Estrutura para Copa de 2014 e Concursos Públicos: basta fazer obra?

Por  •  14 jul 2010  •  Notícias  •  3 Comentários

Terminada a Copa de 2010, um dos assuntos que tem mobilizado a sociedade e o debate nacional nos últimos dias – além das habilidades premonitórias do comentado polvo, consiste nas condições (ou falta das) estruturais do Brasil para sediar a Copa de 2014. Tais manifestações podem ser compreendidas em dois eixos principais, quais sejam:

  1. a falta de estrutura;
  2. o receio de execução de gastos além do previsto, associada à má gestão dos recursos públicos.

Muito bem, diante deste cenário, é preciso chamar atenção para o fato de que não basta fazer obra e reclamar da possível farra de gastos inadequados. Inegavelmente, e por mais que muitos não gostem, é preciso contratar gente para a estrutura administrativa do Estado. Traduzindo: fazer concursos públicos!

Como assim?

Conforme apontado, para que os problemas sejam superados é preciso que se tenha duas grandes preocupações: infraestrutura logística e fiscalização.

Se nesta infraestrutura logística uma área sensível é o transporte aéreo, é preciso contratar gente para que a ANAC possa atuar com rigor. Também é preciso contratar gente para que a Infraero – empresa pública federal, que se sujeita ao procedimento de contratação mediante concurso público, conforme prevê o art. 37 da Constituição, possa cumprir o seu papel.

Inegavelmente, ainda no plano estrutural, se vamos receber estrangeiros, a Polícia Federal precisa de Agentes Federais, para atuar nas atividades de imigração. Também inegavelmente, a PF precisa de contingente para os setores de inteligência e demais atividades tipicamente policiais.

No campo da fiscalização, na esfera preventiva, a Advocacia Geral da União- AGU, responsável pelo controle prévio de atos administrativos no âmbito federal, dentre os quais se inclui licitações e contratações, terá que agir intensamente, o que exige a atuação de Advogados da União e Procuradores Federais.

Também na esfera fiscalizatória, não menos importante será o trabalho da Controladoria Geral da União – CGU, por meio da atividade de auditoria dos seus Analistas. Outra atuação importante, ainda nesta esfera, será do Tribunal de Contas da União e dos Estados, o que demandará o trabalho dos Auditores, Analistas e inclusive do Ministério Público junto às Cortes de Contas, exigindo o empenho de Procuradores de Contas.

E tudo isto se trata de demanda adicional.

Conclusão: será preciso contratar gente! Gostem ou não os defensores do discurso fácil e muitas vezes desfundamentado, no sentido de que fazer concursos públicos significa inchar a máquina estatal.

E diante deste cenário, inegavelmente, temos que reconhecer que, por um lado, o país precisará de mais servidores públicos, até porque o Estado não funciona só com obras, mas também com gente. Por outro lado, significa oportunidades para aqueles que buscam exercer uma carreira pública, tendo que se submeter a um concurso público.

Sucesso aos futuros candidatos e viva a Copa de 2014!

3 comentários até agora. Deixe o seu.

  1. Rafael disse:14 jul 2010 às 7:57 pm · Responder

    Concordo integralmente com seu artigo. A atual situação da ANAC está vergonhosa. Precisam, urgentemente, de mais trabalhadores.

  2. Ozimar Miranda Rêgo disse:22 abr 2011 às 4:08 am · Responder

    Caro Rogério Neiva
    Enquanto vemos vários Órgãos Públicos funcionando como cabides de emprego, com funcionários que nada fazem para merecerem os salários que recebem, temos órgãos vitais sem pessoal suficiente.
    Talvez se trocassemos todos os políticos resolvesse, mas como? Se os candidatos são sempre os mesmos.

  3. KARINA disse:26 set 2011 às 7:04 pm · Responder

    concordo, do começo ao fim, e acrescento o dado importante, que todas as carreiras públicas, sem exceção, têm um déficit de servidores já na atuação corriqueira, ou seja, já trabalha no vermelho, já que todas elas têm um quadro previsto por lei que não se encontra preenchido atualmente. E viva a LRF!!!

Deixe um Cometário