Depoimento do Aprovado: Procurador da Fazenda Carlos Côrtes (PFN)

Por  •  8 dez 2011  •  Relato do Aprovado  •  14 Comentários
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Nome: Carlos Côrtes Vieira Lopes

Cargo atual: Procurador da Fazenda Nacional

Idade: 30 anos

Situação familiar: Casado e somente encontro minha esposa aos finais de semana, pois ela trabalha no RJ.

Cidade de lotação: São Paulo

Cidade de origem: Rio de Janeiro

Data da Posse no cargo atual: 15/01/2010

Cargo ocupado anteriormente: Procurador Federal (de 19/11/2007 até 14/01/2011)

Formação: Pós Graduado em Direito Público e Tributário pela IAVM e em Direito Público e Privado pela UNESA. Concluído, também, o curso de preparação da Escola da Magistratura do Rio de Janeiro.

Data da conclusão da graduação: Segundo semestre de 2004

Concursos aprovados anteriormente: Juiz Leigo no TJRJ (2006); Procurador de Assistência Judiciária (Defensor Público) no CEAJUR/DF (2006); Procurador Federal (2007) e Procurador da Fazenda Nacional (2007/2008).

Data de aprovação no cargo atual: início de 2008.

Quando começou a se preparar para o concurso atual: nunca foquei em específico na PFN, mas o início dos meus estudos foi em 2005.

Como estudou:
- montou planejamento? De início não. Esse foi um grande erro. Fazia EMERJ (Escola da Magistratura) e seguia o calendário de lá, até verificar que somente seguindo aquele calendário não teria como abordar todas as matérias sem me esquecer das demais. Depois que coloquei isso na consciência comecei a montar um planejamento próprio de estudo, assistindo a aula de uma matéria e estudando em casa outras duas disciplinas diferentes. Sempre mudando as disciplinas do dia seguinte.
- fez cursinho? Fiz a Escola da Magistratura no RJ, curso de 2 anos e meio de duração. Após, somente fiz cursos específicos para determinadas provas, em regra provas específicas, como para Defensoria, Ministério Público, Magistratura e Procuradoria da República.
- estudou em grupo? Não.
- estudava em biblioteca? Sim.
- estudava quantas horas por semana? A rotina era acordar, estudar e dormir, durante os 7 dias da semana. Domingo era o único dia em que dava para terminar o estudo um pouco mais cedo (por volta das 16:00), a fim de descansar para a rotina que iria voltar no dia seguinte. Aos finais de semana o estudo era mais leve, como informativos e textos diversos que eu estivesse a fim de ler, saindo do planejamento rígido semanal.

O que faria diferente? Na época em que eu estudava não havia tantos livros esquematizados e sites focados em concurso público. Acredito que isso seria um diferencial se fosse estudar hoje. Outro problema que tive era a leitura pesada de manuais grossos, quando para passar em concurso acredito que, na grande maioria deles, inclusive Magistratura e Ministério Público, bastaria livros esquematizados ou sinopses e estar sempre atualizado com as mudanças legislativas e com os informativos de jurisprudência.

Houve momentos de desânimo? Sim, mas como namorava uma garota que estava estudando para concurso também (hoje minha esposa), quando um estava abatido o outro dava forças para continuar a luta. Deu certo. Hoje sou Procurador da Fazenda Nacional e ela Promotora de Justiça. Certamente, momentos de questionamentos pessoais (será que tenho capacidade para passar? Quando vou passar? Essa data nunca chega?) e de desânimo irão aparecer. O candidato abdica de boa parte de sua vida para passar em concurso público. Deixar de sair com os amigos, de ver a família, os momentos com a namorada passam a ser restritos, mas estejam certos que após a aprovação todo este período é esquecido (será apenas uma lembrança do quanto você é capaz de superar obstáculos). A vida começa após o concurso.

Chegou a pensar que não passaria? Não. Até porque quando comecei a estudar meu foco era a área estadual, demorou cerca de um ano até abrir concurso nessa área, meu primeiro concurso foi para magistratura no PR e fiquei a duas questões da nota de corte para segunda fase. Depois em todos os outros concursos ficava muito perto da nota de corte por um período. Passado o período em que ficava “batendo na trave”, comecei a passar para as segundas fases e com um ano de estudo passei no concurso de Procurador de Assistência Judiciária (Defensor Público) no DF. Acabei cometendo um grande erro a partir daí, durante um período de seis meses meu estudo ficou sem foco porque achava que será chamado, o tempo passou e após ver que as nomeações iriam demorar o ritmo seria lento tive que volta a colocar pressão nos estudos, somente vindo a passar em outro concurso grande (Procuradoria-Geral Federal/AGU) após mais um ano e meio de estudo, tendo sido aprovado na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional logo em seguida.

Principais dificuldades, quais foram? Não saber por onde começar a estudar. Querer focar apenas na área estadual.

O que fez para superar as dificuldades? Demorei para perceber a importância de um material sintetizado para concurso público (apostilas, sinopses, etc), depois, como já tinha uma base grande dos grandes manuais que li (algumas matérias mais de dois), esse material me serviu como grande trunfo para aprovação. Ocorre que perdi dois anos e meio focando apenas para área estadual e não tive êxito. Após terminar a Escola da Magistratura sem ter sido nomeado em nenhum cargo, resolvi abrir meu âmbito de provas para área federal e nos dois primeiros concursos obtive a aprovação.

Algum detalhe do dia da prova a mencionar? Por vezes, o pior inimigo do candidato é ele mesmo. A ansiedade e o nervosismo acabam atrapalhando demais. Tente fazer a prova com calma, leve sempre lanches leves (que não deixe sua mão gordurosa ou melada) e alguma bebida. Sempre que possível faça uma revisão antes de entregar a prova (pode ter alguma questão múltipla escolha que queira alterar ou correção de pontuação e acentuação – nas específicas).

Contexto de aprovação (ou da prova tida por mais importante como a 2ª fase ou sentença):
- como soube da notícia e onde estava? Para o concurso de Procurador Federal eu estava no DF, havia acabado de fazer as provas subjetivas, estava no hotel (meu voo de volta para o RJ era às 10:00), aguardando sair o DO pela internet, pois havia um cronograma que estabelecia aquela data como o dia da publicação do resultado. Normalmente, o DO na internet saia às 08:00,  neste dia somente saiu quase às 09:00. Apenas deu tempo de ver minha nota (vi que tinha sido aprovado) e sair correndo para dentro do táxi. Por muito pouco não perco o voo.
- o que sentiu no momento em que recebeu a notícia? Estava em êxtase, muito feliz, com lágrima nos olhos!
- como foi a comemoração? Fui à missa agradecer e depois fiz um jantar com os amigos no Porcão para comemorar.
- outros detalhes sobre a aprovação: quando saiu que iria trabalhar no INSS, por não conhecer o trabalho da Advocacia Pública, fiquei extremamente assustado e inquieto, achando que tiraria aposentadoria dos idosos coitados e pensão de seus dependentes, sem qualquer fundamento, que seria taxado como um vilão para sociedade. Após o início dos trabalhos vi que não era esse o enfoque da Procuradoria, mas sim de dar a cada um o que for de Direito, garantindo o que o cidadão tiver Direito e evitando que se aproveite do que não teria Direito. Hoje sou um apaixonado pela Advocacia Pública e não pretendo abandoná-la.

Conselho aos candidatos:
O que diria para alguém que estivesse começando a estudar para concursos e lhe pedisse um conselho? 1) Não foque em nada se não tiver um emprego que lhe garante a possibilidade de continuar a estudar sem depender de ninguém, ou seja, enquanto não tiver passado em nada, atirem para todos os lados. Demorei dois anos e meio para abrir o âmbito dos meus estudos para área federal e nos primeiros concursos federais fui aprovado; 2) Dê prioridade aos livros esquematizados e sinopses (a redação não é das melhores, mas o importante é o conteúdo sintetizado e a atualização com jurisprudência); 3) Informativos, informativos e mais informativos e jurisprudência; 4) Pratique atividade física regular.

O que diria para alguém que estivesse já estivesse estudando há algum tempo e lhe pedisse um conselho? NÃO DESISTA!!!

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14 comentários até agora. Deixe o seu.

  1. JoaoMls disse:8 dez 2011 às 1:29 pm · Responder

    Professor Rogério, eu sei que é a vida do cara, que eu tenho uma inveja branca, mas ele já tinha assumido um mega cargo no Rio, por que foi deixar a esposa lá pra assumir outro? Vi em sua formação a área tributária, de repente era um sonho, não sei. Mas deixar a esposa no Rio? Vai entender. Parabéns pra ele e espero um dia ter tanta disposição pra acordar, estudar e dormir.

    • Carlos Côrtes Vieira Lopes disse:9 dez 2011 às 11:47 am · Responder

      Sr. JoaoMIs, a questão de migrar de carreira foi de opção.

      Minha esposa ainda é Promotora de Justiça substituta no Rio de Janeiro, ou seja, ficará rodando um bom tempo pelo interior (aqui no RJ a cada mês o promotor substituto é designado para um local de lotação diferente) e o trabalho na Procuradoria Federal vinculada ao INSS era muito desgastante.

      Na PFN, além da posibilidade de ter uma melhor estrutura de trabalho, tenho a chance de ser promovido mais cedo. Infelizmente, quando tomei posse, em razão dos quase 400 cargos que ainda estão em abertos, acreditava que minha remoção para o RJ sairia mais rápido. Outro fator preponderante para mudança é a possibilidade de, caso eu desista do serviço público, ser acolhido no mercado de trabalho com maior facilidade, em razão da abrangência da área tributária.

      Feitas estas observações, explico que sempre diante de uma decisão de peso há várias circunstâncias que afetam esta decisão. E nem tudo na vida se restringe a dinheiro, é de se preferir qualidade de vida.

      Poderia ter optado pela Defensoria no DF, quando fui nomeado, com uma remuneração bem superior, contudo o desgaste da distância, sem a possibilidade de voltar ao RJ (possibilidade esta que tenho na PFN), me fez desistir desta opção.

      No mais, desejo-lhe muita sorte nas suas provas. Outra dica para o sucesso é pensar grande. A sua capacidade é do tamanho da sua imaginação. Não deixe que as pessoas negativas que o circundam ou as situações da vida te desanimem.

      • Ricardo Pontes disse:9 dez 2011 às 5:44 pm · Responder

        Dr Carlos, valeu mesmo pelo seu relato e pelas colocações!
        Seja feliz na sua vida profissional e familiar. Um dia também chego lá!!!
        Abraços
        Ricardo

  2. Patrícia Silva disse:8 dez 2011 às 11:57 pm · Responder

    Muito bom este relato!
    Um dos melhores e mais ricos que já li aqui no blog.

  3. Carlos Roberto disse:9 dez 2011 às 12:08 am · Responder

    A frase de que a vida começa após o concurso é marcante!
    Mas enquanto não passo procuro aliviar minhas angústias pensando na ideia do “foco no processo” que o Prof Neiva tanto defende.
    Obrigado pelo depoimento do Dr Carlos!

  4. Renato disse:9 dez 2011 às 12:10 am · Responder

    Prezado Prof Neiva,
    Muito obrigado pela publicação deste texto!
    Bastante ricas as dicas do Dr Carlos.
    Também almejo a PFN. Agradeço mais esta inspiração.

  5. Marina Costa disse:11 dez 2011 às 6:23 pm · Responder

    Olá Dr. Carlos, parabéns pelas grandes aprovações!!!Realmente escolher entre as mais diversas carreiras jurídicas públicas é complicado, implica em ônus e bônus. Mas, gostaria de tirar uma dúvida após ler sua trajetória. O Sr. disse que demorou a tomar decisão em prestar concurso para área federal, porque sempre quis a área estadual. Além disso, relatou que enquanto o concursando não tenha como se sustentar, é preferível fazer todos os concursos que aparecerem. Mas, 99% das pessoas que já passaram, professores, especialistas na área de concursos falam para focar em apenas um, ou mesmo para uma determinada área, por exemplo, área trabalhista (TRT, MPT e magistratura). O que o Sr acha? Fico pensando muito sobre isso e acho que “atirar para todos os lados” é muito complicado. Já me dei muito mal fazendo vários concursos, porque cada um tem uma matéria que o peso é maior. Na verdade, é impossível saber tudo e os editais exigem muito. Acho que essa tese só funcionaria se a pessoa já estivesse em um nível mais elevado nos estudos, como, por exemplo, passando nas primeiras e segundas fases de concursos de magistratura, MP, etc. Gostaria de sua opinião a respeito! Muito obrigada

  6. Mariana disse:16 dez 2011 às 10:42 am · Responder

    Admiro essas histórias de sucesso.
    Mas estou começando a acreditar que mais me desestimulam do que incentivam.
    Quando leio que uma pessoa só estuda e dorme, durante 7 dias da semana para passar, fico desesperada.
    Trabalho 6 horas. Sou casada. Estou estudando 3 horas na parte da manhã e 3 ou 4 a noite. Finais de semana tenho meu marido e minha família, minha casa para organizar. Não tenho como aumentar meu tempo de estudo. É muito difícil isso. Fico muito cansada. E já estou começando a achar que pra mulher é mais difícil ainda.

  7. wagner silvio martins disse:23 dez 2011 às 1:19 pm · Responder

    “Olá, Professor Rogério Neiva, é um prazer enorme fazer a leitura dos depoimentos de grandes profissionais da área do direito como o Dr. Carlos, pois fortalece e dá ânimo em continuarmos dedicando para área tanto almejada. Obrigado. Que deus continue iluminando a sua vida! Abraços!

  8. Bianca disse:24 dez 2011 às 1:15 am · Responder

    É gratificante ler este relato, motiva aos que estão iniciando esta longa e árdua jornada. Estou há um ano me preparando para concurso federal, abandonei meu emprego comissionado e em 2012 estarei aguardando os concursos que vierem.

  9. Helena disse:2 nov 2015 às 10:08 am · Responder

    Ótimas dicas! Depois da minha aprovação na OAB, irei focar meus estudos em uma carreira jurídica top como essas.

    Forte abraço!

  10. Helena disse:2 nov 2015 às 10:09 am · Responder

    Ótimas dicas! Depois da minha aprovação na OAB, irei focar meus estudos em uma carreira jurídica top como essa.
    Forte abraço!

Menções deste artigo em outros sites:

  1. Concurso Público | Depoimento do Aprovado: Procurador da Fazenda – Carlos Côrtes (PFN) « GEN Jurídico
  2. Blog Exame de Ordem » As Revisões na Preparação para Concursos

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