Depoimento do Aprovado: Procurador Rafael Vasconcellos

Por  •  16 jun 2011  •  Relato do Aprovado  •  5 Comentários
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Nome: Rafael Vasconcellos de Araújo Pereira

Cargo atual: Procurador da Fazenda Nacional

Idade: 30

Estado Civil: casado

Cidade onde mora/lotação: Brasília/DF

Cidade de origem: Brasília/DF

Data da Posse no cargo atual: 06 de outubro de 2006

Cargos ocupados anteriormente e atividades execidas: Procurador do Estado de Sergipe (aprovado em 1º lugar) e exercício da advocacia na área privada.

Formação: Graduação em Direito pela UniDF. Especialização em Direito Processual Civil pela PUC/MG.Pós-graduando em Administração Pública pela FGV.

Data da conclusão da graduação: 2003

Data de aprovação no cargo atual: Julho de 2005.

Quando começou a se preparar para o concurso atual: Comecei a me preparar em 2004, no mês de Setembro. Até então, tinha feito uma faculdade com dedicação e estudado em alguns períodos esparsos para concursos específicos (Promotor de Tocantins em Fev/2004 e Procurador Federal em Ago/2004). Estudei de Setembro de 2004, fazendo as provas no período de dezembro do mesmo ano, até junho de 2005, ocasião em que fui aprovado nos concursos para Procurador do Estado do Espírito Santo (fase objetiva – 9º lugar), Advogado da Terracap (6º lugar), Advogado do Serpro, Advogado da Caixa Econômica Federal, Procurador da Fazenda Nacional e Procurador do Estado de Sergipe (1º lugar).

Fiz um estudo intenso, de aproximadas 8 horas diárias nos dias de semana e 10 horas aos sábados e domingos (por dia). Para permitir isso, decidi me retirar da sociedade de advogados e me dedicar exclusivamente aos estudos.

Como estudou:

- montou planejamento? Sim. Preparei uma estratégia para vencer o edital no período de 6 meses. Me organizei financeiramente para ser aprovado no período máximo de um ano. Dividi as disciplinas previstas no edital de acordo com os dias da semana, estudando duas disciplinas por dia. Aos domingos, realizava provas completas de concursos anteriores. Foquei na realização de questões objetivas e subjetivas. Fiz mais de 15 mil, ao total.

- fez cursinho? Quantos? A época não havia cursinhos como os de hoje em dia. A preparação consistiu no estudo em casa mesmo.

- estudou em grupo? Durante algum tempo estudei com mais um colega (que também foi aprovado em vários concursos). Nos reuníamos aos finais de semana apenas para realizar provas passadas. O estudo foi muito eficiente. Um contribuía com o outro, ensinando temas de respectiva especialidade.

- estudava em biblioteca? Sim, alternava entre estudar em casa e em bibliotecas como a da UDF.

- o que faria diferente? Nada. Considero que o estudo consiste exatamente no que fiz. Pelo que percebo das experiências de meus alunos, a receita continua sendo a mesma: muita dedicação, várias horas de estudo/dia, realização de provas passadas conjugada com leitura de alguns temas específicos e muita jurisprudência. A doutrina ficou em segundo plano.

Houve momentos de desânimo? Sem dúvida. Estudar é muito desgastante, principalmente quando se depende da aprovação para ter uma vida normal. É importante estar focado na aprovação incondicional. É preciso internalizar a necessidade de se dedicar integralmente para um projeto cujo resultado é incerto, pois embora a aprovação virá como consequência dos estudos, não se sabe aonde e para qual cargo. Foram momentos passageiros. No geral mantive a auto-estima elevada e a confiança na aprovação. Sempre pensei que seria aprovado caso estudasse em uma carga horária elevada e com qualidade superior aos concorrentes. Acredito que o esforço compensa qualquer obstáculo.

Chegou a pensar que não passaria? Não! Enxerguei a aprovação como um cálculo exato: aprovação = horas de estudo com qualidade. A visualizava como consequência dos estudos. Se todos passaram dessa forma, porque comigo seria diferente?

Principais dificuldades, quais foram? Abdicar da advocacia, reitrar-me do convívio com os amigos e da família, pouco dinheiro para me manter (havia feito uma reserva de R$ 20 mil reais, a qual deveria me manter por um ano).

O que fez para superar as dificuldades? Acreditar na própria capacidade, determinação com os compromissos assumidos, dedicação integral.

Conselho aos candidatos: Nunca deixe de acreditar na própria capacidade. Em concurso público, o esforço é o motor da aprovação. Dedique seu tempo à realização de provas passadas e leitura de muita jurisprudência (informativos do STJ e STF). Tenha consciência das dificuldades, aceitando-as e superando-as. Não se deixe vencer pelo cansaço ou pelas reprovações, tudo isso faz parte da aprovação. Confie na sua estratégia de estudo e jamais retroceda!

OBS: O Dr Rafael Vasconcellos de Araújo Pereira atualmente é editor do site Advogados Públicos e Professor do Curso Unijur. Clique aqui para conhecer!

5 comentários até agora. Deixe o seu.

  1. Renato Arruda Martins disse:16 jun 2011 às 11:55 pm · Responder

    Dr. Rogério Neiva, no item “O que faria de diferente” constante na entrevista acima, o entrevistado disse “(…) A doutrina ficou em segundo plano”. Considerando o contexto em que essa declaração foi colocada, o que o senhor entende sobre o tema? É melhor visar o entendimento jurisprudencial em detrimneto do estudo da doutrina?

    • Rogerio Neiva disse:17 jun 2011 às 12:31 am · Responder

      Caro Renato,
      Não sei se já percebeu, mas procuro tratar este tema da metapreparação (como se preparar para concursos e exames) com seriedade e responsabilidade. E isto passa pelo respeito à complexidade do fenômeno da aprendizagem humana, o que é incompatível com universalizações e fórmulas mágicas.
      Neste sentido, sua pergunta é complexa e não comporta uma resposta simples.
      O que o Dr Rafael coloca, com a propriedade do empirismo de resultados que ele vivenciou e experimentou, consiste na compreensão que ele tem e na vivência que ele teve.
      E não digo que esteja certo ou errado, mas não posso ignorar que para ele estava e está certo, o que pode se aplicar ou não ao seu caso.
      Há dois textos aqui no Blog sobre o aparente conflito entre doutrina, lei seca e jurisprudência.
      Esta semana ou na próxima publico outro especificamente sobre a doutrina e jurisprudência.
      Mas concluindo, considero que faz o seu sentido, mas há detalhes que precisam ser considerados, o que será objeto de abordagem no mencionado texto que irei publicar.
      Abcs!

      • Renato Arruda Martins disse:18 jun 2011 às 11:59 pm · Responder

        Obrigado prof. Rogério!!
        Vou aguarda a publicação do mencionado texto!

  2. Renata disse:21 jun 2011 às 10:24 am · Responder

    Só uma pergunta: e quem não puder fazer como o doutor fez (ou seja, deixar de trabalhar para se dedicar exclusivamente aos estudos), faz o quê?

    Não estou querendo tecer desconsiderações à história do ilustre colaborador, mas a realidade de hoje, especialmente com a exigência ferrenha destes anos prévios de atividade jurídica, não deixa outra opção aos candidatos senão a de trabalharem.

    Seja no exercício de uma função jurídica pública ou privada, a grande maioria deles não tem como abandonar suas atividades apenas para estudar, visto que o projeto de aprovação em um concurso público, atualmente, demanda muito tempo e o resultado só ocorrerá em período indeterminado da nossa vida.

    Então, com o devido respeito e admiração (pois vejo que também não foi fácil o período de preparação deste bem sucedido e hoje Procurador) e por admirar o projeto desenvolvido pelo Prof. Rogério Neiva em prol dos concurseiros de todo o país, eu gostaria de ver histórias mais “reais”, de pessoas que, mesmo com as agruras do dia a dia e após um longo expediente de trabalho e estresse, ainda conseguiram obter a aprovação em um concurso difícil como este que foi relatado.

    Desculpe o desabafo, mas creio que essa realidade é vivenciada por mim e pela grande maioria daqueles que possuem o sonho de serem aprovados em seus concursos, porém não podem simplesmente abdicar de tudo para se dedicarem apenas aos estudos e, assim, atingir, em menos tempo, o alvo almejado.

    • Rogerio Neiva disse:21 jun 2011 às 2:23 pm · Responder

      Cara Renata,
      Suas considerações são bastante valorosas e me dedicarei à reflexão do tema, de modo a tentar sistematizar e produzir algo.
      E lhe digo que vivi as duas experiência, pois houve um tempo em que estava por conta dos estudos e, posteriormente, tive que compatibilizar o trabalho com os estudos.
      Mas no momento, deixo duas sugestões de relatos aqui no Blog, de pessoas que superaram grandes dificuldades, inclusive de ordem econômica.
      Relato do Procurador da República José Godoy: http://t.co/IrZvfFx
      Relato do Juiz Leador Machado: http://t.co/J7NLRRH
      Relato do Juiz João Batista:http://t.co/xShq1Xm

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