de apropriação intelectual. Conforme venho sustentando, na realidade, a aprovação exige uma condição formal e outra material. A condição formal consiste no alcance da pontuação necessária, considerando os parâmetros do edital. A condição material consiste na disponibilidade das informações solicitadas, o que, por sua vez, irá viabilizar a condição formal.

E exatamentepor conta desta premissa sustento que a preparação para concursos públicos conta com dois objetivos, um mediato e outro imediato. O objetivo mediato, que corresponde ao fim maior, consiste na aprovação, ao passo que o objetivo imediato, mais direto, corresponde à apropriação intelectual e cognitiva das informações passíveis de solicitação pelo examinador no momento da prova.

Portanto, a primeira atitude para neutralizar e combater a síndrome do impostor consiste na compreensão de que para passar no concurso público basta se apropriar intelectualmente, de modo a ter a disponibilidade cognitiva, das informações passíveis de solicitação no momento da prova. Basta isto! E todos os candidatos contam com um equipamento biológico para tanto.

Ou seja, não se trata de uma questão do candidato achar que não pode. É assim que funciona! Portanto, se conscientize disto. Lhe desafio a me apresentar argumentos no sentido contrário!

A segunda estratégia consiste em direcionar o foco no processo. Ou seja, foque na execução do seu plano. Sem fazer mais nem menos.

Tire o foco do resultado. Traga o foco para o processo. O Sistema Tuctor, ao estabelecer metas de curto e curtíssimo prazo, por meio dos indicadores de metas e metas de desempenho, pode proporcionar grande contribuição.

Mas tente não se preocupar com o resultado. Tenha como objetivo cumprir com as metas estabelecidas no planejamento. E com isto, saiba que, aceite ou não, o resultado será uma conseqüência lógica e natural. E também saiba que assim é com todo mundo. Assim, foi comigo e assim foi com todos aqueles que hoje ocupam os cargos dos quais são titulares.

Cuidado com esta e outras autolimiotações que podem lhe atrapalhar. E espero que prove que você não era um impostor, por meio da forma mais verdadeira e legítima de demonstração possível: figurando na lista de aprovados!

Sucesso e bons estudos!

4 comentários até agora. Deixe o seu.

  1. Helga Maria disse:13 out 2010 às 11:04 am · Responder

    Tema bem relevante. Reconheço, neste texto, algumas pessoas que conheço (inclusive eu mesma).

  2. Ana Luiza da Silveira disse:13 out 2010 às 2:51 pm · Responder

    Dr. Rogério, boa tarde! Sigo o Sr. no twitter e sempre acho os seus artigos interessantes, mas esse foi pra mim! (rss)

    A falta de empenho é uma das coisas que mais me prejudica quando o assunto é estudar. Antes de ler este artigo eu já tinha chegado a conclusão e agora posso confirmar que eu realmente não me empenho o suficiente para depois justificar o um possível fracasso com qualquer desculpa. É muito triste isso e eu não me orgulho nem um pouco de ser assim, mas estou lutando diariamente para mudar.

    Estou anciosa para ler a próxima parte do artigo, mas também estou lendo o seu livro, o que já está me ajudando.

    Muito obrigada pela dedicação constante que o Sr. tem com os estudantes!!

    Que Deus o abençoe por toda a sua vida.

    Ana Luiza

  3. SIBELLY PEREIRA PROCÓPIO disse:26 jan 2011 às 7:41 pm · Responder

    Percebi, com a leitura deste, que possuo essa síndrome (do impostor). E sabendo como amenizar as consequências, começo a ver luz no fim do túnel.

  4. Larissa disse:17 abr 2012 às 9:04 pm · Responder

    Professor seu post no facebook p esse texto me chamou a atenção. Quando li sobre o que ele tratava fiquei com a sensação de que o senhor esteve lendo meus pensamentos hoje. Passei o dia me sentindo exatamente assim. Por mais que a gente tenha pé no chão para nao se deixar afetar pela síndrome do impostor, de vez em quando ela tenta baixar. Obrigada.

Deixe um Cometário