O Programa Inteligente: qual a sua importância?

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Vamos começar este texto com alguns questionamentos básicos, elementares, mas fundamentais para quem está se preparando para concursos públicos: (1) você tem um programa a seguir? (2) sendo positiva a resposta, este programa foi estruturado por você, ou simplesmente adotou o que foi previsto no último edital? (3) independente da resposta, já leu por completo este programa? (4) já refletiu sobre este programa? (5) criou algum tipo de organização do programa?

Pois bem, o objetivo do presente texto é tecer algumas considerações sobre o que resolvi chamar de organização inteligente do programa da preparação para o concurso público.

Para tanto, é indispensável começarmos pela compreensão do é o programa da preparação para o concurso público. Em termos concretos e práticos, significa o conjunto de matérias e conteúdos correspondentes a estas matérias a serem estudados. Em termos conceituais, consiste em todo o objeto de conhecimento a ser estudado, isto é, a ser intelectualmente apropriado pelo candidato, ao longo de seu processo de preparação.

A maioria dos candidatos que se dão ao trabalho de levantar um programa a ser estudado – os quais já estão num patamar avançado, pois muitos não fazem nem isto, simplesmente pegam o programa publicado no edital. Aqueles que trabalham com metas genéricas, seguindo a mesma lógica, fazem um mix de programas.

Porém, as organizadoras de concursos públicos não contam com qualquer compromisso com a estruturação lógica e adequada do programa. Muitas vezes a impressão que tenho é que publicam um programa confuso e logicamente desestruturado exatamente para atrapalhar os candidatos.

Independente da forma como o programa é publicado, é importante que o candidato promova a estruturação do seu programa de forma inteligente. E não há dúvida de que esta atitude já é um passo importante na preparação para o concurso, pois se trata de um primeiro contato com aquilo que será estudado ao longo das próximas semanas, meses ou talvez anos.

Para a estruturação do programa considero relevante a adoção de dois critérios fundamentais. O primeiro consiste na idéia da fragmentação racional e o segundo consiste na lógica seqüencial.

O critério da fragmentação racional significa procurar segmentar de forma razoável e racional o conjunto de conteúdos de cada matéria. Muitas vezes a organizadora publica no edital como um único item um enorme conjunto de conteúdos, sendo que não faria sentido estarem juntos, em termos razoáveis e racionais, inclusive por se tratar de uma grande quantidade de conhecimentos e informações.

Daí a pergunta que se faz é: tudo bem, mas qual é o limite? Resposta: o limite é o razoável no sentido de não se fragmentar tanto, a ponto de tornar difícil o gerenciamento, criando uma enorme quantidade de itens para cada matéria, e não deixar que seja tão grande, a pondo de parecer quase uma sub-matéria.

Vale esclarecer que esta idéia da fragmentação conta com uma série de fundamentos, tanto no plano gerencial, quanto no plano psicológico. Inclusive, esta idéia tem suas bases na andragogia, campo do conhecimento voltado ao estudo da aprendizagem de adultos, o qual se difere da pedagogia, centrado na aprendizagem de crianças. (para mais fundamentos sobre o tema clique aqui)

O outro critério importante consiste na observância da lógica seqüencial. Quando a organizadora publica o edital não há compromisso com a organização do programa conforme uma seqüência lógico-conceitual. Isto é relevante inclusive por uma questão de prejudicialidade, ou seja, existem temas que necessariamente devem ser estudados antes que outros.

Portanto, ao organizar o seu programa de forma inteligente, além de promover a fragmentação racional, é importante sequenciar de forma lógica, inclusive identificando o que tem precedência, isto é, qual tema deve ser estudado antes de qual.

Organizado o programa, o candidato passa a contar com uma série de benefícios, tais como:
- tem uma visão mais clara do que será estudado;
- passa a ter condições de perceber como avança;
- cria condições para gerenciar a execução dos estudos, inclusive tendo uma noção mais precisa do que falta para terminar;
- tem melhores condições de dar feedbacks quanto aos itens estudados.

Isto significa gerenciar os estudos de forma mais adequada e com mais precisão. Também significa contribuir com a gestão emocional, ao permitir que se visualize mais claramente os resultados dos esforços empreendidos.

Para os usuários do Sistema Tuctor, existem dois mecanismos relevantes que contribuem com a adoção do Programa Inteligente.

O primeiro consiste na ferramenta da Up Load do Programa. Com este mecanismo o usuário organiza seu programa em arquivo do tipo bloco de notas, faz o up load do arquivo na sua conta de estudos e o Tuctor separa todos os itens fragmentados pelo usuário, os tratando como unidades de conteúdos a serem gerenciadas.

Além disto, na Alimentação da Conta de Estudos o candidato informa os itens estudos. A partir daí passa a ter uma visão mais clara de como avança com os indicadores e gráficos do Extrato da Conta de Estudos.

Porém, independente dos meios adotados, o fundamental é tratar de forma inteligente o programa de estudo. E assim, contribuir com as condições gerenciais e emocionais da execução da preparação para o concurso público.

2 comentários até agora. Deixe o seu.

  1. Fernanda disse:19 out 2012 às 10:22 am · Responder

    Muito bom professor! Com essa mudança nas regras do CNJ para a Magistratura Estadual o pessoal do RJ, que antes não fazia provas objetivas, ficou meio perdido já que as provas antigamente eram apenas discursivas. É o meu caso! Já fiz duas provas pelo novo metodo objetivo e levei bomba, quando antes ja estava nas provas de sentença. Ta sendo muito dificil pra mim, mas creio que planejar o estudo seja o primeiro passo, ja que nas objetivas o conteúdo se torna mais abrangente pelo que tenho percebido. Estou me adaptando a focar mais na letra da lei e nos exercícios, sem priorizar tanto a doutrina e suas divergencias.
    Aproveitando, gostaria de te pedir para falar um pouco sobre essas provas objetivas, como aprender entrar nesse mundo de decorar a lei crua, desapegando das provas que antes eram feitas com código e que por isso so precisavamos estudar por livros e apostilas, divergencia, argumentação, etc.
    Obrigada por todo seu empenho em nos ajudar.

  2. Érika Carvalho disse:19 out 2012 às 1:46 pm · Responder

    Boa tarde, Rogério! Dica muito boa quanto aquela sobre como montar uma bibliografia de estudo! Muito obrigada!

    Abraços!

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