Namoro e Preparação para Concursos Públicos

Por  •  12 jun 2012  •  Como se Preparar, Gestão Emocional  •  24 Comentários
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Para os leitores assíduos e freqüentes do Blog, sempre exigentes de abordagens fundamentadas e consistentes, aviso desde já que o presente texto tem um perfil “light”. Inclusive considerando a natureza do tema: namoro e preparação para concursos!

Faz algum tempo que pensava em escrever algo sobre, inclusive a partir de conversas com alunos nos intervalos de aula. Como hoje é dia dos namorados, achei que era o caso de transformar em texto algumas reflexões que geralmente externo verbalmente.

Primeiramente, este assunto não interessa a todos os candidatos, mas a uma parcela de candidatos que se encontram numa fase da vida na qual ainda não estão casados, contando com família estruturada, pois aqueles que já contam com essa condição não estão sujeitos a relacionamentos que se enquadrem no conceito de namoro. Não obstante, alguns conceitos também comportam a reflexão destes concurseiros que estão casados.

Mas considerando o universo de candidatos que ainda não alcançaram a referida condição (de estarem casados), podemos contar com duas situações: (1) o(a) candidato(a) tem um relacionamento que se enquadra no conceito de namoro; (2) o(a) candidato(a) não tem tal relacionamento.

Então vamos lá.

Primeiramente, para quem está namorando.

No plano das vantagens, teoricamente, você tem ao seu lado alguém que lhe dá forças. Alguém que lhe incentiva. Alguém que no momento em que sair o resultado e o seu nome não está lá na no rol de aprovados vai oferecer o ombro, os braços e todos os membros que auxiliem no consolo, bem como lhe incentivar a manter o empenho. Alguém para quem você pode confidenciar suas angústias e frustrações, sem qualquer receio de censura ou vergonha.

Alguém também para os poucos momentos de alívio e diversão, a qual estará ao seu lado. Inclusive nos momentos íntimos.

Este alguém pode ser fundamental para lhe manter na linha de equilíbrio, principalmente em termos emocionais. Não são poucos os relatos de candidatos que reconhecem que o(a) seu(sua) parceiro(a) foi fundamental para que chegasse até o final da caminhada, de forma vitoriosa. Os discursos de posse, geralmente realizados pelo primeiro colocado no concurso, nunca omitem este reconhecimento.

Porém, este alguém tem uma única expectativa, justa e absolutamente legítima: que esta relação, enquadrada no conceito de namoro, após a posse, se converta em algo mais consistente, inclusive e principalmente em termos jurídicos. Geralmente o nome é casamento! Pouco importando o regime de bens.

Portanto, para aqueles que estudam para concursos públicos e mantém uma relação que se enquadra no conceito de namoro, tenha a consciência e a responsabilidade de que há uma expectativa daquela pessoa que está no outro polo da relação. Portanto, tenha a seriedade devida e necessária com esta expectativa! Não brinque com isto! Não vá terminar esta relação após passar no concurso, ao não precisar mais daquele apoio que tinha. Se for o caso, termine o relacionamento antes de passar no concurso!

E mais, tome cuidado com a vanguardista jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça! Da mesma forma que recentemente reconheceu o dano moral decorrente da carência afetiva, não me espantarei se amanhã surgir tese no sentido de que terminar o namoro após passar no concurso configura dano moral, passível de indenização.

no caso daqueles(as) que não tem uma relação que se enquadra no conceito de namoro, pode ser que exista a expectativa exatamente de que, após passar no concurso público, irá vivenciar experiências até então não vivenciadas, inclusive em função dos sacrifícios impostos pela preparação. E tais experiências podem envolver relacionamentos sem compromissos consistentes e de longo prazo, até mesmo diante da compreensão de que essas (experiências) são necessárias para o amadurecimento e para que, ao se optar por um relacionamento consistente, se tenha a certeza da intenção de “animus definitivo”, inclusive com base nas outras experiências vividas.

Portanto, se você enquadra no segundo grupo, que pretende vivenciar diversas experiências após a aprovação, inclusive como meio de compensar os sacrifícios que fez, incompatíveis com relacionamentos duradouros e consistentes, não namore enquanto estiver se preparando para o concurso público! Pois se assim o fizer, terá duas opções: (1) manter o relacionamento e atender a legítima expectativa da outra pessoa, no sentido de converter esta relação em vínculo mais consistente, provavelmente um casamento, mas ficar frustrado(a) por não ter vivido aquilo que gostaria e considera que se esforçou para tanto; (2) romper a relação, num ato de pouca consideração, frustrando a legítima e justa expectativa daquela pessoa que estava ao seu lado, enquanto meio para que você não se frustre.

No primeiro caso, de seguir adiante no atendimento das expectativas da pessoa que estava ao seu lado, mas frustrando as suas (de viver outras experiências e mesmo relacionamentos, com as condições, inclusive materiais, que a titularização no cargo pretendido lhe proporcionaria), não é incomum que no futuro isto se converta em separação. Afinal, teremos um casamento construído com base numa expectativa frustrada para um dos lados.

Portanto, reflita sobre tudo isto. Avalie em qual situação você se enquadra e adote uma postura responsável.

Namoro e concurso é coisa séria.

Mas para os concurseiros que namoram, com toda a convicção do que querem, que sejam aprovados e felizes para sempre!

Feliz dia dos namorados!

24 comentários até agora. Deixe o seu.

  1. Renata disse:12 jun 2012 às 11:06 am · Responder

    Prof Neiva,
    Impressionante como o sr consgue enxergar as coisas! Achei ótimo este texto! Estou estudando e meu namorado também e ele será obrigado a ler.
    Abraços!!!

  2. Paulo Roberto disse:12 jun 2012 às 11:08 am · Responder

    Caríssimo Professor Neiva,
    Que puxão de orelha ein!
    Se eu terminar o namoro depois de passar no concurso já estou previamente punido…
    Mas assino em baixo. Os caras que estão pensando em cair na farra depois de passar e dispensar a namorada já fiquem cientes das suas colocações.
    Valeu!
    PR

  3. Ana Maria Saraiva disse:12 jun 2012 às 11:09 am · Responder

    Querido Prof Rogerio Neiva, amei o texto! Falou tudo!
    Não tenho namorado, mas ficaria indignada se estivesse com um cara enquanto ele estivesse estudando e depois de passar terminasse.
    Bjs!

  4. Rebeca disse:12 jun 2012 às 11:11 am · Responder

    É isso aí Prof! Se o cara quiser dar o tombo na namorada depois de passar, já ficamos todas vacinadas!!!!!!!

  5. Antonio Rodrigues disse:12 jun 2012 às 11:12 am · Responder

    Moral da história: quem está ao nosso lado nos momentos difíceis, deve e pode estar ao nosso lado nos bons momentos.
    Parabéns pelo texto Prof Neiva!

  6. Renato Peixoto disse:12 jun 2012 às 11:14 am · Responder

    Prof Neiva, o Sr consegue tratar de forma séria, reflexiva e sistematizada até aquilo que nunca imaginamos que possa ser, o que geralmente é tratado de forma banal.
    Cada texto do blog é uma aula de orientação e para a vida.
    Não concordo com o Sr quando diz que o texto é light.
    É um texto sério e importante.
    Obrigado mais uma vez!
    Renato

  7. Carlos disse:12 jun 2012 às 11:17 am · Responder

    Eu nunca tinha parado para pensar da forma que o Neiva colocou no texto.
    Mas de um jeito ou de outro já tinha esta visão do que o texto diz.
    Ou seja, depois que eu passar quero mais é curtir e não me apegar a uma única mulher. Como diz o texto, quero ter “várias experiências”. Traduzindo, passar o rodo e curtir!
    Por isto não estou namorando agora e não quero namorar.
    Prof Neiva, vc é o cara!
    Só faltou dizer qual foi o seu caminho. Imagino que optou por ficar solteiro e depois que passou no concurso teve as “várias experiências”! kkkkk!
    Brincadeiras à parte, também admiro seu trabalho e concordo que o Sr consegue ver seriedade e compromisso naquilo que muitas vezes não damos a importância devida.
    Abraços!

  8. Reinaldo disse:12 jun 2012 às 11:18 am · Responder

    Eu sou do time dos solteiro que querem se dar bem e pegar todo mundo depois de passar, sem risco do STJ mandar pagar indenização!!!!!!!!

  9. Sebastião disse:12 jun 2012 às 11:21 am · Responder

    Dr Rogerio Neiva,
    Data maxima venia, acho que o Sr. não pode ficar dizendo o que é certo ou não quanto a relacionamentos.
    Cada um sabe o que faz e responde por isto.
    Prefiro quando o Sr escreve sobre aprendizagem e planejamento de estudos.
    Espero que entenda e respeite minha opinião. Pois o admiro e sou leitor frequente do blog.
    Atenciosamente,
    Sebastião

  10. Bruno Zampier disse:12 jun 2012 às 11:53 am · Responder

    Rogério, parabéns pelo texto!
    Vc não disse o que é certo ou errado.
    Apenas trouxe a reflexão. Cada um tire suas conclusões.
    Em minhas aulas, eu sempre coloco o seguinte: “já bateu um papo sincero e honesto com seu parceiro sobre seu plano pessoal?”
    Se o parceiro apoia, o estudo certamente fluirá mais fácil.
    Se o parceiro é inseguro, não apoia, não quer a aprovação, isto será uma ancora na sua vida de concursando.
    Qto ao futuro, não vejo regras.
    Tem relacionamento que já está falido e a aprovação vem apenas como gota d’água para o fim.
    Outros, caminharão naturalmente para a concretização de projetos mais duradouros, com família, filhos, etc.
    Abração pra vc.
    Bruno Zampier.

    • Rogerio Neiva disse:12 jun 2012 às 11:57 am · Responder

      Gd Bruno!
      Muito obrigado pela iniciativa do comentário e pelo seu conteúdo!
      Também agradeço por ter prestigiado o Blog com o comentário!
      E aproveito para sugerir aos leitores o site do Prof Bruno: http://www.brunozampier.com.br
      Abcs!

  11. Cibelly disse:12 jun 2012 às 12:34 pm · Responder

    Professor, obrigada por postar a matéria de forma tão responsável! Ainda mais porque hoje em dia relacionamento virou mercadoria.

    É conhecendo pessoas assim como o senhor, que eu fico feliz apesar dos caos que nos rodeiam!

    E eu penso assim: tudo bem que queiram pegar todas, mas, que peguem com responsabilidade!

    Obrigada e parabéns pelo texto.

  12. Marcelo KPZ disse:12 jun 2012 às 1:06 pm · Responder

    Já vi essas histórias várias vezes, as duas possibilidades, mas o que vejo mais frequentemente é o namoro terminar após a posse, pra infelicidade da parte que esperou tanto tempo por isso para seguir adiante com a relação.

  13. maria silva disse:12 jun 2012 às 2:12 pm · Responder

    Eu não só vi como vivi essa história,mas como diz o ditado há males que vêm para o bem.Hoje estou numa situação muito melhor que a dele,acho que ele não tinha maturidade suficiente e o “sucesso” lhe subiu à cabeça.

  14. Ale disse:12 jun 2012 às 3:42 pm · Responder

    Excelente texto!! muitos concurseiros namoram hj já com a intenção de terminar o relacionamento após a posse. Total falta de caráter e de responsabilidade…

    • Vinícius disse:13 jun 2012 às 12:57 pm · Responder

      Ale.

      com todo o respeito, vc realmente acha que é sempre assim? que é “…falta de caráter e de responsabilidade…” o relacionamento terminar depois que um é aprovado em concurso?

      Pode ser assim para muitos casos, mas não penso que seja para todos. Cada caso é diferente um do outro.

      Penso como o colega Bruno afirmou acima. As vezes o relacionamento já está desgastado e a aprovação no concurso é só a gota da d’água para o término.

      Vivo um relacionamento de brigas constantes. Não conseguimos ficar sequer duas semanas sem uma chateação.

      Por esse e outros motivos não tenho a menor pretensão de contrair matrimônio com ela.

      Minha opinião já está tomada e a aprovação em concurso não a mudará.

      Não tenho a intenção de terminar após a posse, mas uma estabilidade profissional talvez facilite isso, se a instabilidade no namoro continuar.

      Ou seja, é tudo “se” e “talvez”…

      Portanto, não seria “falta de caráter e de responsabilidade” um eventual término após a aprovação.

      Att.

      • Renata disse:14 jun 2012 às 8:58 am · Responder

        Concordo como Vinícius, cada caso é um caso.
        Generalizar é perigoso….

  15. Rodrigo disse:12 jun 2012 às 4:04 pm · Responder

    Eu namoro e estudo pra concurso. Pra mim é difícil conciliar os dois, e as vezes eu acabo cedendo para minha namorada e deixando de estudar pra ficar com ela. Essa é a parte ruim do relacionamento, pois atrapalha meus planos em momentos que não poderiam ser alterados. Mas muitas vezes que eu estou com ela acabo relaxando e me recuperando para voltar a estudar com mais afinco.

    Vou pensar melhor sobre o que o senhor escreveu. Abraço!

  16. felipe disse:14 jun 2012 às 12:13 am · Responder

    Gostei muito do texto. Inclusive estava com essa dúvida, pois estou me preparando p exame da ordem, e fico pensando como é possível conciliar as duas coisas, estudo e namoro.
    Abraço.

  17. Gustavinho disse:14 jun 2012 às 11:48 am · Responder

    Que legal o texto professor !
    Mas acho que tudo depende da namorada que tiver. Aqui acredito que poderiamos usufruir do principio da proporcionalidade:
    Pois se a namorada for feia, gorda, burra e chata, nada mais logico que ser aprovado e dar um pé na bunda ne, ainda que voce seja feio, burro voce nao é, pode se utilizar da inteligencia e do cargo para arrumar algo melhor!
    Mas se for bonita, inteligente, companheira, pode casar sim !!!

  18. karina disse:16 jun 2012 às 11:16 pm · Responder

    Muito bom professor,
    Infelizmente já me vi na situação de ter o ex-namorado aprovado e não ter o reconhecimento das noites de estudo e companheirismo. Foi um ótimo texto, coisas referentes à relacionamentos interferem e muito nos estudos.
    Hoje, tenho um bom amparo psicológico e emocional… já fui aprovada em concursos e pretendo alcançar meu sonho este ano, mas sempre é bom refletir sobre a importância das pessoas que estão ao nosso lado sejam amigos, namorados, pais, todos contribuem para nos manterem fortes.

  19. Renan disse:21 jun 2012 às 9:48 pm · Responder

    Parabéns professor!
    Como sempre, brilhante. E para aqueles que dizem:
    “cada caso é um caso, não se pode generalizar”
    Eu fico pensando, se não esta dando certo porque não termina?
    É o medo de nao conseguir mais nenhuma besta que ature ou a sensação que só vai arranjar mulher quando tiver dinheiro.
    Não engane ninguém e principalmente nao se engane.Se você tem atitudes de cafajeste nao adianta achar que não é bem assim.
    Abração Rogério!

  20. Lucelia Cardoso disse:2 ago 2012 às 5:52 pm · Responder

    Depois de passar, vou passar o rodo nos boys magia “de com força”! Ui!

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