A Economia do Tráfico e os Concursos Públicos

Por  •  1 dez 2010  •  Notícias  •  4 Comentários
Tráfico e Concursos Públicos

Segundo estudo divulgado na Folha de São Paulo no último domingo (28/11), dentre os números relacionados à economia do tráfico, existem cerca de 16 mil pessoas trabalhando na referida atividade. A matéria na qual os dados foram revelados afirmava, em tom de comparação, que o mencionado quantitativo de trabalhadores do tráfico é equivalente ao número de postos de trabalho na Petrobrás no Rio, os quais são ocupados mediante concurso público.

Obviamente que uma pergunta que deve estar sempre na cabeça dos formuladores das políticas públicas de segurança é: o que fazer com estas pessoas?

Daí passei a conjecturar: e se fossem abertas 16 mil vagas no serviço público? Obviamente que não se trata de alocar os atuais trabalhadores do tráfico no Estado, o que dependeria da avaliação de uma série de aspectos, a começar pela necessidade de ausência de condenação criminal ou talvez até indiciamento.  Mas é fato que algum impacto teria na economia não clandestina, de modo a abrir novos postos de trabalho.

Além do mais, o universo dos concursos públicos conta com uma economia própria, geradora de postos de trabalho, envolvendo desde cursos preparatórios até instituições responsáveis pela logística das provas.

Daí poder-se-ia sustentar: mas isto significa inchar a máquina pública! Ou seja, o velho discurso liberal que apenas olha para o lado das contas públicas, encarando o Estado como uma S.A. que deve distribuir lucro financeiro aos acionistas, sem avaliar as necessidades da população, os direitos sociais de segunda dimensão e os impactos positivos na economia.

Mas mesmo pensando em contas públicas, a contratação de 16 mil pessoas, com salários em torno de R$ 2.000,00, geraria um gasto anual de cerca de R$ 394 milhões. Detalhe: gasta-se anualmente R$ 4 bilhões com segurança pública no RJ.

De qualquer forma, não tome as colocações aqui apresentadas propriamente como uma proposta. São apenas conjecturas e ilações, com a intenção de provocar a reflexão!


4 comentários até agora. Deixe o seu.

  1. Antonio disse:1 dez 2010 às 9:52 pm · Responder

    Boa proposta! Combater o crime gerando emprego e abrindo concursos! Tem o meu apoio!

  2. Helga Maria disse:1 dez 2010 às 10:44 pm · Responder

    Boa reflexão, realmente. :) Educar crianças pra não punir adultos. Cá estamos nós também gastando uma nota com penitenciárias mais do que deveríamos estar gastando com ensino.

  3. marcos paulo disse:7 dez 2010 às 12:54 am · Responder

    Mas, e será que eles estarão preparados para prestar um concurso público? Seria um concurso só para quem viessem do tráfico? Se não, com certeza, as vagas não seriam preenchidas pelos tais ex-garotos do tráfico. Confesso que a tua proposta à reflexão se exige um mergulho em boas intenções, tão somente… mas acho que se o Estado investir a longo prazo na educação de base desses jovens, então teríamos jovens aptos a prestarem concursos públicos. Data vênia, se a tua reflexão se baseia no momente presente no sentido de apenas solucionar o problema do quê fazer com estes milhares de jovens recrutas do tráfico… discordo no sentido de se abrir vagas com esse objetivo. Não sou liberal e nem sou a favor do Estado mínimo, porém penso que só a longo prazo se pode pensar na inclusão dos muitos jovens de comunidades carentes em bons empregos dignos na area do serviço público através de uma boa educação da base ao ensino superior. No meu ver,e sem querer fechar o assunto no meu superficial ponto de vista, em relação aos atuais aprox. 16 mil pessoas não vejo à princípio uma solução fácil. Se o tráfico perder seu poder empregatício no RJ mesmo, e tivessemos 16 mil pessoas desempregados e se eu tivesse que resolver este pipino AGORA, com certeza não abriria vagas no serviço público… principalmente em Brasília, para trabalharem no congresso nacional

    • Rogerio Neiva disse:7 dez 2010 às 10:12 am · Responder

      Caro Marcos, parabéns pelas reflexões!
      A intenção do texto era esta mesmo, provocar a reflexão, na linha da atuação interventiva e ativa no suprimento do vazio econômico-laboral.
      Reconheço que não há como haver destinação de vagas de concurso e fiz esta ressalva no texto. Mas, em tese, há impactos na economia, em termos de postos de trabalho diretos e indiretos.
      De qualquer forma, a intenção foi levantar o problema e provocar a reflexão.
      Parabéns!

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