Se o edital do concurso público que se pretende prestar já foi publicado, como devemos proceder? O que e como estudar? Qual estratégia de preparação devemos adotar?
Em tese, podemos trabalhar com duas possibilidades de cenários: (1) havia sido estabelecido um planejamento de estudo, o qual contava com um programa (composto por matérias e conteúdos correspondentes), e este plano está concluído; (2) há um planejamento de estudo estabelecido, que também conta com um programa, mas este plano ainda se encontra em andamento, não tendo sido concluído. Teoricamente, haveria também uma terceira possibilidade, envolvendo situação na qual sequer há um plano de estudo estabelecido e com execução iniciada, o que corresponde a uma situação difícil, considerando o objetivo do concurso público com edital publicado.
Diante dos mencionados cenários, quais as possibilidades de estratégias passíveis de adoção, a depender da situação na qual se enquadre? O presente questionamento será enfrentado de forma separada, considerando cada cenário possível.
I- Para a 1ª situação (já estava com o planejamento de estudo concluído quando da publicação do edital): neste caso seria importante desenvolver uma revisão estratégica. E para isto, podem ser adotados os seguintes critérios e atitudes:
I.1- identifique os temas em situação que considere precária quanto à apropriação intelectual, o que exige a análise do programa (inclusive já constante no novo edital publicado), de modo a levantar o que entende não ter segurança plena para o enfrentamento na prova;
I.2- sem prejuízo da primeira atitude, identifique e separe as informações e conceitos que tenha natureza lógica, daqueles que sejam enquadrados como arbitrários. Os conceitos lógicos são aqueles que permitem o seu estudo com compreensão de sentido e significado, ao passo que os conceitos arbitrários consistem naqueles que não podem, em regra, ser apropriados com compreensão do seu sentido e significado.
Um exemplo, extraído do Direito Constitucional, seria o conceito de espécies de competências legislativas da União (privativa, concorrente e comum), o qual corresponde a um conceito lógico, sendo passível de compreensão com um sentido lógico-conceitual. Por outro lado, as matérias que integram a competência legislativa privativa da União (previstas no art. 22 da Constituição Federal), da mesma forma que quoruns do processo legislativo e prazos, tendem a ser enquadrados como conceitos arbitrários, ante a dificuldade de compreensão de sentido;
I.3- assim, os conceitos arbitrários podem ser trabalhados nas revisões de véspera, para a mobilização dos mecanismos cognitivos de memória de curto prazo. Outra alternativa para trabalhar estas informações seria adotar técnicas mnemônicas, as quais envolvem a lógica associativa da memória (clique aqui para saber como usar Técnicas Mnemônicas na Preparação para Concursos);
I.4- também pode ser estratégico, ainda no planejamento da revisão, a opção quanto à ordem de matérias a serem revisadas. Neste sentido, uma alternativa racional seria iniciar com as matérias de menor relevância e terminar com as de maior relevância. Isto para que por volta de dois dias antes da prova, até por uma questão de margem de segurança, se tenha revisado a última matéria de maior relevância. Para classificar as matérias quanto à importância o principal critério seria a quantidade de questões e do peso atribuído a estas, conforme a definição do edital;
I.5- o tempo até a data da prova também pode ser aproveitado com a realização de exercícios. Aliás, este recurso pode ser utilizado para a identificação daqueles conteúdos enquadrados em condição de precariedade de disponibilidade intelectual (clique aqui para saber um pouco mais sobre o papel dos exercícios na preparação para concursos);
I.6- por fim, outra atitude importante – sem prejuízo de outras, seria levantar o que eventualmente não constava no programa anterior (tomado como parâmetro para o planejamento original), diante de eventual mudança no edital, com o acréscimo de novos conteúdos ou matérias. Ocorrendo este fenômeno, parte do tempo até a data da prova poderia ser destinado para suprir aquilo que não foi estudado.
II- Para a 2ª situação (contava com um planejamento de estudo estabelecido, mas não foi concluído quando da publicação do edital):
II.1- a primeira atitude importante a ser adotada consiste na reflexão sobre as seguintes variáveis: (1) quantas semanas, dias e horas existem até a data da prova; (2) o que ainda falta para estudar e qual fonte de estudo está sendo adotada; (3) qual a estimativa de tempo se leva para estudar o que falta em relação a cada matéria;
II.2- estas variáveis são fundamentais para a adequada gestão do tempo. Para aqueles que são usuários do Sistema Tuctor estas estimativas e levantamentos são realizados pelo sistema. Inclusive, não é incomum que muitos usuários, ao montar um plano de revisão, percebam a inviabilidade do plano original e, assim, promovam ajustes;
II.3- a partir daí, tendo a clareza do que é viável e do que não é, talvez seja preciso o enfrentamento do seguinte questionamento: o que será sacrificado e o que será valorizado? A resposta, por sua vez, exige a consideração da seguinte pergunta anterior: o que vale a pena valorizar e o que vale a pena sacrificar? Com isto é possível montar um planejamento de estudos até a data da prova;
II.4- ainda neste levantamento estratégico, é possível que se chegue à conclusão de que, além de sacrificar o estudo de alguns conteúdos, para alguns temas tidos por relevantes, seja eficiente fazer revisões, o que exige a consideração do raciocínio proposto aos candidatos que se encontram na 1ª situação trabalhada.
III- Conclusão: diante de todas as considerações apresentadas, uma das conclusões relevantes que se pode firmar é de que a 1ª situação tende a ser bem mais confortável e melhor geradora de condições para a aprovação. Isto que exige a antecipação do candidato e o desenvolvimento de uma preparação de longo prazo. Fica a dica!
Bom estudo e boa reta final!









1 comentário até agora. Deixe o seu.
Prof. Rogério,
sou advogada e trabalho por tempo integral em um escritório. Me encaixo na categoria 2 – já constava com um planejamento, mas ainda não foi concluído. Nesse caso pergunto, qual a bibliografia que o Sr. recomenda para estudar o suficiente para a aprovação com o pouco tempo que resta até a data da prova ?
Abs.,
Audrey